Bloomberg — O Banco de Brasília enfrenta um impasse junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) enquanto busca recuperar o próprio balanço depois da crise causada pelas operações que fez com o Banco Master.
O BRB, como o banco regional é conhecido, espera que seu controlador, o governo de Brasília, assegure um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao FGC para que possa, então, publicar os balanços mais recentes.
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Porém, o fundo, que garante os depósitos bancários no país, não quer liberar os recursos até que possa analisar os resultados do BRB relativos ao segundo semestre de 2025 e ao primeiro semestre de 2026, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram com a Bloomberg News e pediram para não ser identificadas discutindo informações privadas.
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O governo de Brasília tem buscado o empréstimo para recompor o capital do BRB, enfraquecido por transações que a antiga administração do banco fechou com o Banco Master.
O BRB estima ter recebido R$ 21,9 bilhões em ativos do Master, liquidado em novembro do ano passado em meio a alegações de fraude. Autoridades disseram que os cerca de R$ 13 bilhões em empréstimos que o BRB comprou foram fabricados.
As negociações para o empréstimo com o FGC estagnaram porque os bancos privados temem que as garantias propostas sejam consideradas inconstitucionais.
A estrutura proposta utiliza fundos com recursos enviados pelo governo federal, mas os bancos levantaram questionamentos quanto à legalidade de uma eventual execução deste tipo de recurso em caso de calote, como mostrou a Bloomberg News.
O BRB não respondeu a um pedido de comentário. O FGC disse não comentar sobre bancos associados.
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O banco apresentou às demais instituições e ao FGC um plano de negócios para o período entre 2026 e 2030, e cinco dos sete bancos envolvidos aceitaram o plano, disse o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, em uma nova audiência de conciliação sobre a operação realizada no Supremo Tribunal Federal na semana passada.
“Está bem fácil nós conseguirmos chegar a um entendimento”, disse ele. “Com o empréstimo, o banco fica de pé.”
O ministro da Fazenda Dario Durigan disse que um empréstimo do FGC pode ser a melhor solução para o BRB, argumentando que uma quebra do banco custaria ao fundo um valor ainda maior.
“A informação que chega dessas conversas todas é que o impacto que o FGC pode ter em caso de liquidação ou extinção do BRB seria maior do que uma operação de crédito de R$ 6 bilhões,” disse Durigan em entrevista à Bloomberg News.
O BRB disse ter um plano de negócios viável para os próximos anos, de acordo com Durigan, que disse não ter visto o plano.
“Se, de fato, há um plano de negócios e uma operação de R$ 6 bilhões pode viabilizar a sobrevivência do BRB, inclusive no que me preocupa com serviços públicos importantes, por que não fazer?”, ele disse.
Um dos últimos bancos estaduais ainda em operação no Brasil, o BRB tem uma presença forte na economia da capital do país. A base de depósitos do banco chegava a R$ 67,3 bilhões em junho de 2025, data do último balanço divulgado, com mais da metade em linhas que têm algum tipo de garantia pelo FGC.
O fundo, porém, tem lidado com a quebra do Banco Master. O FGC teve de pagar R$ 52 bilhões a credores com a liquidação do banco e de outras instituições relacionadas, mas os bancos criaram um plano para recompor o fundo.
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