Com novo medicamento para obesidade, Lilly amplia liderança e pressiona concorrentes

Empresa reafirmou sua posição ao divulgar dados mostrando que sua injeção de próxima geração, a retatrutida, pode ajudar pacientes a perder 30% do peso corporal ao longo de cerca de dois anos

Empresas do setor defendem um futuro em que pacientes e médicos escolham tratamentos contra obesidade não apenas com base no potencial de perda de peso (Foto:  Madison Muller/Bloomberg)
Por Madison Muller - Naomi Kresge

Bloomberg — A disputa pelo terceiro lugar no mercado de medicamentos contra obesidade ficou mais difícil.

Durante a reunião da American Diabetes Association, em Nova Orleans, a líder de mercado Eli Lilly reafirmou sua posição dominante ao divulgar dados mostrando que sua injeção de próxima geração, a retatrutida, pode ajudar pacientes a perder 30% do peso corporal ao longo de cerca de dois anos.

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A Novo Nordisk, segunda colocada, informou que seu novo comprimido para obesidade Wegovy superou a marca de 3 milhões de prescrições.

Algumas das empresas que buscam desafiar as líderes enfrentaram um cenário mais difícil.


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Dados mostraram que a survodutida, da Boehringer Ingelheim, foi menos competitiva em perda de peso e apresentou altas taxas de vômito, o que fez as ações da licenciada dinamarquesa Zealand Pharma caírem até 27% na segunda-feira.

Uma injeção da Roche, apresentada como uma alternativa mais suave, ficou atrás de um medicamento semelhante da Lilly em termos de eficácia, segundo analistas da Bloomberg Intelligence.

Boehringer e Roche, juntamente com AstraZeneca, Pfizer e Amgen, defendem um futuro em que pacientes e médicos escolham tratamentos contra obesidade não apenas com base no potencial de perda de peso. Conveniência, intensidade dos efeitos colaterais e melhores resultados em diversas condições associadas ao excesso de peso também devem influenciar a decisão.

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“Precisamos deixar de tratar isso apenas como uma corrida para ver quem consegue apresentar o maior número de perda de peso”, disse em entrevista Brian Hilberdink, responsável pela unidade farmacêutica humana da Boehringer nos EUA.

O problema é que as gigantes do setor, Lilly e Novo, também tentam ocupar esses mesmos espaços. A Novo está avaliando se seus medicamentos podem ter papel na área, hoje em evidência, da longevidade, disse o diretor-presidente Mike Doustdar à Bloomberg News no domingo (7).

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Com bilhões de pessoas vivendo com sobrepeso ou obesidade, é pouco razoável imaginar que todos ficarão satisfeitos com um único medicamento, afirmou Ken Custer, presidente da unidade de saúde cardiometabólica da Lilly, durante um evento da empresa para a imprensa. “Nos próximos anos, vamos deixar para trás a abordagem única para todos”, acrescentou.

Os pacientes variam amplamente em relação ao quanto precisam emagrecer, à tolerância aos efeitos colaterais e às doenças que enfrentam simultaneamente. Alguns priorizam conveniência. Outros precisam da máxima eficácia. Muitos convivem com uma longa lista de condições, que vão da apneia do sono a doenças cardíacas e dores nos joelhos.

“A qualidade da perda de peso, a preservação muscular e a manutenção dos resultados são a próxima fronteira”, escreveu o analista David Risinger, da Leerink Partners, em relatório.

No encontro da ADA, Risinger afirmou que os médicos ficaram particularmente entusiasmados com o fato de o medicamento experimental retatrutida, da Lilly, ter ajudado pessoas a perder 19% do peso corporal após uma única escalada de dose para um nível inferior ao estudado anteriormente.

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Segundo ele, os médicos interpretaram isso como uma alternativa que tornará ainda mais fácil para os pacientes se adaptarem ao uso regular do medicamento, de forma semelhante à ampla adoção observada após a introdução das estatinas para redução do colesterol. O medicamento “atinge o perfil de simplicidade comparável ao de uma estatina, adequado para a atenção primária, de que o mercado precisa”, afirmou.

De forma importante, o novo medicamento da Lilly também proporcionou benefícios significativos para dores causadas pela osteoartrite do joelho e para a apneia do sono.

Diferentemente das opções atualmente disponíveis no mercado, a retatrutida imita três hormônios intestinais distintos. A Lilly também avalia se o tratamento pode ajudar pessoas com dores nas costas, doenças hepáticas e problemas cardíacos e renais.

A apresentação da companhia também ajudou a aliviar preocupações dos investidores sobre a segurança cardiovascular do medicamento, escreveu em relatório o analista Trung Huynh, da RBC Capital Markets.

Os resultados estabelecem um novo padrão para perda de peso, escreveu Evan Seigerman, analista da BMO Capital Markets, em relatório.

As ações da Lilly avançaram 3,7% na abertura dos mercados em Nova York na segunda-feira. Até o fechamento de sexta-feira, acumulavam alta de 5,3% no ano.

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