Embraer espera ter capacidade de produzir até 120 aviões comerciais por ano até 2030

Após registrar resultado recorde, a fabricante não vê limitação em suas linhas para continuar crescendo no futuro, disse o CEO Francisco Gomes Neto

An Embraer E190-E2 on display at the Singapore Airshow at the Changi Exhibition Centre in Singapore
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Bloomberg Línea — Após registrar resultado recorde para um segundo trimestre, a Embraer (EMBJ3) não vê limitação de capacidade de produção para crescimento da companhia no futuro.

De abril a junho, a fabricante reportou R$ 1,11 bilhão de lucro líquido ajustado, alta de 24,7% sobre igual intervalo do ano passado. No período, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado alcançou R$ 1,81 bilhão, alta de 30% na mesma base de comparação.

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Neste contexto, executivos reforçaram que a forte demanda e a capacidade de produção da companhia não devem ser impedimentos para a expansão no futuro.

“Esperamos chegar em 2030 com uma capacidade de produção de 110 a 120 aviões comerciais por ano, mais de 200 [jatos] executivos e mais de 10 KCs [390] no Brasil”, disse o CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, em teleconferência de resultados nesta segunda-feira (10).


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O executivo afirmou que, em 2021, a empresa levava 18 meses para produzir um Praetor (jato executivo) e, atualmente, esse tempo caiu para cerca de oito meses e meio. “Temos feito isso com todos os aviões, com isso conseguimos produzir mais com a mesma estrutura. Em paralelo, estamos investindo em aumento de capacidade de produção.”

Ele acrescentou que a companhia tem ainda a oportunidade de criar novas linhas de produção para o KC-390, da linha de defesa, citando como exemplo o mercado da Índia. “Não será a capacidade de produção que vai limitar o nosso crescimento futuro.”

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Na avaliação de Gomes, a Embraer enxerga na América Latina o modelo E2, do segmento comercial, como o “encaixe perfeito” para a aplicação em voos regionais.

Ele citou como exemplo de êxito do produto a adoção por parte da Azul (AZUL3). Sobre a Abra Group, holding que controla aéreas como Gol e Avianca, o executivo observou que a tendência é a mesma. “A ideia é melhorar a conexão entre cidades menores”, pontuou.

Gomes apontou ainda o México como uma oportunidade relevante para a aviação comercial, principalmente após a Mexicana de Aviación adotar o E2 em sua frota.

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“Esperamos que outras aéreas vejam o E2 como uma oportunidade de complementar a operação de uma forma muito mais eficiente”, disse.

Ele afastou riscos sobre a recente crise na cadeia de suprimentos do setor, mas destacou que ainda existem alguns problemas pontuais na aviação executiva, embora haja progressos visíveis na produção. “Esperemos que em 2027 tenhamos mais eficiência e produtividade em nossas linhas.”

Os executivos disseram que o cenário segue positivo em termos de margens, bem como na carteira de pedidos (backlog). No segundo trimestre, a companhia atingiu US$ 34,5 bilhões de carteira de pedidos, o maior nível da história.

No segmento de Defesa, o backlog avançou 42% sobre um ano antes. Na comercial, o aumento foi de 15% na mesma base de comparação e, na executiva, 5%. No consolidado, o crescimento foi de 16% ante o segundo trimestre de 2025.

De abril a junho, a receita consolidada da Embraer atingiu R$ 11,3 bilhões, alta de 10% sobre o mesmo período do ano passado.

Eve e certificação

Gomes disse que mantém a expectativa de que os eVTOLs da Eve, controlada pela Embraer, entrem em operação até o final de 2028. Segundo o executivo, atualmente a startup tem cerca de 3 mil cartas de intenção de compra e alguns pedidos firmes.

A projeção é que o início das operações ocorra no Brasil, pela proximidade de engenharia, e nos Estados Unidos, pelas oportunidades de mercado em diversas cidades. A produção terá início em Taubaté, no interior de São Paulo.

“[O eVTOL] terá uma capacidade máxima de cerca de 480 unidades por ano, com uma remontagem dessas aeronaves perto dos mercados onde elas devem operar no futuro”, disse Gomes.

A partir disso, a companhia deve ajustar seu planejamento de acordo com a resposta do mercado. “Posteriormente, vamos decidir sobre outras fábricas do eVTOL, ainda não temos essa definição. É assim que queremos suportar a entrada em operação dos eVTOLs a partir de 2028″, destacou.

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