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Negócios

Via planeja acelerar abertura de lojas multiusos

Em entrevista à Bloomberg Línea, CEO Roberto Fulcherberguer diz que companhia ressignificou conceito de loja como extensão da logística

O portfólio da Via inclui marcas como Casas Bahia, PontoFrio, Extra. com, Bartira, banQi, ASAP Log, i9XP e Distrito
11 de Novembro, 2021 | 05:07 pm
Tempo de leitura: 6 minutos

São Paulo — O grupo varejista Via, dono das bandeiras Casas Bahia, Ponto, Extra.com.br e Bartira, planeja acelerar a abertura de lojas físicas, priorizando praças onde ainda não possui presença física. Em entrevista à Bloomberg Línea, o CEO da companhia, Roberto Fulcherberguer, considerou que esses espaços ajudam a reduzir os custos de logística e a hospedar os seus 20 mil vendedores onlines, importante elo para fidelizar sua clientela, em um contexto de maior competição no varejo brasileiro, principalmente nas operações digitais, com a ofensiva de players estrangeiros, como os chineses da AliExpress.

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No 3º trimestre, a rede brasileira abriu 19 lojas e programa iniciar operação de mais 72 unidades no quarto trimestre, incluindo a megaloja Casas Bahia Marginal Tietê, em São Paulo. Com isso, pretende fechar o ano em 85 novos municípios, número 19% acima do registrado no ano passado.

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“O nosso plano é de aceleração de presença física em praças onde nós não temos loja. Estamos inaugurando 109 lojas dentro deste ano. São 75 novas cidades onde não tínhamos presença física. Nós ressignificamos as nossas lojas. Elas deixaram de ser um loja que só faz venda e virou uma central de relacionamento com o consumidor, uma extensão da nossa logística. Hoje metade de todas as vendas que fazemos na plataforma online são entregues a partir da loja, é uma extensão do nosso centro de distribuição. Parte relevante dos clientes vai retirar os itens na loja. Nossa venda online, que segue crescendo de forma forte, também é muito impactada pela venda online que nossos vendedores físicos estão fazendo. A Via cada vez mais acredita e investe na omnicalidade [oferta multicanal]”, diz Fulcherberguer.

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O CEO manteve o tom de otimismo mesmo diante uma mudança do cenário macroeconômico, com o ciclo de alta dos juros, iniciado em março pelo Banco Central, pano de fundo da segunda queda mensal consecutivo das vendas nacionais do varejo, referente ao mês de setembro, divulgado hoje pelo IBGE (Instituto Brasil de Geografia e Estatística). Só o segmento de móveis e eletrodomésticos desabaram 22,6%, em setembro, na comparação anual.

“O mercado está mais complexo. Independente disso, a Via segue crescendo acima do mercado. Temos soluções de crédito diferenciadas. Já vimos isso no passado. Podemos adequar a parcela que cabe no bolso do consumidor”, comentou.

Ele se refere ao BanQi, a plataforma de soluções financeiras da companhia, considerada o principal vetor de criação de valor para o ecossistema da Via. No 3º trimestre, o TPV (volume total de pagamento) mostrou crescimento de 23% em 12 meses, totalizando R$ 10,4 bilhões, aumento de R$ 2 bilhões na comparação com setembro de 2020.

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Uma série de funcionalidades tem sido, neste semestre, implementada no marketplace: a moeda banQi já é aceita nas compras do e-commerce das Casas Bahia, adesão ao PIX nas lojas e no e-commerce em todas as bandeiras, link de pagamento para mais de 300 mil entregadores da sua logtech ASAPLog, lançamento do programa de recompensa banQi, wallet banQi, possibilidade de pagamento com cartões de terceiros no shopping banQi, o crediário digital para clientes do marketplace, entre outras.

