CEO da Ford Motor suaviza o tom e diz que parcerias com chinesas vão crescer

Após defender restrições a montadoras chinesas nos EUA, Jim Farley disse que a empresa se beneficia de alianças globais e pretende ampliá-las diante do avanço em custo e tecnologia

Vehículos Ford nuevos a la venta en un concesionario en Thousand Oaks, California.
Por Keith Naughton

Bloomberg — Poucos dias depois de dizer que as montadoras chinesas deveriam ser mantidas fora dos Estados Unidos, o principal executivo da Ford disse que sua empresa está procurando expandir os laços comerciais com as montadoras chinesas.

O CEO Jim Farley disse à Fox News na segunda-feira: “Devemos mantê-los fora de nosso país”.

PUBLICIDADE

Mas ao falar com os repórteres na quarta-feira sobre uma reorganização na Ford, Farley pareceu tentar voltar atrás em suas palavras duras sobre a China. Ele disse que sua empresa se beneficia das parcerias com as montadoras chinesas, que estão reescrevendo o livro de regras com suas ofertas de baixo custo e alta tecnologia.

Assine as newsletters da Bloomberg Líneae receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“Valorizamos nossos parceiros chineses, pois eles nos ajudam a nos mantermos atentos e a competir em muitos mercados em todo o mundo”, disse Farley. “Continuaremos a expandir essas parcerias.”

PUBLICIDADE

Farley acrescentou que não tinha “nenhuma novidade” para anunciar. A Ford tem mantido discussões com a Zhejiang Geely Holding Group sobre o compartilhamento da capacidade de fabricação na Europa e com a BYD sobre o possível fornecimento de baterias para veículos híbridos gás-elétricos.

Leia também: Ford prepara linha de carros elétricos de ‘baixo custo’ para competir com chineses

Na China, a Ford tem alianças com a Chongqing Changan Automobile e a Jiangling Motors.

PUBLICIDADE

Farley também disse às autoridades do governo Trump no início deste ano que, se as montadoras chinesas quiserem fabricar carros nos Estados Unidos, elas devem formar joint ventures nas quais as montadoras americanas detenham o controle acionário para proteger a indústria nacional. Esse acordo espelharia o que a China exigiu das montadoras ocidentais há três décadas, quando elas instalaram fábricas no país.

“Meu objetivo não é ser contra nada ou contra ninguém; é ser um defensor de uma indústria automobilística forte nos EUA”, disse Farley ao tentar esclarecer seus comentários na Fox.

Leia também: Geely negocia produzir em fábrica da Ford na Espanha para driblar tarifas, dizem fontes

PUBLICIDADE

Precisamos “realmente definir nossa política, tanto a política da empresa quanto a política do governo, porque os riscos são muito altos neste momento”.

Farley, que já elogiou a qualidade e a tecnologia dos carros chineses no passado, acrescentou que as montadoras globais que não “se adaptarem como os melhores chineses” não “estarão por aqui por muito tempo”.

Veja mais em bloomberg.com