Bloomberg Línea — Como investidor de referência selecionado na oferta pública de ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa CSMG3), a Equatorial (EQTL3) avança no setor de água e esgoto e também na região Sudeste, onde o grupo de energia também é investidor âncora da Sabesp (SBSP3).
Com a decisão da Copasa, a Equatorial terá alocação mínima equivalente a 30% do capital social da companhia mineira.
A Equatorial afirmou em nota à Bloomberg Línea que “a operação está alinhada à estratégia de expansão no segmento de saneamento e reforça a presença da companhia na região Sudeste”.
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A companhia acrescentou que aguarda a conclusão do procedimento de bookbuilding (ofertas de compra de investidores do mercado) para definição da alocação das ações adicionais solicitadas pela Gerais Saneamento (controlada pela Equatorial), o que pode representar participação adicional de até 12,6% do capital da companhia.
A Equatorial levou a disputa com uma oferta de R$ 5,6 bilhões, com aquisição financiada via dívida. Trata-se da segunda maior transação do setor de saneamento no Brasil, segundo a companhia.
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Atualmente, a Equatorial é o terceiro maior grupo de distribuição de energia elétrica do país em número de clientes, com atuação em sete concessionárias que atendem 14 milhões de pessoas.
O lock-up (acordo de manutenção das ações) da participação de 30% na Copasa é de quatro anos (até junho de 2030) para 50% da fatia, e dezembro de 2033 - ou até o atingimento das metas de universalização, o que ocorrer primeiro - para o restante.
Com o acordo, o governo de Minas mantém 5% de participação na Copasa, além de uma golden share. Outros acionistas ficarão com 65%.
Ações da Copasa (CSMG3)
A promessa do governo mineiro é de um retorno de mais de 13% ao ano na Copasa, enquanto a Equatorial assume o risco do endividamento e os desafios de universalizar os serviços de água e esgoto até 2033. Atualmente, a elétrica possui uma alavancagem de 2,4 vezes.
Um executivo do quadro acionário da Equatorial, que falou sob condição de anonimato porque as discussões são privadas, relatou preocupação com o nível de exposição da companhia ao saneamento -- um setor altamente intensivo em capital e menos maduro do que o elétrico.
Em apresentação a investidores, a Equatorial diz que o impacto na alavancagem no curto prazo é limitado e não compromete a capacidade para outras oportunidades no médio prazo.
A empresa acrescentou que o setor de saneamento representa uma “grande avenida de crescimento”, com um modelo regulatório atrativo e similar ao de distribuição. Também disse que a participação relevante permite a construção de uma governança robusta, com forte presença na gestão da empresa, “sem sobrecarregar a estrutura atual da Equatorial”.
A Aegea planejava fazer uma oferta pela empresa mineira, conforme apurou a reportagem com pessoas próximas à companhia. Procurada, a Aegea não comentou.
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