Bloomberg Línea — Fintechs, entretenimento ao vivo, ensino de idiomas e simulação por inteligência artificial dividiram a atenção do venture capital nesta semana. De um lado, o capital internacional mirando oportunidades no Brasil e, do outro, bancos brasileiros investindo fora da região.
A Fever, gigante global de tecnologia para eventos já presente no país, fechou a maior rodada já registrada por uma empresa de tecnologia do setor de entretenimento ao vivo, US$ 250 milhões liderados pela EQT. A israelense Loora, de ensino de inglês com IA, captou US$ 22 milhões para acelerar a expansão por aqui.
A NG.Cash usa um aporte estratégico para avançar em crédito e criptoativos junto à geração Z. E o Itaú Ventures amplia, com valor não revelado, sua aposta na americana Simile, startup que simula comportamento humano com inteligência artificial.
Veja as principais rodadas da semana:
NG.Cash
A fintech NG.Cash, voltada para a geração Z, fechou um aporte estratégico de US$ 15 milhões liderado pela Blockchain Capital, gestora internacional dedicada a blockchain. A rodada ocorre pouco mais de um ano após a companhia ter captado uma série B de US$ 26,5 milhões (cerca de R$ 150 milhões), liderada pela NEA, e soma ao cap table nomes como a16z e Monashees.
A NG.Cash soma hoje 10 milhões de clientes, ante 8 milhões em abril, quando lançou o Crédito CLT, linha de consignado privado. Do total, 30% já são maiores de idade, mas nem todos têm acesso a crédito, operação expandida de forma gradual, assim como os limites do PixCrédito. A meta é alcançar R$ 1 bilhão em crédito originado até o fim de 2027.
Os recursos vão para crédito e cripto, à medida que o BC regulamenta as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais. A fintech já opera sob grandfather rights para a licença e planeja usar blockchain em produtos como compras internacionais liquidadas em dólar tokenizado e, futuramente, ações tokenizadas.
Para o resto do ano, prevê ampliar a corretora, hoje restrita a bitcoin e ethereum, e lançar stablecoins e conta internacional.
Loora
A Loora, plataforma de ensino de inglês com inteligência artificial, fechou uma série B de US$ 22 milhões liderada pela Union Tech Ventures, com participação da vgames e dos investidores existentes Emerge, Hearst Ventures e QP Ventures. O aporte eleva o total captado pela startup sediada em Tel Aviv, em Israel, a US$ 43,25 milhões.
A startup soma 15 milhões de usuários em mais de 100 países. Nos últimos doze meses, a receita mais que dobrou, assim como a taxa de retenção. A operação B2B, construída no último ano, reúne mais de 100 contratos com empresas, governos e universidades. O produto usa um dataset de mais de 200 milhões de interações para alimentar um tutor de IA que se adapta a cada aluno.
Os recursos vão para pesquisa e engenharia de IA, expansão comercial nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América do Sul, e reforço da infraestrutura de dados.
O Brasil é mercado prioritário da nova fase, dado o tamanho da população e o indicador de que apenas 1% dos brasileiros fala inglês com fluência, segundo o British Council.
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Fever
A Fever, plataforma global de tecnologia para cultura e entretenimento ao vivo, fechou uma rodada de investimento primário de US$ 250 milhões, liderada pela EQT, maior gestora de mercados privados da Europa, com participação da Point72 Private Investments, da Baillie Gifford e de investidores já acionistas.
Cofundada pelos espanhóis Ignacio Bachiller, Francisco Hein e Alexandre Pérez, a plataforma opera no Brasil como operadora de bilheteria de eventos como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo e o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, além de promover projetos proprietários como o “Candlelight” e o “Titanic: Uma Viagem Imersiva”.
O capital vai para expandir a presença além dos 55 países, aprofundar novas categorias de entretenimento e ampliar o investimento em tecnologia para parceiros — promotores, casas de espetáculo e instituições culturais.
Nos últimos três anos, a receita da Fever mais do que triplicou, segundo dados internos, o Ebitda seguiu positivo. A plataforma também ampliou a sua presença na América do Norte e na Ásia.
Simile
O Itaú Unibanco, por meio do Itaú Ventures, participou de uma extensão da série B da Simile, startup americana que desenvolve modelos de IA para simular comportamento humano. A rodada original, de US$ 200 milhões, foi liderada pela Greenoaks e avaliou a empresa em US$ 2 bilhões. O valor aportado não foi divulgado.
O Itaú foi o primeiro cliente da Simile na América Latina, relação comercial que antecedeu o investimento e permitiu ao banco acompanhar a tecnologia desde os estágios iniciais.
A Simile criou um modelo fundacional e agentes generativos capazes de simular como pessoas, organizações e mercados reagem a diferentes cenários, com indicadores de confiança associados a cada resultado, permitindo testar hipóteses antes da implementação.
O Itaú Ventures, braço de CVC do banco criado em 2019, investe em estágios iniciais e de crescimento em áreas como serviços financeiros, infraestrutura, cibersegurança e IA aplicada.









