Bloomberg Línea — Após um início de ano com menos anúncios de aportes em startups nacionais, o mercado brasileiro encerra o primeiro mês do ano com um movimento maior.
A semana contou com uma série de aportes em negócios diversos, como em infraestrutura de pagamentos, um software que faz uso de IA para prever falhas em equipamentos geradores de energia renovável e uma plataforma de automação de conferência de receitas hospitalares.
Nessa lista de aportes também entraram uma startup que usa biotecnologia para prevenir os sintomas de ressaca e uma fashion tech, que começa a embarcar a sua tecnologia para os Estados Unidos.
Veja as rodadas da semana:
Revena
A Revena captou R$ 40 milhões em segunda rodada liderada pelo Canary, com participação de Flourish Ventures e Caravela Capital. A plataforma usa inteligência artificial para automação do ciclo de receita hospitalar.
Fundada por Mateus Noronha (CEO), cofundador da Eduqo, vendida à Arco em 2021, e Diogo Freitas, ex-Buser, a tecnologia da startup se conecta aos principais sistemas de gestão hospitalar (ERPs) e utiliza agentes de IA para ler dados clínicos, interpretar contratos e gerar contas médicas de forma mais precisa e rápida.
Nas implementações, segundo a startup, foi possível evitar perdas de faturamento entre 6% e 12%, reduzir de 65% a 75% do trabalho operacional financeiro e agilizar em 23% o ciclo de envio da conta médica.
A Revena usa de um modelo comercial no qual o hospital paga pelo serviço apenas quando o produto comprova que evitou perdas e aumentou a eficiência.
O investimento atual será direcionado para elevar o nível da tecnologia, aprimorar o produto e atrair talentos.
Lerian
A Lerian captou R$ 30 milhões em rodada Seed liderada pela MAYA Capital, com participação de Norte Ventures, Supera Capital, Crivo Ventures, Blustone e Kevin Efrusy, partner da Accel.
A startup brasileira desenvolve soluções open-source para infraestrutura financeira.
O ledger da empresa, o Midaz, tem código aberto, permitindo auditoria e customização por parte dos clientes e reduzindo o risco de dependência de fornecedores.
A Lerian foi co-fundada por Fred Amaral, Maísa Amaral e Jefferson Rodrigues, do mesmo time fundador da Dock, e Marilyn Hanh, uma das fundadoras do Bankly.
Além do ledger, a startup tem expandido o portfólio com produtos para a orquestração de processos como onboarding e compliance, avaliação de risco transacional em tempo real, automação de relatórios regulatórios e engenharia de reconciliação de transações.
Os recursos serão destinados principalmente a investimentos em tecnologia, com foco em inteligência artificial aplicada à plataforma, à estruturação das áreas comercial e de atendimento ao cliente.
Delfos
A Delfos, startup que usa inteligência artificial para fazer análise preditiva de equipamentos utilizados no mercado de energia renovável, fechou uma rodada de investimento de € 3 milhões (cerca de R$ 18 milhões) liderada pela Copel Ventures, braço de venture capital da companhia paranaense de energia.
A operação contou com a participação dos investidores já presentes no cap table, o Headline, de Romero Rodrigues, e o Domo.VC, que ampliaram suas posições.
Atualmente com sede em Barcelona, na Espanha, a Delfos nasceu no Brasil em 2017 e hoje atua como uma startup global, com presença em oito países europeus.
A Delfos mantém um ritmo de crescimento médio de 70% ao ano, com projeção de atingir 80% em 2025. Hoje, 80% da receita vem do Brasil, e 20%, da Europa.
Os recursos da rodada serão direcionados principalmente para expansão em novas verticais de tecnologia.
A principal aposta é o segmento de baterias e armazenamento de energia em larga escala, área que deve crescer fortemente na Europa em 2026 e 2027. A Delfos já tem projetos piloto rodando nos Estados Unidos e na França.
Futuriza
A Futuriza, startup brasileira de fashion tech, captou US$ 1,25 milhão (cerca de R$ 7 milhões) em sua rodada Seed.
O aporte foi liderado pela Quartzo Capital, gestora que opera o braço de venture capital do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) e do Bandes, com participação da Antler, no cap table desde 2024, e da JoinVC.
A startup utiliza inteligência artificial generativa para substituir ensaios fotográficos tradicionais, automatizando a criação de fotos e vídeos de coleções.
Segundo a Futuriza, a sua tecnologia pode dobrar a conversão de vendas no e-commerce ao entregar conteúdos em alta volumetria. Apenas em 2025, a startup gerou mais de 30 mil ativos digitais para clientes como Farm, Hering, Brandili e Lez a Lez.
O capital será utilizado para acelerar a expansão internacional, iniciada pelos Estados Unidos em parceria com a marca de moda infantil Monica + Andy, de Chicago.
Novvo
Startup brasileira de biotecnologia voltada para o bem-estar e a prevenção da ressaca, a Novvo Bem Estar concluiu uma rodada de R$ 4,2 milhões.
O aporte foi reforçado por um investimento follow-on de R$ 1 milhão do BR Angels, grupo que havia liderado o aporte inicial de R$ 3,2 milhões em outubro de 2024.
O capital será destinado à escalabilidade e à entrada em novos canais estratégicos, como bares e restaurantes, além de fortalecer a área de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) por meio de um convênio com a USP.
A Novvo, que utiliza uma solução patenteada para neutralizar o acetaldeído (toxina do álcool), opera em modelos B2C e B2B, com presença em mais de 8.500 farmácias de redes como Raia, Drogasil e Panvel, além de plataformas como Zé Delivery e iFood.
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