Bloomberg Línea — O mercado de luxo em São Paulo entra em um ciclo de aberturas que começa neste mês com a inauguração da maior loja da Dior na América Latina, no Shopping Cidade Jardim.
A grife francesa do grupo LVMH vai ocupar cerca de 1.000 metros quadrados em um corredor que reúne também outras marcas de luxo, entre Louis Vuitton, Giorgio Armani, Prada, Tiffany e Bvlgari. O novo espaço reunirá todas as linhas da Dior, incluindo joalheria, moda masculina e a linha de casa Maison, ausentes na loja de hoje.
A unidade atual da Dior no shopping fecha no dia 22, e a nova loja receberá convidados em uma abertura restrita no dia 23, disse uma pessoa com conhecimento do assunto que pediu anonimato à Bloomberg Línea por tratar de informações não públicas.
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Os vizinhos da Dior no Cidade Jardim reforçam a exclusividade que diferencia o endereço. Ainda com obras em andamento, a grife Alaïa deve abrir em setembro a primeira boutique da América do Sul, com cerca de 200 metros quadrados, e a primeira Loro Piana do país deve chegar em novembro, em um espaço de 300 metros quadrados. Ambas as grifes já exibem suas marcas em tapumes no local.
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A JHSF (JHSF3), que controla o Shopping Cidade Jardim, concentra a temporada de aberturas e acirra a disputa com o Iguatemi (IGTI11) pelo endereço das grifes globais.

O movimento acontece com o shopping cheio. O Cidade Jardim manteve 100% de ocupação no primeiro trimestre, ante 99% da carteira de shoppings da companhia, o que reduz o crescimento a duas alavancas: trocar lojas menores por operações maiores e ampliar a área locável.
A reorganização vai além das grifes estrangeiras. Marcas locais, que hoje ocupam quiosques dos corredores do quarto piso, migram para pontos de loja, e a alimentação redimensiona áreas.
A La Guapa, de empanadas da jurada do MasterChef Paola Carosella, encolheu há três semanas, e a sorveteria proteica Super Soft assume metade do espaço.
O calendário se adensa mês a mês. Julho deve trazer ainda a nova loja da Vivo e Coleciona Brinquedos ao quarto andar. Agosto deve abrir, ao lado da unidade do Cinemark, as marcas infantis Trois Petit e Mandarina, que saem do corredor para suas primeiras lojas, além do Café Lacoste no segundo piso.
Setembro deve concentrar um projeto multimarcas no primeiro piso, com a editora Assouline entre as unidades, de acordo com a mesma pessoa.
No mesmo piso deve entrar a CJ Mares, realocada em uma nova área cujo corredor fica em frente ao quiosque da Visionari, ponto de venda dos óculos da marca Illesteva, que pode ser deslocado. A Le Lis tem espaço reservado, e a Slyce deve provavelmente chegar ainda neste mês.
Na região do lado de fora do shopping, próximo ao rio Pinheiros, também avançam as obras do Fasano Reserva Cidade Jardim, residencial voltado à locação com a estrutura já erguida, cujo estoque entrou na venda de R$ 5,2 bilhões ao fundo imobiliário da JHSF Capital.
Flagship da Chanel e nova Tiffany
O calendário de grifes se estende até 2027. A Chanel deve inaugurar no primeiro trimestre do próximo ano a que a JHSF descreve como sua maior flagship na América Latina, reunindo o portfólio completo da marca.
A Tiffany prepara uma unidade em mais de um andar, ainda sem data confirmada, de acordo com essa pessoa.
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A sequência de aberturas se apoia no melhor primeiro trimestre da história da JHSF. Como a companhia não divulga resultados por shopping, os números abrangem toda a vertical.

A receita bruta subiu 13% na comparação anual, para R$ 106 milhões, e o Ebitda ajustado, medida da geração de caixa operacional, avançou 26%, para R$ 59 milhões.
As vendas dos lojistas cresceram 8%, para R$ 1,025 bilhão, e o aluguel nas mesmas lojas, indicador conhecido pela sigla SSR, subiu 12% acima da inflação.
A segunda alavanca, a ampliação da área, também avança. O Cidade Jardim deve ganhar 3,5 mil metros quadrados de área bruta locável, a ABL, e chega a 52 mil, com as flagships ampliadas de Hermès e Prada.
Peso da estratégia de atrair marcas globais
O desempenho dos shoppings da companhia (Cidade Jardim, Shops Jardins, Catarina Fashion Outlet e o recém-inaugurado CJ Boa Vista Village) é o destaque que o BTG Pactual aponta na JHSF, e o banco mantém recomendação de compra para a ação listada na B3.
Por trás dos reajustes está o custo de ocupação, que mede o peso do aluguel e dos encargos sobre as vendas do lojista. Ele fica em torno de 10% no segmento, segundo o balanço, ou seja, o aluguel consome cerca de um décimo do faturamento das lojas.
A ressalva do relatório do banco sobre a JHSF recai sobre a venda de estoque de R$ 5,2 bilhões da incorporação, que infla a base de comparação e turva o resultado consolidado. Isso deixa a renda recorrente, as receitas que se repetem mês a mês, como o sinal mais limpo da geração de caixa.
“Aguardamos esses números antes de ter mais clareza sobre o run rate da JHSF”, escreveram os analistas Gustavo Cambauva e Gustavo Fabris, em relatório. O run rate é o ritmo anualizado dos resultados recorrentes, que só ganha nitidez quando o efeito da venda se dissipa.
Essa mesma renda recorrente é o principal argumento do Cidade Jardim na busca para avançar na atração das grifes globais, um disputa com outros players do setor em que o tamanho e a exclusividade das lojas pesam mais do que a simples presença da marca.
O Iguatemi responde com o JK Iguatemi e o Iguatemi São Paulo, na Faria Lima, ante a maior unidade da Dior na região e a primeira Loro Piana do país.
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