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Negócios

Magalu tem queda de 89,5% no lucro e culpa inflação e juro alto

Magazine Luiza lucra R$ 22,6 milhões entre julho e setembro, vê redução de margem bruta e aumento de despesas em relação à receita

Magazine Luiza reporta uma desaceleração do ritmo de crescimento de seu lucro no terceiro trimestre
11 de Novembro, 2021 | 07:40 pm
Tempo de leitura: 5 minutos

São Paulo — O Magazine Luiza viu seu lucro encolher 89,5% em 12 meses e culpou a alta dos juros e a inflação pelo resultado do terceiro trimestre, divulgado na noite desta quinta-feira (11). A varejista lucrou R$ 22,6 milhões entre julho e setembro. Há um ano, reportava R$ 215,9 milhões. As lojas físicas tiveram queda de 8% nas vendas entre julho e setembro, nessa mesma comparação. Em comunicado, a companhia atribuiu a performance negativa à “piora dos indicadores macroeconômicos ao longo do trimestre, como o aumento da inflação e da taxa de juros, e também pela forte base de comparação (crescimento 18,3% no 3T20)”.

O comércio eletrônico da Magalu cresceu 22,2% no terceiro trimestre em vendas, alcançando a marca de R$ 10 bilhões, mas em um ritmo menor do que o registrado no mesmo período do ano passado (avanço de 148% no terceiro trimestre de 2020). As vendas totais (e-commerce e lojas físicas) registraram alta de 12%, somando R$ 13,8 bilhões. O marketplace da companhia contribuiu com R$ 3,5 bilhões em vendas entre julho e setembro, aumento de 67%. A geração de caixa medida pelo EBITDA ajustado atingiu R$ 351 milhões no terceiro trimestre, com margem de 4,1%.

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A diminuição da margem bruta e o aumento das despesas em relação à receita líquida influenciaram a margem EBITDA ajustada, que passou de 6,8% no 3T20 para 4,1% no 3T21. No mesmo período, o lucro líquido ajustado atingiu R$22,6 milhões. Considerando os ganhos líquidos não recorrentes, o lucro líquido foi de R$ 143,5 milhões”, informou a empresa.

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“Tempestade perfeita”

Na mensagem da diretoria da Magalu, o diagnóstico da empresa sobre o novo contexto macroeconômico usou metáfora do tempo. “Neste terceiro trimestre de 2021, uma tempestade perfeita se armou sobre a economia brasileira. As nuvens se formaram surpreendentemente rápido. A inflação disparou, fazendo com que os juros chegassem ao maior patamar em quatro anos. O atual cenário econômico é turbulento e desafiador para as empresas que atuam no mercado interno e, particularmente, no varejo -- e deve permanecer assim, pelo menos no curtíssimo prazo”.

A diretoria da companhia minimizou a magnitude das variações negativas de seus indicadores lembrando a performance do ano passado, que tornou a ação da Magalu um dos melhores investimentos da Bolsa no primeiro ano da pandemia da Covid-19. “Esse temporal macroeconômico não impediu que nossas vendas totais continuassem a crescer, mesmo sobre uma base de comparação muito elevada, como foi a do período entre julho e setembro de 2020. Mas fez com que nossa rentabilidade, no trimestre, ficasse num patamar abaixo daquele que temos apresentado de forma consistente e recorrente”.

Em setembro, os investidores já começavam a especular sobre uma desaceleração do ritmo de crescimento da varejista. A ação da companhia, que chegou a encostar na marca de R$ 30 em seu melhor momento da pandemia, chegou a cair para a casa de R$ 10.

“Apesar da crescente diversificação de categorias, as vendas nas lojas ainda se concentram principalmente em bens duráveis --produtos de ticket médio mais elevado, dependentes de um crédito que vem encarecendo em alta velocidade. Trata-se de um mercado tipicamente cíclico: quando a economia sofre com crescimento em baixa e juros em alta, as vendas se retraem. Foi o que aconteceu ao longo do trimestre”, avaliou a diretoria da empresa.

Em videoconferência com jornalistas para comentar o resultado trimestral, o CEO da Magalu, Frederico Trajano, disse que o menor volume de vendas nas lojas físicas, o canal mais maduro e rentável do ecossistema da companhia, foi o principal motivo para a redução da rentabilidade.

Recompra

Sobre o programa de recompra de até 40 milhões de ações, anunciado em agosto, quando MGLU3 estava abaixo de R$ 19, o diretor financeiro e de relações com investidores da Magalu, Roberto Bellissimo Rodrigues, disse que a companhia já recomprou todos os papéis, embora o prazo do plano fosse de 18 meses. ”Foi relativamente rápido”. Questionado por Bloomberg Línea se a companhia vai lançar um novo programa de recompra, ele evitou confirmar ou descartar. “Isso eu não posso te falar. A gente tem de avaliar”.

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Já o CEO da Magalu comentou a forte queda da cotação de MGLU3 neste semestre dizendo que o foco do programa de recompra não é segurar o preço de papel. “Isso não é a melhor prática de mercado. Recompra você tem para um ponto específico: arcar com algum tipo de programa de ILP [incentivo de longo prazo], compra de empresas com que você usa ações. Você tem funções específicas, e não é obviamente segurar artificialmente preço de ações contra uma maré. Isso tem questões complicadas regulatórias. Não é indicado. Claro que a gente aproveita o momento de baixa para fazer as compras para fazer frente a seus programas específicos que têm o foco nesse sentido. Você não conseguiria com um programa de recomprar contornar uma situação de mercado que foi criada principalmente por um aumento de taxa de juros, aumento de custo de capital. A Bolsa caiu muito, especialmente as empresas de varejo tinham subido demais no ano passado, principalmente as empresas de e-commerce”, disse o CEO.

Ele disse que nunca ficou comentando demais o preço da ação quando o papel se valorizou 15.000%, maior valorização da história. “Quando assumi a companhia a ação estava R$ 0,10. O valor de mercado da companhia era de R$ 180 milhões. Quem compra uma ação de uma empresa, se quer realmente não especular, tem de olhar o longo prazo. No curto prazo, a ação tem mais relação com os fluxos da economia, do mercado, se o Brasil está bem ou não está bem, do que com o fundamento da companhia. Quem quer comprar ação da companhia com base em fundamento e olha a situação de longo prazo, no longo prazo o Magalu continua sendo a ação de mais destaque do Ibovespa, talvez até da história”.

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Sérgio Ripardo

Sérgio Ripardo

Jornalista brasileiro com mais de 25 anos de experiência, com passagem por sites de alcance nacional como Folha e R7, cobrindo indicadores econômicos, mercado financeiro e companhias abertas.

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