Google Cloud vai dobrar infraestrutura no Brasil até 2030 com aumento de demanda por IA

Empresa vai processar dados do Gemini Enterprise localmente a partir de outubro e reforça equipe de engenheiros dedicados a clientes, num momento em que rivais também apostam bilhões em infraestrutura técnica no país

O Google Cloud não abre o valor investido no Brasil. (Foto: Angel Garcia/Bloomberg)
PUBLICIDADE

Bloomberg Línea — O Google Cloud planeja dobrar sua infraestrutura técnica no Brasil até 2030, no momento em que grandes provedores de nuvem expandem suas operações para atender a demanda crescente impulsionada pela inteligência artificial (IA).

O anúncio foi feito por Thomas Kurian, CEO global da companhia, durante evento do Google Cloud no Brasil, realizado nesta quinta-feira (24).

PUBLICIDADE

A empresa não abre o valor investido no Brasil, mantendo uma tradição adotada nos últimos anos. No primeiro ciclo no país, entre 2017 e 2022, a divisão de cloud do Google aportou cerca de R$ 1,6 bilhão em infraestrutura técnica.


⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


O investimento é mais uma etapa numa disputa que já movimentou dezenas de bilhões de reais entre provedores de nuvem no país.

PUBLICIDADE

A AWS, da Amazon, prevê investir US$ 11 bilhões em data centers no Brasil, México e Chile. A Microsoft inaugurou dois data centers em janeiro como parte de um aporte de R$ 14,7 bilhões, enquanto o TikTok constrói um data center em Pecém (CE) com previsão de R$ 200 bilhões.

Leia também: Tivit reserva R$ 1 bi para comprar techs latino-americanas de olho em consolidação

Os novos investimentos acompanham o ritmo de desenvolvimento do mercado local. A América Latina é o mercado de expansão mais acelerado da empresa no mundo, tendo o Brasil como o país impulsionador, conforme revelou Kurian à Bloomberg Línea no começo do ano.

PUBLICIDADE

“Esses investimentos são uma resposta à demanda dos nossos clientes e à evolução do mercado”, acrescentou Milena Leal, country manager do Google Cloud para o Brasil. A companhia tem sentido uma adoção crescente e multissetorial, com um ritmo muito semelhante na adoção de IA.

Os executivos da companhia disseram que o aumento da capacidade técnica pode envolver tanto novos data centers quanto a adoção de tecnologias mais avançadas, que requerem menores espaços físicos.

A expansão de capacidade já é palpável, com máquinas virtuais G4, equipadas com GPUs Nvidia RTX Pro 6000 Blackwell Server Edition, disponíveis na região de nuvem de São Paulo.

PUBLICIDADE

“Isso entrega altíssima performance, uma baixíssima latência para as empresas brasileiras rodarem seus modelos mais pesados localmente. E isso é a prova de que nós já estamos vivendo na nova era da AI que representa mais do que uma tecnologia apenas. Ela é um fator chave para a transformação dos negócios”, afirmou.

Dados vão ficar no Brasil

O segundo pilar do anúncio é a residência local de dados para o Gemini Enterprise. A partir de 15 de outubro, a versão web da plataforma vai suportar processamento local de dados no Brasil para o modelo Gemini 3.5 Flash — complementando o armazenamento que já existe hoje para fluxos de trabalho de agentes.

Na prática, a mudança permite que empresas rodem cargas de trabalho críticas de IA corporativa com alta disponibilidade e recuperação de desastres sem que os dados saiam do país, movimento que ajuda companhias brasileiras a atender exigências regulatórias de soberania de dados — um dos principais entraves citados por clientes na adoção de IA agêntica em escala, segundo um estudo encomendado pelo Google Cloud à IDC e à Provokers.

Leia também: Fintech da Geração Z, NG.Cash capta US$ 15 milhões para avançar em crédito e cripto

A pesquisa aponta que 62% das organizações brasileiras já implementam ou aceleram a adoção de agentes de IA, mas apenas 17% consolidaram essa adoção com a governança necessária para escalar a múltiplos processos críticos.

Hoje, de acordo com o Ministério da Fazenda, 60% do consumo dos dados dos brasileiros são processados fora do país, principalmente nos Estados Unidos, o que demonstra uma grande fragilidade nacional.

Engenheiros dentro do cliente

O terceiro eixo dos anúncios do Google Cloud no país é de gente, não de máquina. O Google Cloud está ampliando no Brasil sua equipe de Forward-Deployed Engineers (FDEs) — profissionais que trabalham integrados às equipes técnicas dos clientes para levar projetos de IA do protótipo à produção.

Kurian já havia adiantado à Bloomberg Línea que essa é a área de maior demanda no país: “Este ano, nós iremos expandir particularmente nesse domínio no Brasil porque há muita demanda por serviços de IA”, disse o executivo em junho. Magazine Luiza e Natura já colaboram com esses especialistas para desenvolver aplicações de negócio.

A aposta em talento vai além do relacionamento com grandes contas. O Google Cloud vai distribuir 10 mil vouchers gratuitos de certificação — incluindo as credenciais Associate Cloud Engineer e Generative AI Leader — para desenvolvedores brasileiros, como parte da meta de capacitar 3 milhões de pessoas em nuvem e IA no país até 2030.