Fintech RecargaPay ultrapassa 15 milhões de clientes e mira R$ 2 bilhões em receita

A startup de origem argentina se apoia em empréstimo, cartão de crédito e modelo ‘tap to pay’ para chegar aos 20 milhões de clientes e manter trajetória de crescimento superior a 30%

Recargapay
PUBLICIDADE

Bloomberg Línea — A RecargaPay ultrapassou a marca de 15 milhões de clientes e caminha para superar R$ 2 bilhões em receita, depois de fechar o ano passado com R$ 1,66 bilhão em faturamento.

O salto reforça a estratégia da fintech de origem argentina de se afastar do nome que a batizou. O negócio nasceu da oferta de recargas de celular e de bilhetes de transporte público. Hoje posicionada como plataforma de pagamento de contas, cartão de crédito com cashback, empréstimos e produtos via Pix, a fintech compete com Mercado Pago (do Mercado Livre), PicPay e bancos digitais como Inter e Nubank.

PUBLICIDADE

Fundada em 2010 pelos irmãos argentinos Rodrigo e Álvaro Teijeiro, a empresa levou quase 15 anos para chegar aos 10 milhões de usuários, em 2024.

Para dar o salto seguinte, até os 15 milhões, precisou de pouco mais de 18 meses — e a expectativa de executivos da empresa é que o próximo degrau, os 20 milhões, venha em ritmo ainda mais acelerado.

“Chegar aos 20 [milhões] vai ser muito mais rápido do que chegar aos 15”, afirma Miguel Perdigão, General Manager de Produtos Financeiros da RecargaPay. A base de usuários cresce historicamente entre 30% e 35% ao ano.

PUBLICIDADE

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


A startup tem sentido uma aceleração na demanda. Segundo Miguel Perdigão e Gilmar Hansen, vice-presidente sênior de Produto da RecargaPay, o avanço da base nos próximos meses está apoiado em três frentes: empréstimo, cartão de crédito e tap to pay — tecnologia que transforma o celular do usuário em maquininha, sem necessidade de aparelho adicional.

Uma das primeiras fintechs a lançar Pix com cartão de crédito no Brasil, a RecargaPay tem usado a estratégia de pioneirismo no tap to pay. A startup lançou a versão para Android há pouco mais de um ano e, há cerca de dois meses, estreou a versão para iPhone.

PUBLICIDADE

Leia também: Settle usa agentes de IA para destravar mercado de licitações públicas de R$ 1 tri

O resultado, segundo os executivos, já aparece nos números e é impulsionado tanto por uma base de microempreendedores (MEI) quase por pessoas físicas.

Em agosto, o volume total transacionado (TPV) só no tap to pay somou R$ 300 milhões — e o iOS, com apenas dois meses de operação, responde por um terço desse total. Nos dispositivos Android, o crescimento mensal está em torno de 35%. Em 2025, o TPV da RecargaPay ficou em R$ 33 bilhões.

PUBLICIDADE

De acordo com dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), essa modalidade de transações deve movimentar mais de R$ 100 bilhões no Brasil em 2026.

A fintech nunca investiu de forma relevante em maquininhas físicas. Chegou a manter um projeto exploratório, com estoque mínimo, mas decidiu concentrar a aposta inteiramente no pagamento via celular.

“Isso nos dá à RecargaPay uma vantagem sobre concorrentes que têm parques enormes de equipamentos físicos. Muitas vezes eles não podem colocar o pé no acelerador quanto nós podemos”, diz Hansen, sobre o eventual prejuízo contábil, o que os obrigaria a uma transição mais lenta e gradual para o tap to pay.

Hansen, da RecargaPay: Em agosto, o volume total transacionado (TPV) só no tap to pay somou R$ 300 milhões

Crédito como porta de entrada

O crédito segue como principal porta de entrada de novos clientes: 80% dos usuários que chegam à RecargaPay hoje têm o empréstimo como primeiro produto. Do total de clientes que entram e tomam um empréstimo, 32% já adicionam um outro produto na cesta — cartão de crédito ou tap to pay, principalmente — no mesmo mês.

A empresa também aposta no Open Finance como ferramenta para auxiliar na concessão de crédito. No ranking do Banco Central, está entre as 20 que mais recebem dados oriundos de outras instituições.

Leia também: Google investirá € 13 bi em data centers na Finlândia, seu maior aporte na Europa

“O OpenFinance traz um ‘vídeo’ de 12 meses da vida da pessoa em outra instituição. Isso permite ver o que ele fez em outros lugares, sem ter que esperar para analisar os próximos 3 ou 4 meses dele usando RecargaPay”, afirma Hansen. “Também usamos no onboarding, o que remove a flexão, inclusive de ter que digitar todos os dados. Isso gera um valor absurdo de conhecer realmente quem é aquele usuário”.

A startup não revelou a taxa de inadimplência sob a qual opera o negócio.

Os novos produtos

No portfólio de cartões, a aposta mais recente é o Titã, cartão de nível “black” com cashback de 2% em todas as compras e sem anuidade para quem mantém uso recorrente.

Para ter acesso ao cartão, o cliente precisa manter R$ 30 mil investidos em CDB da própria RecargaPay - a versão Platinum exige R$ 3 mil. Também há cartões com limite concedido pela própria fintech, segmentados em Gold, Platinum e Black, conforme a análise de crédito. O crescimento da carteira de cartões está entre 20% e 30%.

Na renda fixa, a RecargaPay remunera o CDB próprio a 107% do CDI com liquidez diária, chegando a 110% para quem trava o dinheiro por 12 meses. A fintech obteve a licença do Banco Central para operar como sociedade de crédito, financiamento e investimento (SCFI) no fim de 2024, o que possibilitou que atuasse como uma financeira.

O selo também permite o lançamento de CDBs próprios, uma forma de captação mais barata que reduz a dependência da emissão de FIDC (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios).

Em meio a números em crescimento, a exceção ficou para o número de profissionais. Dos 600 no começo de 2025, o time da RecargaPay passou para 480, uma diminuição de 20%. Além do esperado impacto da inteligência artificial, os executivos atribuem as demissões a mudanças em atendimento ao cliente, além de uma reorganização de times para eliminar duplicidade de funções.

Leia também: Publicidade deve representar 10% da receita da Netflix em 2030, afirma líder global

“A filosofia da RecargaPay sempre esteve baseada na austeridade, principalmente em ter uma organização muito lean, muito mais horizontal do que várias camadas de gestão”, afirma Hansen. “Nós sempre nos policiamos, mesmo antes da IA”.

E o nome, passará por mudanças? Se no começo da década a primeira transação de mais de 90% dos usuários era uma recarga de celular, hoje o TPV, assim como a receita desse tipo de produto, é inferior a 1%.

“Essa é uma discussão que nós temos. A cada seis meses - ou dia sim, outro também”, diz Beto Petroni, diretor de comunicação. Enquanto a estrutura financeira mantém um ritmo de crescimento a cada trimestre, o nome, por ora, segue igual.