Bloomberg — Depois de anos tentando convencer incorporadores e investidores de que é uma alternativa viável a Miami e Palm Beach, o discurso de Fort Lauderdale começa a ganhar tração.
A cidade do sul da Flórida atraiu uma enxurrada de projetos de condomínios de luxo e um dos maiores novos inquilinos corporativos da região. Boa parte das obras é planejada e financiada por incorporadores nova-iorquinos de bolso fundo, que apostam que finalmente chegou a hora de Fort Lauderdale.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
“Para algumas pessoas, Miami ficou agitada demais, movimentada demais, barulhenta demais”, disse Miki Naftali, cuja empresa desenvolve mais de 250 unidades de condomínio e um prédio de aluguel no Flagler Village, antes um bairro industrial. “Então Fort Lauderdale é uma cidade fantástica para quem quer apenas um degrau abaixo”.
Em cinco a dez anos, acrescentou, “você verá muita valorização de preços, porque estamos só no começo da história”.
Leia também: De forma discreta, bilionário do Google aluga escritório em Miami para seu family office
A cerca de uma hora de carro tanto de Miami quanto de Palm Beach, Fort Lauderdale combina um custo de vida relativamente menor com um transporte rápido em melhoria, o que começa a revigorar o centro da cidade.
O trem Brightline até o centro de Miami leva cerca de 40 minutos e pode custar apenas US$ 9 com um pacote de várias viagens, menos que os pedágios mais altos do horário de pico. As companhias aéreas também ampliaram o serviço no aeroporto local, preenchendo o vazio deixado pelo fim das operações da Spirit Airlines.

Entre os moradores mais recentes vindos de outros estados, a região metropolitana de Nova York continua sendo, de longe, a maior fonte, mas a Califórnia ganha espaço: 22% dos que se mudam de outros estados vêm de Los Angeles ou San Diego, segundo o grupo de desenvolvimento do centro da cidade. E a maioria é jovem: a população de adultos com menos de 45 anos que vivem no centro de Fort Lauderdale cresceu 25% desde 2020.
Parte dos novos moradores pode ser atraída pelos impostos mais baixos da Flórida, mas os custos em disparada em Miami podem tornar a vizinha ao norte mais atraente. Os imóveis em Fort Lauderdale sempre foram mais baratos, mas o desconto está diminuindo. O preço médio de venda em Fort Lauderdale é cerca de US$ 70 mil menor que o de Miami, ante uma diferença de aproximadamente US$ 120 mil um ano atrás, segundo dados da Redfin.
Para os cofundadores da Dependable Equities, Isaac Schlesinger e Simon Dushinsky, a cidade lembra bastante o Brooklyn, bairro onde nasceram e onde desenvolveram condomínios de luxo em Williamsburg, Greenpoint e Bushwick.
Leia também: Miami supera Nova York em vendas de imóveis de ultraluxo e se aproxima de recorde
A dupla desenvolve três projetos em Fort Lauderdale. O primeiro, o Ombelle, tem duas torres e 754 unidades, com conclusão estimada para cerca de 2028. Uma das torres já está 45% pré-vendida, segundo Schlesinger. Em aceno ao público-alvo, o Ombelle abrigará a primeira academia Equinox da cidade.
Os empreendimentos residenciais acompanham um setor corporativo em crescimento, que inclui as varejistas AutoNation e Chewy e a empresa aeroespacial VSE. O volume de vendas comerciais do condado de Broward foi o que mais subiu este ano em comparação com os vizinhos, chegando a US$ 3,4 bilhões, segundo a CBRE.

A GXO Logistics, empresa de gestão de cadeia de suprimentos sediada em Greenwich, Connecticut, vai ocupar cerca de 3.250 metros quadrados de escritórios no empreendimento FAT Village, de US$ 500 milhões, no centro de Fort Lauderdale.
O contrato está entre os maiores assinados por inquilinos corporativos novos no sul da Flórida desde 2023, atrás apenas dos acordos da ServiceNow em Palm Beach e da FIFA em Miami, segundo Tere Blanca, fundadora e presidente-executiva da Blanca Commercial Real Estate.
Empresas de Nova York estão por trás de cerca de 427 mil metros quadrados de empreendimentos no centro, aproximadamente 45% do total. Entre 2021 e 2024, os incorporadores nova-iorquinos responderam por cerca de 13% dos projetos concluídos, segundo Blanca.
“Se você olhar o tipo de produto que os incorporadores de Nova York estão trazendo e propondo, é exagerado em comparação com o que estávamos acostumados a ver”, disse Still Hunter, diretor-gerente do escritório de Fort Lauderdale da Walker and Dunlop.
“Talvez eles não tenham o viés de recência de saber como era Fort Lauderdale, em vez de como ela é hoje.” Para olhos novos, a mudança demográfica e a valorização da área “tornam possível um tipo diferente de produto”, acrescentou.
Os construtores de Nova York também estão levando o financiamento de Nova York. A Athene Annuity and Life Company, da Apollo Global Management, apoia os incorporadores do Brooklyn responsáveis pelo Andare Residences, de 46 andares, que em breve será a torre mais alta de Fort Lauderdale.
“Olho os números de Fort Lauderdale e penso: ‘Uau, um mundo totalmente novo está sendo criado’”, disse Ana Bozovic, da Analytics Miami. “Isso está seguindo o dinheiro de Nova York”.

Em contraste, em Orlando e em outras partes de crescimento acelerado do estado, os incorporadores recorreram a bancos regionais e a seguradoras para financiar até os maiores projetos.
Nem todos estão convencidos. Fort Lauderdale é chamada de “promissora” há três décadas, e alguns alertam que a onda de luxo destoa do apelo histórico da cidade para famílias de classe média.
“Quando você apresenta Fort Lauderdale pelo país, faz sentido, mas aí a realidade bate quando você está no local”, disse Peter Zalewski, corretor de imóveis do sul da Flórida. “É um subúrbio com arranha-céus. O perfil demográfico sempre foi de classe trabalhadora.”
Zalewski citou Panama City como exemplo de cautela, um mercado da Flórida que atraiu capital de fora sem ter demanda para sustentá-lo. Os incorporadores gastaram demais”, disse ele. “Não temos salários como os do Vale do Silício.”
Os incorporadores de Nova York seguem impassíveis, incentivados pelo crescimento do investimento público. Fort Lauderdale se associou em uma reforma de US$ 130 milhões da Las Olas Marina, que abriu mais espaço para superiates maiores, restaurantes, novo varejo e um calçadão à beira-mar. A cidade também planeja alargar calçadas, ampliar o paisagismo e melhorar as conexões para pedestres e ciclistas ao longo do trecho que liga o centro à praia.
“Espero continuar envolvido no amadurecimento da cidade até o ponto em que a dúvida seja respondida por si só”, disse Schlesinger.
Veja mais em Bloomberg.com
Leia também
Boom de superiates em Miami eleva custos náuticos e deixa cemitério de barcos abandonados
© 2026 Bloomberg L.P.








