BYD minimiza chegada da Tesla à Argentina e planeja expansão usando o Brasil como base

Com abastecimento de carros elétricos produzidos no Brasil, montadora chinesa prevê ampliar oferta de carregadores, fortalecer financiamento e mantém aberta a possibilidade de produzir veículos no Argentina, disse o gerente nacional da BYD no país, Christian Kimelman, à Bloomberg Línea

Marca registrou 9.266 unidades no primeiro semestre na Argentina (Foto: Valeria Mongelli/Bloomberg)

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Bloomberg Línea — A futura entrada da Tesla no mercado argentino não altera os planos ambiciosos da BYD, a marca chinesa que supera a empresa de Elon Musk em vendas globais de carros elétricos. “Competimos em todo o mundo e a BYD saiu vencedora no ano passado”, afirmou Christian Kimelman, gerente nacional da BYD Argentina, em entrevista à Bloomberg Línea.

Kimelman confirmou que a megafábrica que a BYD está construindo no Brasil, a maior fora da China, terá um papel fundamental no abastecimento da Argentina. “Ela está planejada para atender ao mercado brasileiro, mas também para exportar do Brasil para a região, tendo o México e a Argentina como principais clientes”, explicou.

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O executivo destacou que essa estratégia permitirá aproveitar a proximidade logística e reforçar a disponibilidade de peças de reposição para a operação local.

O executivo disse ainda que a BYD planeja trazer seus carregadores elétricos — assim como a Tesla fará este ano — e sonha com a instalação de uma fábrica na Argentina, o que, segundo ele, embora não seja um plano concreto, “para liderar o setor no contexto argentino atual, eventualmente seria necessário algum tipo de reflexão nesse sentido”.


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Ele explicou que a empresa está trabalhando para ampliar seu financiamento e analisa a possibilidade de incorporar novas ferramentas comerciais, entre elas os tradicionais planos de poupança argentinos.

A BYD registrou 9.266 unidades no primeiro semestre na Argentina, segundo dados da Câmara de Importadores (CIDOA), e possui lista de espera para algumas configurações específicas e modelos como o Atto 2 — o SUV lançado na Argentina com preço de US$ 32.000 —, situação que se espera que se normalize neste mês.

Kimelman relativizou o impacto da chegada da Tesla à Argentina com seus veículos elétricos. Para o executivo, a entrada de novos participantes chegará até mesmo a acelerar a adoção do segmento e o desenvolvimento da infraestrutura de recarga, em um contexto em que a empresa busca se consolidar como um participante de longo prazo no país.

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“Todo aquele que vem à Argentina para participar desse mercado e transformá-lo, tornando a frota de veículos mais segura, mais eficiente e mais limpa, nos ajuda. Isso também faz com que o desenvolvimento da infraestrutura seja mais rápido e que o cliente tenha mais opções à sua disposição”, afirmou.

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No mundo, a BYD vendeu, no ano passado, 4,6 milhões de veículos.

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A estratégia da BYD para a Argentina não depende de incentivos temporários, como o regime de cotas de 50 mil unidades importadas de fora da zona que não estão sujeitas à tarifa de 35%, explicou Kimelman. Segundo ele, a empresa já começou a importar modelos fora desse esquema e continuará a fazê-lo à medida que as cotas forem se esgotando.

O objetivo, afirmou ele, é consolidar uma presença permanente no mercado local. “Queremos construir uma marca que seja reconhecida como argentina”, afirmou.

Com esse objetivo, ele destacou que a BYD decidiu operar no país por meio de uma filial própria que se reporta diretamente à matriz na China, uma estrutura que a empresa utiliza em apenas cerca de 40 dos 120 mercados em que está presente. “Isso demonstra a importância da Argentina dentro da estratégia regional. Acreditamos muito no potencial do país”, afirmou.

Kimelman descartou a existência de um projeto concreto para uma fábrica na Argentina, embora tenha deixado em aberto a possibilidade para o futuro.

“Não está nos planos”, respondeu ele. No entanto, acrescentou que “quem conhece o setor argentino sabe que, para liderar o setor, no contexto atual, é preciso ter algum tipo de visão nesse sentido”.

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Enquanto isso, a empresa avalia a possibilidade de expandir-se para outros setores relacionados à mobilidade elétrica, entre os quais a infraestrutura de recarga e os veículos comerciais.

“É um projeto do qual queremos participar”, disse ele sobre o desenvolvimento de carregadores elétricos, uma unidade de negócios que a BYD já vem promovendo em outros mercados.

A montadora iniciou suas operações comerciais na Argentina em outubro de 2025 e, segundo Kimelman, já realizou mais de 20.000 test drives e está prestes a atingir a marca de 10.000 unidades matriculadas, com apenas seis modelos comercializados.

Há táxis BYD circulando no país e, conforme alertou o executivo, os aplicativos de mobilidade estão começando a adquirir veículos — algo muito comum em outras partes do mundo.