Bloomberg Línea — A Gera Capital, gestora que tem o bilionário brasileiro Jorge Paulo Lemann entre os sócios, se desfez oficialmente de uma de suas apostas em educação básica.
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão federal que avalia fusões e aquisições no Brasil, publicou no Diário Oficial da União desta quarta-feira (20) a aprovação, sem restrições, da compra da Edify Education pela Arco Educação, do empresário cearense Ari de Sá Cavalcante Neto.
A operação junta as duas maiores plataformas de ensino bilíngue para colégios particulares no país, em um movimento que mostra as duas velocidades do mercado brasileiro de idiomas.
De um lado, estão as franquias tradicionais para adultos, sob pressão da concorrência digital e de aplicativos com inteligência artificial. Do outro, o inglês integrado ao currículo dos colégios particulares, segmento puxado pela demanda das famílias da classe média alta.
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O negócio sai por R$ 105,6 milhões, a serem pagos em duas parcelas: R$ 53,1 milhões no fechamento e o restante dois anos depois, ambas corrigidas pelo CDI desde a assinatura do contrato, em 13 de novembro de 2025.
A Arco não forneceu imediatamente informações adicionais sobre o processo de integração do ativo após a aprovação do negócio pelo Cade. A Gera Capital não respondeu imediatamente ao pedido de comentário sobre a decisão do Cade.
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Fundada em 2017 como Spot Educação e rebatizada em 2021, a Edify atende 150 mil alunos em 600 colégios e era a número 2 do mercado de plataformas para programas bilíngues.
A Arco, líder do segmento por meio da Ways Bilingual School, soma agora 500 mil estudantes nesse tipo de solução, e mantém os sócios-fundadores Bernardo Paiva e Marina Dalbem na gestão da edtech.
No balanço enviado à CVM em dezembro e auditado pela EY, a CBE (Companhia Brasileira de Educação e Sistemas de Ensino), controladora operacional da Arco, descreveu a Edify como detentora de “soluções educacionais completas para o ensino da língua inglesa no segmento de ensino fundamental e médio”, combinando “materiais didáticos impressos e digitais, trilhas pedagógicas estruturadas, plataformas educacionais e suporte contínuo às escolas parceiras”.
“Esta transação amplia a presença da Arco no mercado suplementar, adicionando soluções de alta qualidade com preços complementares ao seu portfólio. A Arco acredita no grande potencial do inglês como segunda língua e nas tendências favoráveis do mercado para as habilidades do século XXI”, informou a empresa no documento.
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A integração da Edify ocorre em meio a um momento de pressão financeira para a Arco, controlada pela família Sá Cavalcante e que tem os fundos americanos General Atlantic e Dragoneer como minoritários desde o fechamento de capital na Nasdaq em 2024.
A CBE reportou prejuízo líquido de R$ 199,1 milhões nos nove meses até setembro, contra perda de R$ 12,7 milhões nos doze meses de 2024, com prejuízos acumulados subindo de R$ 156,2 milhões para R$ 355,3 milhões.
A administração atribui o resultado a uma sobreposição de fatores, entre eles o pagamento de R$ 448,8 milhões pela parcela final da aquisição da International School e a mudança do exercício social, agora alinhado ao calendário letivo.
Para a Gera Capital, o movimento desfaz a tese de plataforma bilíngue que vinha construindo desde 2021. A operação redireciona o foco do fundo para o negócio de colégios próprios, em que opera por meio da Salta, ex-Eleva Educação.
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