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Viagens

Vai viajar? Veja o melhor jeito de comprar dólar e evitar a volatilidade

Viajantes encontram em casas de câmbio mais opções para trocar reais por papel-moeda para a retomada das viagens ao exterior; confira dicas

Cotações do dólar devem seguir pressionadas pelas incertezas sobre inflação, juros e eleições presidenciais, desafiando viajantes que buscam reduzir custos com a aquisição do papel-moeda
11 de Novembro, 2021 | 10:26 am
Tempo de leitura: 5 minutos

São Paulo — Com a retomada dos voos entre Brasil e EUA, viajantes buscam reduzir os custos com a aquisição de dólar. O mercado de câmbio oferece diversas opções, desde cartões pré-pagos a parcelamento em até 12 meses, a fim de driblar a elevada volatidade da cotação. De norte a sul do país, corretoras já percebem um aumento da procura pelo dólar turismo, refletindo essa nova fase do setor de viagens, após 20 meses de fronteiras aéreas fechadas devido às restrições impostas pela pandemia da Covid-19.

Veja mais: Tudo que você precisa saber para viajar para os EUA no final do ano

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Estamos operando a 75% do que era no pré-pandemia”, estima Ana Tena, CEO da Travelex Confidence Brasil, grupo formado pela corretora Travelex Confidence e pelo Travelex Bank, banco exclusivo para operações de câmbio, com mais de 100 pontos de atendimento espalhados por todo território nacional.

Ela destaca alguns perfis de pessoas físicas que estão comprando dólar em espécie: pais com filhos estudando nos EUA; quem comprou passagens aéreas durante a pandemia e ficou impedido de viajar, mas agora com a reabertura das fronteiras já arrumam as malas; ou quem possui imóvel no exterior e agora está planejando uma visita, além de turistas que programaram passar as festividades do final do ano em solo americano.

Veja mais: Dólar turismo pode ficar mais caro com a retomada dos voos para os EUA

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Além dos principais destinos dos EUA, a CEO da Travelex vê também uma retomada das viagens para o continente europeu, com a maior procura por cartões multimoedas. “Os pais recarregam os cartões dos filhos, que não precisam ficar fazendo a conversão quando visitam países com moedas diferentes. Além disso, podem acompanhar o saldo do cartão à distância, vendo onde o filho está gastando”, conta Ana.

Já o diretor da corretora de câmbio Sadoc, Breno Cysne, que atua em Fortaleza (CE), confirma o efeito da reabertura das fronteiras nas casas de câmbio. “O mercado está bem aquecido. Brasileiros estão voltando a viajar internacionalmente, tanto para Europa como para os EUA”.

Por enquanto, o fluxo de estrangeiros na cidade turística, portão de entrada para conhecer praias paradisíacas como Jericoacoara e Canoa Quebra, ainda está baixo. “Está tendo mais saída de brasileiros do que entrada de estrangeiros no país”.

Para quem está com passagem aérea comprada para viajar para os EUA, ele recomenda o parcelamento da compra de dólares em espécie no cartão de crédito, limitado a R$ 10 mil, uma novidade recente no mercado. “A nova regulamentação do BC, que permite aos brasileiros parcelarem a compra de moedas estrangeiras no cartão de crédito, ajudou bastante”, diz Cysne.

O diretor da Sadoc cita esse meio de pagamento como uma tendência nas casas de câmbio. “Os clientes estão aderindo bastante. Antes você parcelava o hotel e passagem, agora você pode parcelar em 12 vezes, passagem, hotel e também a moeda estrangeira. Você pode comprar moedas estrangeiras em espécie, parcelando no seu cartão de crédito, com IOF de 1,10% e fixando em real no ato da compra, com parcelas fixas. O juros fica 8,50% ao ano em 12 parcelas”.

Mas vale a pena? “Se você passar o seu cartão de crédito no exterior, você paga 6,38% somente de IOF, mais o spread do banco que varia entre 3% e 6% e tem que pagar a fatura em 30 dias. Já aqui, você parcela em 12 vezes com parcelas fixas com juros de 8,50%, e o spread é 2%. Então você consegue a flexibilidade no parcelamento e fica mais barato do que passar seu cartão no exterior”, exemplifica Cysne, citando a taxa praticada pela sua empresa de pagamentos parceira, a Fix Pay.

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Incertezas

Com a deterioração das condições de mercado neste segundo semestre, devido às preocupações com o quadro fiscal do Brasil, o ritmo de crescimento da economia, a inflação, os juros e as eleições presidenciais de 2022, o mercado de câmbio atravessa um período de turbulências, com cotações saltando da casas de R$ 5,00 para R$ 5,70 nos últimos quatro meses. A CEO da Travelex confirma que a procura por hedge cambial pelas empresas aumentou diante das incertezas do cenário macroeconômico.

