Banco Central reduz juros para 13,75% enquanto eleição apertada ofusca perspectivas

Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, cortou a Selic em 0,25 ponto percentual; cenário ‘exige serenidade e cautela’, diz comunicado

Brasil reduce su tasa de interés al 13,75% mientras la ajustada contienda electoral empaña las perspectivas
Por Martha Beck - Beatriz Reis
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Bloomberg — O Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, à medida que a inflação desacelera e a economia perde impulso, a semanas de uma eleição presidencial apertada que alimenta a incerteza sobre até onde os formuladores de política monetária podem prosseguir com o afrouxamento.

Os membros do colegiado liderados por Gabriel Galípolo reduziram a Selic para 13,75% ao ano na noite desta quarta-feira (16), numa decisão unânime que era esperada por todos os economistas ouvidos pela Bloomberg. O movimento levou o afrouxamento acumulado desde março a 125 pontos-base.

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“O cenário atual, marcado por elevada incerteza, desancoragem de expectativas e riscos elevados em torno do cenário de referência, exige serenidade e cautela na condução da política monetária”, escreveram os diretores no comunicado que acompanhou a decisão.

“O Comitê seguirá acompanhando os desdobramentos do cenário para manter a política monetária adequadamente restritiva a fim de assegurar a convergência à meta de inflação.”

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A decisão ocorre semanas antes de os brasileiros irem às urnas, com pesquisas mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva num empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro.

A disputa apertada mantém os investidores focados em como os candidatos enfrentariam a alta da dívida pública e dos gastos.

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Qualquer deterioração nas percepções sobre as perspectivas fiscais do Brasil poderia enfraquecer a moeda e adicionar pressões inflacionárias, tornando mais difícil para o banco central continuar cortando os juros mesmo com a economia enfraquecendo.

Brasil

“A magnitude e a intensidade do ciclo permanecem condicionadas à política fiscal sinalizada pelo próximo governo após as eleições de outubro e à evolução dos choques globais de oferta”, escreveu Caio Megale, economista-chefe da XP, numa nota antes da decisão.

A decisão também veio horas depois de o Federal Reserve elevar seus juros em um quarto de ponto percentual e projetar uma alta adicional ainda este ano.

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Por ora, os banqueiros centrais brasileiros contam com alguma ajuda de uma inflação mais branda no curto prazo e de sinais de que a economia perde força.

Os preços ao consumidor subiram 4,22% em agosto em relação a um ano antes — ainda acima da meta de 3%, mas abaixo da estimativa mediana de 4,27% numa pesquisa da Bloomberg. Os preços caíram 0,32% em relação ao mês anterior.

O mercado de trabalho também mostra sinais de arrefecimento. O Brasil criou 58.568 empregos formais em julho, o menor número mensal até agora este ano. A inadimplência do crédito pessoal subiu naquele mês ao maior nível desde 2009, pesando sobre o consumo.

A atividade econômica geral caiu 0,22% em julho em relação ao mês anterior, marcando uma segunda queda consecutiva, reportou o Banco Central mais cedo nesta quarta-feira.

O primeiro turno da eleição presidencial do Brasil está marcado para 4 de outubro, com um segundo turno provável três semanas depois.

A eleição não é a única fonte de incerteza. O conflito envolvendo o Irã permanece sem resolução, mantendo os preços do petróleo voláteis, enquanto o clima severo associado ao El Niño representa riscos para os preços dos alimentos.

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