Black Friday

Outro ponto destacado é o aumento do sortimento das bandeiras da Via, com seu maior investimento no marketplace e adição de novas mercadorias. A varejista tem repetido que não é mais uma companhia apenas de eletrodomésticos, celulares, TV e móveis, cita ter mais de 34 milhões de itens no seu sortimento, em uma prateleira infinita, que inclui produtos inesperados como tratores, chocadeiras e fritadeira industrial de coxinha, além das soluções financeiras do BanQi. Nesse novo ambiente, não há oposição entre lojas físicas e marketplace, mas uma complementariedade e união de forças para aumentar receita e presença digital.

A Via manteve seu guidance (projeção oficial) de aumentar seu market share no varejo digital dos atuais 16% para pelo menos 20% até 2025. “A loja passa a ser multiuso dentro da Via e um elo importante de logística e de venda para o marketplace. A mesma anologia pode ser feita com soluções financeiras”, diz Helisson Brigido Andrade Lemos, vice-presidente de inovação digital e marketing da Via, também presente na entrevista.

O grupo varejista, que disputa mercado com nomes como Magazine Luiza, Carrefour, Amazon, Mercado Livre e Americanas, citou expectativas positivas para a Black Friday, prevista para o próximo dia 26, data que marca o início da temporada de descontos agressivos das compras de fim de ano. Na última sexta-feira, o CEO informou a suspensão da campanha publicitária para essa data, após a notícia da morte da cantora Marília Mendonça. “A gente teve o privilégio aqui de poder ter tido uma campanha com ela”, disse o CEO à Bloomberg Línea, expressando solidariedade com a família e fãs da artista.

Fulcherberguer afirmou que a Via está melhor preparada neste ano para convencer os consumidores a encher seus carrinhos no marketplace. “A gente está super otimista com a Black. Estamos extremamente bem preparados em termos de produtos. A companhia nunca esteve tão digital como agora. Os últimos avanços que a gente colocou na Via nos últimos dois anos e meio se materializam agora nessa Black. A gente está bem em toda a vertical digital dos serviços financeiros, muito melhor que no ano passado. A gente chega pela primeira vez com um marketplace com um prateleira infinita. Nesse período no ano passado, nós tínhamos 5 milhões de itens no marketplace. Chegamos agora com mais de 34 milhões de itens”.

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Provisões

Ontem, à noite, a Via divulgou seu resultado financeiro do terceiro trimestre. A companhia reportou um prejuízo contábil de R$ 638 milhões devido ao impacto negativo do aumento de provisões com processos trabalhistas. Houve uma alta de 32% nos valores dessas ações, explicada principalmente pela prática da antiga administração de levar os casos até os tribunais de justiça superiores, o que gera correção mais alta dos valores. O mercado reagiu mal aos dados das provisões e ao resultado líquido negativo, com as ações da Via desabando mais de 10% nesta quinta-feira (11).

A companhia espera que o impacto das provisões prossiga, com menor intensidade, nos próximos três anos, atingindo em 2024 um padrão do mercado. O impacto do reforço da provisão trabalhista realizada na geração de caixa medida pelo EBITDA foi de R$ 1 bilhão. Excluindo essas provisões, o resultado financeiro está no azul. “Nosso lucro líquido ajustado pelos efeitos não recorrentes foi positivo pelo 7º trimestre consecutivo em R$ 101 milhões no 3T21 (margem líquida de 1,4%). No acumulado de 9 meses, o lucro líquido ajustado pelos efeitos não recorrentes somou R$ 413 milhões, uma grande virada em relação ao prejuízo de R$ 63 milhões reportado em igual período do ano anterior”, diz a Via, em comunicado sobre o resultado.

A companhia destacou ainda seu desempenho operacional entre julho e setembro. “Nosso desempenho de vendas foi bem positivo no trimestre, apesar de um cenário econômico desafiador e forte ambiente competitivo. As vendas digitais representaram 60% do GMV [volume bruto de mercadorias] de total no 3T21. Nosso GMV bruto totalizou R$ 11,1 bilhões impulsionado pelo forte desempenho do marketplace que mudou de patamar para quase R$ 2 bilhões em GMV, um salto de 133% a/a”.

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Concorrente da Via, o Magazine Luiza divulga hoje seu resultado financeiro após o fechamento da Bolsa.

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.