Bloomberg Línea Brasil — Quando Andy Perkins assumiu a liderança global da área de startups de Frontier IA da Amazon Web Services (AWS), em fevereiro deste ano, esperava encontrar variações regionais no ritmo de adoção de inteligência artificial. O que não esperava era encontrar uma inversão de lógica.
Nos Estados Unidos, onde o executivo passou os últimos anos trabalhando com grandes empresas de software, são as corporações que puxam a adoção de IA — muitas vezes sem depender de intermediários.
Na América Latina, o movimento é o oposto: são as startups que chegam primeiro, vencem a resistência das indústrias analógicas e abrem caminho para que as empresas maiores sigam.
“O que vejo na América Latina, e que é realmente fascinante, é a proporção com que essas startups estão na vanguarda da transformação industrial”, disse Perkins em entrevista à Bloomberg Línea no escritório da AWS em São Francisco, na Califórnia. “Elas funcionam como um vetor — ou um meio — de transformar indústrias inteiras”, explicou o executivo durante o AWS Latam Startups, evento com empreendedores da região.
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As startups de frontier AI procuram resolver problemas complexos e mover a fronteira tecnológica a partir de modelos com elevado nível de refino. São um mercado em alta no mundo de IA, especialmente pela alta demanda de poder computacional.
Porta de entrada
A distinção entre os mercados não é apenas geográfica, e sim uma diferença estrutural.
Nos EUA, grandes empresas têm infraestrutura de dados, times técnicos e orçamento para iniciar sua própria jornada em IA. Muitas fazem isso diretamente, contratando serviços de nuvem sem precisar passar por uma startup que traduza a tecnologia para a sua realidade.
Na América Latina, esse caminho não é o mais frequente.
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Setores inteiros operam ainda de forma analógica, sem a base de dados estruturada ou a cultura digital necessária para absorver IA por conta própria. E as startups de frontier AI têm encontrado um espaço para entrar. Não como fornecedoras de tecnologia, mas como agentes de uma primeira transformação que torna a segunda possível.
“Elas entram rapidamente, resolvem alguns dos desafios maiores, constroem confiança na IA e criam um efeito de roda que permite a adoção de mais IA ao longo do tempo”, explicou o executivo.
O executivo citou como exemplo a Forlex, legaltech brasileira que desenvolve um LLM proprietário para processamento de documentos jurídicos em português, um setor historicamente avesso à automação.
Ao digitalizar etapas que escritórios e departamentos jurídicos nunca fariam por conta própria, a startup criou o primeiro ponto de contato entre uma indústria analógica e a inteligência artificial — e abriu espaço para que esse contato se aprofunde.
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A Enter, primeiro unicórnio de IA da América Latina, opera na mesma lógica ao automatizar processos corporativos complexos, especialmente para análise de processos contenciosos entre empresas e os seus clientes.
Efeito multiplicador
A consequência direta desse modelo, segundo o executivo americano, é que o impacto de cada startup vai além do seu próprio negócio.
Quando a Forlex automatiza o processamento de um contrato, não está apenas vendendo software jurídico — está introduzindo um escritório inteiro ao que a IA é capaz de fazer.
O mesmo raciocínio é válido para a AI Cube, a startup por trás de um sistema operacional que automatiza tarefas em qualquer software.
“Ao trabalhar com as startups, você habilita uma transformação mais ampla”, disse Perkins. “Esse é um padrão que vejo repetidamente na nossa base de clientes.”
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De acordo com o executivo, até por acompanhar este novo momento da IA, a AWS tem investido de forma mais agressiva globalmente para apoiar na construção de go-to-market, não apenas em tecnologia, mas em ajudá-las a encontrar o produto certo para o cliente certo e a escalar esse produto dentro das empresas.
“As startups precisam que as empresas adotem suas soluções. Ajudamos a criar esse caminho”, disse.









