Bloomberg — A chinesa Geely concordou em adquirir parte de uma fábrica da Ford Motor na Espanha, segundo fontes a par do assunto que falaram com a Bloomberg News, somando-se a uma série de investimentos chineses que estão remodelando o setor automotivo do país.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, deve anunciar o acordo na fábrica próxima a Valência nesta quinta-feira, afirmaram as fontes, que pediram para não terem seus nomes divulgados antes do anúncio.
A montadora chinesa fabricará veículos em uma linha de montagem ociosa nas instalações, onde a Ford também produz o crossover Kuga, segundo as fontes.
A colaboração, em andamento há meses, destaca a determinação de Sánchez em aumentar o papel da Espanha na indústria automotiva europeia à medida que o setor passa por uma reestruturação.
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O primeiro-ministro vem cortejando montadoras chinesas, oferecendo uma base de fabricação local para contornar as tarifas da União Europeia sobre as importações de veículos elétricos, ao mesmo tempo em que disponibiliza uma ampla rede de fornecedores, mão de obra qualificada e baixos custos de energia.
Essa iniciativa está ganhando urgência à medida que os fabricantes chineses conquistam uma fatia maior do mercado automotivo europeu, reforçando a necessidade de produzir veículos mais próximos dos compradores locais. A MG, de propriedade da SAIC Motor, e a BYD juntas representaram 5,4% dos registros no mês passado, em comparação com 3,4% no ano anterior.
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Um porta-voz do governo confirmou que Sanchez planeja fazer uma declaração na fábrica de Almussafes nesta quinta-feira, recusando-se a fazer mais comentários. A Geely se recusou a comentar. Representantes da Ford não responderam aos pedidos de comentário.
O veículo de notícias local Las Provincias informou anteriormente que Sanchez planeja visitar a fábrica na quinta-feira para formalizar o acordo. As negociações estão em andamento desde o início deste ano.
Marcas chinesas
A chinesa Chery Automobile e a marca espanhola Ebro reativaram uma antiga fábrica da Nissan em Barcelona, que agora emprega mais de 1.500 pessoas. A BAIC Motor deve produzir veículos off-road com a marca Santana, que foi ressuscitada, na região da Andaluzia.
O plano mais ambicioso é a parceria entre a Stellantis NV e a CATL para uma fábrica de baterias de € 4,1 bilhões (US$ 4,7 bilhões) em Saragoça, que deve iniciar suas operações em 2028.
Sánchez e sua equipe afirmam que os investimentos chineses podem ajudar a preservar empregos na indústria de manufatura, ao mesmo tempo em que aceleram a transição para veículos elétricos.
O governo afirmou que os investimentos chineses criarão milhares de empregos, embora reconheça que alguns projetos, inicialmente, contarão com mão de obra e tecnologia chinesas.
A Ford mantém uma relação de longa data com a Geely, tendo vendido a Volvo Cars para a empresa chinesa há 16 anos.
Fábrica subutilizada
A entrada da Geely poderia ajudar a aumentar a taxa de utilização em Valência e preservar ou recuperar empregos. A fábrica de Almussafes — que já foi a maior da Ford fora dos EUA — tem operado a menos de um quarto de sua capacidade anual de 450.000 veículos.
A Geely Automobile Holdings vem se expandindo pela Europa com modelos como o SUV elétrico EX5.
Produzir carros na região também ajudaria a empresa a reduzir os custos de transporte, ao mesmo tempo em que sinalizaria aos revendedores e clientes que ela planeja permanecer no mercado e fornecer peças e assistência técnica a longo prazo.
Parcerias entre fábricas são comuns na indústria automotiva, permitindo que os fabricantes distribuam custos fixos e compartilhem mão de obra qualificada e redes de fornecedores já estabelecidas.
A Stellantis produz vans da marca Toyota Motor em fábricas na França, Espanha e Itália, por exemplo, enquanto a Ford fabrica a picape Amarok da Volkswagen ao lado da Ranger na África do Sul e sua Transit Custom ao lado da VW Transporter na Turquia.
--Com a colaboração de Keith Naughton.
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