Startup de RH Tako inicia expansão global com IA para recrutamento e mira os EUA

Empresa fundada por veteranos do Rappi e da DogHero estrutura base em São Francisco, cresce até 7x e foca eficiência do custo trabalhista, contam os sócios à Bloomberg Línea

Sebastian Mejia e Fernando Gadotti: Estamos crescendo num ritmo entre 6 e 7 vezes e acelerando

Bloomberg Línea Brasil — O ecossistema de startups da América Latina habituou-se a olhar para o próprio umbigo. Diante de um mercado doméstico de mais de 210 milhões de habitantes, a tese dominante entre os fundadores brasileiros sempre foi a de dominar o fronte interno para, apenas em um segundo momento — e se fizesse sentido —, testar águas internacionais.

Na Tako, nova aposta de Fernando Gadotti (co-fundador da DogHero, vendida para a Petlove) e Sebastian Mejia (co-fundador do Rappi), a ordem dos fatores foi invertida desde o início.

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A startup de tecnologia voltada para recursos humanos e operações de pessoal está acelerando o seu plano de internacionalização a partir de uma estrutura nos Estados Unidos.

A Tako entrou em operação há cerca de 20 meses com um portfólio de produtos construído com agentes de IA em uma jornada B2B que vai do onboarding, passa por gestão da folha de pagamento e segue até a demissão dos funcionários. Na concorrência, enfrenta nomes consolidados e sistemas legados como Sólides, TOTVS, Senior Sistemas, LG e ADP.

Recentemente, o negócio entrou na lista das 100 startups de IA mais promissoras da consultoria americana CB Insights. No Brasil, teve a companhia apenas da Enter, a legaltech que alcançou o status de unicórnio nos últimos meses.

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Com o passar do tempo, a startup tem ampliado a oferta de serviços com a criação de uma segunda vertical, que mira os entraves legais e o risco regulatório relacionados ao universo trabalhista.

Triagem de talentos

O vetor da expansão global, porém, é o seu mais recente produto: uma recrutadora de voz baseada em inteligência artificial generativa, batizada de Nara, em homenagem à cantora Nara Leão, ícone da Bossa Nova.

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“Ela vai pegar o briefing daquela vaga — geralmente o RH dá um briefing para o computador, explicando qual tipo de pessoa busca”, explicou Gadotti, em entrevista à Bloomberg Línea no escritório da companhia em São Paulo.

“Depois, a IA vai criar os critérios de avaliação com todas as rubricas: o que é excelente, o que é bom, o que é mais ou menos e o que é ruim. E, na sequência, coordena toda a agenda do candidato para marcar e realizar a entrevista”.

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Segundo o co-fundador, mesmo com a entrada recente no mercado, a tecnologia tem demonstrado um impacto direto na dinâmica de contratações.

Os dados internos apontam que mais de 30% dos candidatos são entrevistados no mesmo dia da candidatura, e 32% realizam o processo fora do horário comercial (incluindo 15% aos finais de semana), algo inviável no modelo tradicional das corporações.

“Além disso, os recrutadores concordam com as recomendações de aprovação da IA em 95% dos casos”, diz Gadotti. “Essa alta precisão faz com que os clientes passem a automatizar o fluxo, ajustando as rubricas para que o sistema funcione como uma extensão da própria equipe e gere a máxima eficiência operacional”.

Hoje, o sistema da Tako funciona plugado em plataformas de vagas, os ATS (Applicant Tracking Systems), como a Gupy e o Vagas. Com a estratégia de estarem em todos os pontos de contato da relação entre funcionários e empregadores, os sócios não descartam o desenvolvimento de um sistema proprietário de rastreamento no futuro.

Tese cross-border

A ida para o mercado externo, neste primeiro momento, é impulsionada por clientes brasileiros que atuam globalmente e começam a replicar o produto em outros locais. No portfólio de clientes da startup figuram nomes de peso como Inter, Natura, Boticário e ArcelorMittal.

“O produto, por natureza de voz e pela natureza de estarmos construindo uma empresa global, já começa a ir além do Brasil de forma muito natural. Fazer entrevistas em inglês ou espanhol é um passo orgânico”, disse Mejia.

Mejia traz o histórico de execução do Rappi, que expandiu para o México apenas três meses após a fundação. “Para mim, nunca houve outra opção a não ser pensar de um jeito global. Se você quer construir uma grande empresa duradoura, você tem que ser world class globalmente, porque os benchmarks são mundiais", afirma o executivo colombiano, que atualmente reside em Miami e transita mensalmente entre os EUA e o Brasil.

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Para avançar com os seus tentáculos (o nome Tako significa polvo em japonês), a startup estabeleceu uma base fixa em San Francisco, na Califórnia, que hoje conta com três funcionários dedicados. Mais do que um endereço institucional, o local funciona como um hub avançado de engenharia e conexões com a fronteira da inovação em IA generativa.

Ritmo de crescimento

A expansão, segundo os sócios, será feita sem a necessidade imediata de uma nova captação. Desde o lançamento, a startup levantou R$ 175 milhões, divididos entre a rodada seed, em 2024, e a Série A, anunciada em 2025 no valor de R$ 100 milhões, liderada pela Ribbit Capital com a participação de a16z e ONEVC.

O negócio tem apresentado um ritmo de crescimento de receita de 6 a 7 vezes ao ano, de acordo com Mejia. “E essa é uma velocidade que está se acelerando”, afirmou o colombiano.

A escalabilidade tem como carro-chefe a primeira linha de negócios, voltada para a automação da folha de pagamento via agentes autônomos de IA.

“A folha do cliente fecha, geralmente, 30% mais rápido. Isso significa que ele não precisa parar de contratar no dia 18 ou 20 porque não pode mexer mais na folha”, diz Gadotti. “Financeiramente, estamos falando de um ROI [Retorno sobre o Investimento] de, mais ou menos, 150% no primeiro ano para as companhias”.