Bloomberg Línea — A Petrobras (PETR3, PETR4) informou nesta terça-feira (29) ter fechado um acordo de longo prazo para compra de gás natural liquefeito (GNL) da gigante norte-americana Cheniere Energy (LNG). Com o contrato, a expectativa é que a estatal brasileira tenha mais flexibilidade para atender à demanda de termelétricas.
Segundo comunicado, o contrato prevê a compra, pela Petrobras, de 0,8 milhão de toneladas por ano (mtpa) de GNL por um período de 22 anos.
O anúncio ocorre alguns meses após a brasileira arrematar o fornecimento de energia de oito usinas do seu parque termelétrico no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026).
A companhia informou que a contratação de volumes de longo prazo “reflete a estratégia da Petrobras de reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot de GNL”, além de fortalecer a gestão de riscos do portfólio de gás natural, ampliando a flexibilidade e segurança para atender aos contratos.
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Com o acordo, a Petrobras deve ampliar sua competitividade no segmento, avalia o managing director da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto. Isso porque a companhia passa a ter mais previsibilidade na oferta de gás natural, uma vez que os grandes volumes provenientes do pré-sal (gás associado) oferecem menor flexibilidade para atender variações de demanda, devido a restrições de produção e escoamento.
“O horizonte de 15 a 20 anos à frente exige capacidade de oferecer contratos flexíveis. Com a decisão, a Petrobras parece seguir na direção correta”, afirma Moreira Neto.
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O leilão, ocorrido em março deste ano, contratou capacidade de fornecimento de termelétricas a gás natural, carvão mineral e ampliações de hidrelétricas por 15 anos.
Pelas regras do certame, as usinas podem ser chamadas a gerar energia conforme a necessidade do sistema, em vez de operar sempre no mesmo ritmo, o que impõe um desafio à estatal.
“Ainda que a oferta de gás nacional esteja crescendo, ela não consegue entregar a flexibilidade que as térmicas desse leilão impõem”, destaca Moreira Neto.
Em comunicado, o CEO da Cheniere, Jack Fusco, afirmou que o acordo reforça a posição da companhia como uma das principais fornecedoras globais de GNL, ao mesmo tempo em que oferece maior previsibilidade de fluxo de caixa proveniente de tarifas fixas.
“Esperamos fornecer nosso GNL de forma segura e confiável à Petrobras até a segunda metade deste século, nos termos deste novo contrato de longo prazo.”
A Cheniere é uma das maiores produtoras e exportadoras de GNL dos Estados Unidos, com capacidade de produção em operação de aproximadamente 56 mtpa.
A empresa tem ainda outras 5 milhões de toneladas anuais de produção prevista em desenvolvimento, incluindo oportunidades estimadas de aumento de eficiência operacional.
Moreira Neto afirma que os Estados Unidos são os grandes exportadores de GNL da Bacia do Atlântico, a mesma onde o Brasil está inserido.
“Em termos logísticos, os EUA são os mais competitivos da região. Seria ruim depender do GNL vindo do Oriente Médio ou da Ásia, sem contar o risco de eventuais conflitos. Há uma vantagem comercial clara nessa negociação”, observa.
No mercado spot (à vista), em que os preços são mais voláteis pelo fator da disponibilidade, o especialista afirma que os norte-americanos dominam há muito tempo o fornecimento ao Brasil.
“Não vejo motivação política de forma direta neste acordo, embora anúncios desse tipo, atualmente, possam ter algum impacto no mercado”, diz.
Durante o primeiro mandato de Donald Trump (2017-2021), os Estados Unidos promoveram fortemente o GNL como alternativa ao gás russo na Europa, buscando ampliar sua influência energética e reduzir a dependência europeia de Moscou.
A estratégia incluiu pressão contra a conclusão do gasoduto Nord Stream 2 e incentivos à compra de gás americano pela União Europeia.
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