Rodadas da semana: Fever capta US$ 250 milhões, e Itaú aposta em startup de IA dos EUA

A fintech NG.Cash usa aporte da Blockchain Capital para avançar em crédito e criptoativos, e a israelense Loora captou US$ 22 milhões de olho no Brasil para o ensino de inglês com IA

Tráfico en la Avenida Paulista, en el distrito financiero de São Paulo, Brasil, el miércoles 27 de mayo de 2026. Es probable que la economía brasileña haya repuntado en el primer trimestre tras estancarse en la segunda mitad de 2025.
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Bloomberg Línea — Fintechs, entretenimento ao vivo, ensino de idiomas e simulação por inteligência artificial dividiram a atenção do venture capital nesta semana. De um lado, o capital internacional mirando oportunidades no Brasil e, do outro, bancos brasileiros investindo fora da região.

A Fever, gigante global de tecnologia para eventos já presente no país, fechou a maior rodada já registrada por uma empresa de tecnologia do setor de entretenimento ao vivo, US$ 250 milhões liderados pela EQT. A israelense Loora, de ensino de inglês com IA, captou US$ 22 milhões para acelerar a expansão por aqui.

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A NG.Cash usa um aporte estratégico para avançar em crédito e criptoativos junto à geração Z. E o Itaú Ventures amplia, com valor não revelado, sua aposta na americana Simile, startup que simula comportamento humano com inteligência artificial.

Veja as principais rodadas da semana:

NG.Cash

A fintech NG.Cash, voltada para a geração Z, fechou um aporte estratégico de US$ 15 milhões liderado pela Blockchain Capital, gestora internacional dedicada a blockchain. A rodada ocorre pouco mais de um ano após a companhia ter captado uma série B de US$ 26,5 milhões (cerca de R$ 150 milhões), liderada pela NEA, e soma ao cap table nomes como a16z e Monashees.

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A NG.Cash soma hoje 10 milhões de clientes, ante 8 milhões em abril, quando lançou o Crédito CLT, linha de consignado privado. Do total, 30% já são maiores de idade, mas nem todos têm acesso a crédito, operação expandida de forma gradual, assim como os limites do PixCrédito. A meta é alcançar R$ 1 bilhão em crédito originado até o fim de 2027.

Os recursos vão para crédito e cripto, à medida que o BC regulamenta as Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais. A fintech já opera sob grandfather rights para a licença e planeja usar blockchain em produtos como compras internacionais liquidadas em dólar tokenizado e, futuramente, ações tokenizadas.

Para o resto do ano, prevê ampliar a corretora, hoje restrita a bitcoin e ethereum, e lançar stablecoins e conta internacional.

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Loora

A Loora, plataforma de ensino de inglês com inteligência artificial, fechou uma série B de US$ 22 milhões liderada pela Union Tech Ventures, com participação da vgames e dos investidores existentes Emerge, Hearst Ventures e QP Ventures. O aporte eleva o total captado pela startup sediada em Tel Aviv, em Israel, a US$ 43,25 milhões.

A startup soma 15 milhões de usuários em mais de 100 países. Nos últimos doze meses, a receita mais que dobrou, assim como a taxa de retenção. A operação B2B, construída no último ano, reúne mais de 100 contratos com empresas, governos e universidades. O produto usa um dataset de mais de 200 milhões de interações para alimentar um tutor de IA que se adapta a cada aluno.

Os recursos vão para pesquisa e engenharia de IA, expansão comercial nos Estados Unidos, Europa, Ásia e América do Sul, e reforço da infraestrutura de dados.

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O Brasil é mercado prioritário da nova fase, dado o tamanho da população e o indicador de que apenas 1% dos brasileiros fala inglês com fluência, segundo o British Council.

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Fever

A Fever, plataforma global de tecnologia para cultura e entretenimento ao vivo, fechou uma rodada de investimento primário de US$ 250 milhões, liderada pela EQT, maior gestora de mercados privados da Europa, com participação da Point72 Private Investments, da Baillie Gifford e de investidores já acionistas.

Cofundada pelos espanhóis Ignacio Bachiller, Francisco Hein e Alexandre Pérez, a plataforma opera no Brasil como operadora de bilheteria de eventos como a Bienal Internacional do Livro de São Paulo e o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo, além de promover projetos proprietários como o “Candlelight” e o “Titanic: Uma Viagem Imersiva”.

O capital vai para expandir a presença além dos 55 países, aprofundar novas categorias de entretenimento e ampliar o investimento em tecnologia para parceiros — promotores, casas de espetáculo e instituições culturais.

Nos últimos três anos, a receita da Fever mais do que triplicou, segundo dados internos, o Ebitda seguiu positivo. A plataforma também ampliou a sua presença na América do Norte e na Ásia.

Simile

O Itaú Unibanco, por meio do Itaú Ventures, participou de uma extensão da série B da Simile, startup americana que desenvolve modelos de IA para simular comportamento humano. A rodada original, de US$ 200 milhões, foi liderada pela Greenoaks e avaliou a empresa em US$ 2 bilhões. O valor aportado não foi divulgado.

O Itaú foi o primeiro cliente da Simile na América Latina, relação comercial que antecedeu o investimento e permitiu ao banco acompanhar a tecnologia desde os estágios iniciais.

A Simile criou um modelo fundacional e agentes generativos capazes de simular como pessoas, organizações e mercados reagem a diferentes cenários, com indicadores de confiança associados a cada resultado, permitindo testar hipóteses antes da implementação.

O Itaú Ventures, braço de CVC do banco criado em 2019, investe em estágios iniciais e de crescimento em áreas como serviços financeiros, infraestrutura, cibersegurança e IA aplicada.