Bloomberg Línea — Ainda falta um mês para o início da Copa do Mundo de 2026, mas as vendas de camisas e camisas e produtos licenciados da Seleção Brasileira já superam o ritmo do Mundial anterior no Grupo SBF (SBFG3).
Os produtos da equipe do Brasil são uma das principais apostas do grupo varejista dono das redes Centauro e Fisia e distribuidora exclusiva da Nike no país.
Segundo o CFO José Salazar, o grupo planejou um Mundial maior que o de 2022 e o desempenho até agora está em linha com a expectativa interna.
“No primeiro trimestre, se a gente comparar os nossos objetivos de venda com um período comparável em 2022, a gente está indo num ritmo maior”, disse Salazar, em referência à linha de produtos da Seleção, em entrevista à Bloomberg Línea.
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A camisa azul da Seleção, a primeira de uma federação no mundo em parceria com a marca Jordan, teve cerca de 15 dias de venda no primeiro trimestre, e a amarela só foi lançada em 23 de março.
A concentração das vendas para o consumidor final, portanto, deverá vir no segundo trimestre, segundo o CEO, Gustavo Furtado, também em entrevista,
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O Mundial tem início em 11 de junho, no jogo entre México e África do Sul, na Cidade do México, mas já teve reflexos no balanço do Grupo SBF no primeiro trimestre.
A primeira evidência veio no atacado da Fisia, que cresceu 48,7% no primeiro trimestre na comparação anual, refletindo a corrida de lojistas multimarcas para abastecer estoques antes do torneio.
O impulso ajudou a levar a receita líquida consolidada do grupo para R$ 1,8 bilhão entre janeiro e março, alta de 14,9% sobre mesmo período de 2025, com lucro líquido ajustado de R$ 79 milhões, avanço de 6,1% na mesma base.
O ritmo da receita, porém, não se traduziu na mesma proporção em lucro. A margem Ebitda comprimiu 1,2 ponto percentual, para 8,1%, e a margem líquida cedeu 0,4 ponto percentual, para 4,4%.
A explicação também está no Mundial, só que pelo lado do custo: royalties mais pesados sobre o volume de mercadorias da Nike recebido desde o segundo semestre de 2025, ampliação do portfólio de clubes patrocinados pela Fisia e uma distribuição mais linear das despesas de patrocínio ao longo do ano. Em outras palavras, o grupo paga agora pelo que pretende vender depois.
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Em entrevista, o CEO Gustavo Furtado disse que o grupo iniciou um novo ciclo de crescimento a partir do segundo trimestre de 2025, com investimentos em time comercial, contratações em loja, criação de uma área de engenharia para reformar 103 unidades antigas e formação de estoque para sustentar o calendário esportivo.
“O final do ano passado foi um ano também de formação de estoque para a gente conseguir sustentar o crescimento da Centauro e da Fisia nesse primeiro trimestre, que, de fato, se materializou”, afirmou.
A pressão sobre a margem, segundo o CEO, tem três origens distintas. O câmbio é a primeira: o grupo faz hedge das compras nove meses antes, e o dólar travado para o primeiro trimestre saiu mais caro que o do mesmo período de 2025.
Um incentivo fiscal conquistado no ano passado amorteceu parte do golpe, mas não compensou integralmente.
Ações do Grupo SBF (SBFG3)
A segunda origem é a base de despesas com vendas, inflada pelos próprios investimentos que sustentam o crescimento atual: o reforço do time comercial, as contratações em loja e as campanhas dos novos patrocínios entraram no orçamento a partir do segundo trimestre de 2025 e, portanto, não estavam na base comparativa de um ano atrás.
Por fim, os royalties. “Um royalty diz respeito à chegada de mercadorias no segundo semestre do ano passado para sustentar essa aceleração do crescimento. Então, esses royalties acabaram caindo no primeiro trimestre desse ano”, explicou o executivo, citando também royalties dos novos contratos com Corinthians, Vasco e Atlético Mineiro.
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