Bloomberg — A Bridgewater Associates, um dos maiores fundos hedge do mundo, prevê que a inteligência artificial (IA) poderia afetar quase um quinto do mercado de trabalho dos Estados Unidos caso não seja regulamentada e caso a sociedade não se prepare para a revolução tecnológica.
“Como estamos tão otimistas quanto às implicações positivas da IA, também reconhecemos que qualquer coisa capaz de mudar o mundo de forma tão positiva também pode ter implicações extremamente negativas”, afirmou o CEO da Bridgewater, Nir Bar Dea, em um novo episódio de The David Rubenstein Show: Peer-to-Peer Conversations.
“Nossa estimativa é de que a IA pode afetar 18% da força de trabalho americana”, acrescentou ele. “Portanto, pensem na magnitude do colapso social que poderia ocorrer.”
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O CEO é o mais recente executivo a alertar sobre os perigos potenciais dessa tecnologia em rápido crescimento, incluindo seu colega, o managing director de investimentos Greg Jensen, um dos primeiros apoiadores da OpenAI e da Anthropic.
Jensen comparou a atitude atual em relação à IA aos primeiros dias da pandemia, quando muitos não percebiam os riscos da covid-19. Enquanto isso, o bilionário Paul Tudor Jones escreveu que a ameaça iminente da IA parece “como esperar por um furacão de categoria 6”.
A Bridgewater, que administra cerca de US$ 100 bilhões, continua comprometida com a integração da IA à empresa, que realiza investimentos macroeconômicos globais. A tecnologia é crucial para esse tipo de investimento, afirmou Bar Dea na entrevista.
“Se você pretende construir e compreender como o mundo funciona, deve combinar seres humanos e tecnologia”, afirmou ele.
Em 2024, a Bridgewater levantou quase US$ 2 bilhões para um fundo impulsionado por IA, no qual a tecnologia gera insights e os seres humanos gerenciam os riscos. Desde então, o fundo de IA tem superado o mercado, ao mesmo tempo em que apresenta ideias diferentes das dos operadores humanos da Bridgewater, segundo Bar Dea.
“É de tirar o fôlego pensar no que o futuro nos reserva”, disse ele, embora tenha acrescentado que modelos de IA prontos para uso não alcançarão os mesmos resultados. “É preciso ter dados exclusivos e treinadores exclusivos” para ter uma vantagem competitiva, acrescentou.
Bar Dea, major aposentado das Forças de Defesa de Israel, vem transformando gradualmente a empresa de 51 anos fundada por Ray Dalio. Outrora o maior fundo de hedge do mundo, a Bridgewater vem reduzindo intencionalmente seus ativos sob a gestão de Bar Dea, que se tornou o único CEO em 2023.
Os dois principais fundos da Bridgewater estão fechados a novos investidores.
“Temos devolvido bilhões de dólares nos últimos dois anos”, acrescentou Bar Dea, “e faremos isso novamente este ano.”
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