Bloomberg Línea — De olho na tendência de eletrificação da frota de grandes empresas, a EVMOB, apoiada pelo Patria, tem uma meta ambiciosa para os próximos anos: atingir entre 10 mil e 15 mil veículos elétricos no Brasil até 2031.
Atualmente, com cerca de 2 mil ativos em operação, a empresa já atua no Brasil e no Chile e estuda expandir os negócios para Argentina, Colômbia, Peru, e, eventualmente, México.
O modelo de negócio é baseado em alocação de capital próprio em contratos de aluguel com tarifa fixa, com foco em grandes empresas, principalmente aquelas com compromissos de descarbonização.
“Enxergamos fundamentos claros de que esse mercado se tornará muito relevante. Criamos uma companhia focada nisso, que tem como principal visão desenvolver projetos de veículos comerciais elétricos para grandes empresas”, disse o CEO da EVMOB, Lucas Zanon, em entrevista à Bloomberg Línea.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
O executivo reforça que a adoção da eletrificação da frota vai se acelerar naturalmente a partir do momento em que as empresas entenderem como ganhar dinheiro com a transição energética. “A escala [da eletrificação] precisa não só da decisão pela transição, mas também do aspecto econômico associado.”
Segundo ele, o mercado brasileiro oferece um grande potencial para esse tipo de solução. No segmento de caminhões leves e VUCs (veículos urbanos de carga), que puxam a eletrificação, os emplacamentos são de aproximadamente 90 mil unidades por ano no país.
Os elétricos respondem por apenas 1,5% a 2% do total desse nicho, diz, contra 10% na Europa e 50% na China.
Zanon afirma que o diferencial da EVMOB está na entrega de uma solução completa de eletrificação, desde o fornecimento do veículo completo (com implemento customizado) até o desenho da infraestrutura de recarga adequada, bem como a instalação de carregadores nas bases do cliente – e tudo a um preço fixo.
Leia também: Na Simpar, o foco é consolidar negócios atuais. Aquisições não são prioridade, diz CEO
“Esse modelo tem funcionado, 80% dos clientes que começaram com pilotos de 10 a 20 veículos já estão em discussões de segundo ou terceiro estágio de escala, buscando expandir suas frotas elétricas após validar a viabilidade econômica”, disse.
Segundo o executivo, a economia para os clientes é o principal atrativo do modelo de negócio. Em operações de distribuição urbana com 4 mil quilômetros mensais, a redução de custo total fica entre 20% e 25%. Quanto maior o uso do ativo, maior a economia proposta.
De acordo com a EVMOB, operações com 20 mil quilômetros mensais potencializam ainda mais o ganho; por outro lado, se a frota da empresa roda pouco, a solução elétrica passa a ter pouco ganho econômico.
Fornecedores
A empresa de locação trabalha com uma seleção de grandes montadoras, diz Zanon. Além de marcas tradicionais como Volvo e Renault, a EVMOB estabeleceu parcerias estratégicas com fabricantes chinesas, incluindo a Foton (considerada a maior produtora de veículos comerciais do mundo) e a BYD.
“Essa diversidade permite escolher o melhor produto para cada operação, sem amarração a uma marca específica. O portfólio abrange desde pequenos VUCs até carretas de 120 toneladas, cobrindo todos os tamanhos e capacidades disponíveis no mercado”, esclarece.

A distribuição urbana, demandada por grandes varejistas, e-commerce e indústrias que precisam estar em zonas próximas a São Paulo, é o principal motor da eletrificação. Operações de ciclo de rota estabelecido, como o transporte de contêineres do Porto de Santos até a Grande São Paulo, também funcionam bem com elétricos, explica o executivo.
Em paralelo, há a demanda proveniente do segmento de logística “off-road” (que não acontece em vias públicas, como no setor sucroalcooleiro, por exemplo, onde caminhões operam dentro de plantas de produção com circuitos definidos e autonomia controlada).
Desafios de mercado
Apesar do potencial de mercado, a EVMOB enfrenta dois importantes desafios na prospecção de grandes clientes. O primeiro é econômico.
“Como fazer isso sem custar mais caro? A resposta exige expertise para dimensionar corretamente a infraestrutura de recarga, pois esse custo é diluído no projeto total”, diz.
Leia também: Como os carros clássicos viraram tese de investimento desta gestora com R$ 2,2 bi
O segundo é operacional. A quantidade insuficiente de eletropostos no país exige planejamento cuidadoso de rotas e instalação de carregadores dedicados. Neste contexto, a EVMOB propõe atuar justamente nesse ponto, oferecendo consultoria completa antes da assinatura do contrato, assumindo a responsabilidade pela frota.
Zanon pondera que o modelo também oferece benefícios intangíveis. Um deles é especialmente importante em cidades como São Paulo, que têm restrições de barulho, o que limita as entregas urbanas.
“Temos varejistas que voltaram a fazer abastecimento de lojas em zonas residenciais após às 21h. Para os motoristas, a mudança é ainda mais significativa, porque eles passam todo o expediente em um veículo silencioso, sem vibração e com tecnologia embarcada, reduzindo o estresse e a fadiga”, disse.
Com isso, afirma o executivo, o engajamento acaba aumentando. Qualquer motorista devidamente habilitado está apto a dirigir um elétrico, mas a EVMOB oferece treinamento na implantação para apresentar as características do veículo.
“O cliente ganha de várias formas”, disse.
Leia também:
‘Os carros elétricos são um caminho sem volta’, diz CEO da Porsche no Brasil
Eve, da Embraer, aposta em solidez do eVTOL mesmo com desaceleração da demanda