“O mercado já precificou os piores cenários. Não acredito que o Brasil vai entrar em recessão em 2022, mas ainda vamos viver picos de volatilidade no mercado de câmbio com a saída de capital e operações de arbitragem entre as taxas de juros e de câmbio”, analisa Ana, acrescentando que o superávit da balança comercial é um ponto positivo, mas boa parte dos recursos não está sendo internalizada devido às dúvidas dos grandes investidores sobre os rumos da economia brasileira.

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Já a economista-chefe do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, avalia que a taxa de câmbio no Brasil deve seguir pressionada em 2022, permanecendo perto dos R$ 5,50. “Olhando o que há de informação hoje, não conseguimos perceber um ambiente muito propício para a taxa de câmbio. Claro que a volatilidade é ainda o nome do jogo; se hoje ela está em R$ 5,50, nada impede beliscar uns R$ 5,30 daqui um mês em um dia positivo, mas a chance de isso se sustentar é baixa”, diz a economista.

Segundo ela, a tendência é de depreciação cambial diante das incertezas geradas com as eleições presidenciais. “Quando olhamos para o ano que vem, algo perto ou abaixo de R$ 5 parece muito pouco factível. Nós devemos depender do cenário eleitoral no ano que vem e ter uma manutenção dessa taxa de câmbio ao redor de R$ 5,50″.

A economista destaca que o fluxo de capital do país vem diminuindo há muito tempo. Para o ano que vem, a projeção do banco para o investimento direto no Brasil é de algo perto de US$ 55 bilhões, mas muito abaixo da série histórica, que rondava os US$ 70 bilhões. “A história mostra que não estamos com um retrato positivo de Brasil. Além disso, em ano de eleição, as incertezas aumentam e, portanto, temos uma chance maior de depreciação cambial”.

Ela vê riscos no cenário global como o agravamento da relação entre EUA e China e uma possível quarta onda da pandemia de Covid-19. “A principal questão é a manutenção da pressão global sobre os custos. Há um desconforto com questões inflacionárias no mundo inteiro. Também tivemos uma pequena diminuição da expectativa de crescimento global”.

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A economista cita ainda sobre a possibilidade de elevação de juros pelo Fed (Federal Reserve), banco central americano. Embora o Fed não vislumbre uma alta pontual, ela diz que o aumento de juros não está descartado nos próximos meses. “Olhando a situação dos EUA, não achamos que é totalmente impossível aumentar os juros nos próximos meses. Isso criaria uma piora, ou ao menos uma resistência, para a queda da taxa de câmbio de qualquer país emergente”.

Confira dicas da Travelex Confidence para economizar na hora de comprar outra moeda:

1- Compre aos poucos

  • No caso de moedas mais valorizadas como dólar e euro, a principal dica é acompanhar as oscilações de câmbio e comprar o dinheiro aos poucos. Assim, é possível aproveitar quando a cotação estiver mais baixa e planejar os gastos, sem comprometer o orçamento. O câmbio programado é uma das alternativas nesse caso. O comprador pode selecionar um valor - em reais - a ser investido todos os meses e o dinheiro pode ser automaticamente enviado para um cartão pré-pago multimoeda, aceito em todo o mundo

2- Pague hotéis e outros serviços por meio de transferências internacionais

  • Em vez de pagar determinados serviços como hotéis ou instituições de ensino apenas quando chegar ao destino, usando papel moeda ou cartão de crédito, economize e faça transferências internacionais diretamente para a empresa. Dessa forma, você pagará uma cotação mais baixa e evitará alguns encargos, além de facilitar o planejamento financeiro durante a viagem. Mas, atenção, nesses casos é essencial pesquisar bem o serviço contratado para garantir que você não caia em nenhuma armadilha. Busque referências, converse com pessoas que já se hospedaram naquele local ou que conhecem a empresa que você está contratando

3- Diversifique: compre papel moeda, mas tenha também um cartão pré-pago

  • É importante ter sempre o papel moeda para realizar pequenos pagamentos, mas para evitar sair com grandes quantias nos bolsos, vale investir em um cartão pré-pago, que pode ser carregado em até seis moedas, em qualquer lugar do mundo, via aplicativo e diretamente pelo celular. Essa é também uma alternativa aos cartões de crédito, que podem ser uma surpresa negativa no fim da viagem, já que levam em conta a cotação do dólar do dia do fechamento da fatura e não do dia em que a compra foi realizada

4- Invista em um seguro viagem

  • Em mais de 30 países europeus que fazem parte do Tratado de Schengen, o seguro viagem internacional é obrigatório para a entrada de brasileiros, por isso, tenha certeza de que está contratando um seguro de qualidade e que atenda às exigências do local de destino. Hoje, muitas corretoras de câmbio já oferecem seguros que cobrem, ainda, tratamentos contra o novo coronavírus

5- Procure instituições financeiras e corretoras de câmbio reconhecidas pelo Banco Central

  • Transações de câmbio são complexas e precisam ser realizadas por instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central e em conformidade com agências reguladoras do setor. Por isso, fique atento ao escolher onde fará suas transações de câmbio e tenha certeza de que está contratando uma empresa séria e confiável. No caso de transferências internacionais e de transações online, use sempre os canais de atendimento oficiais da instituição

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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