Bloomberg — A American Airlines afirmou não estar envolvida nem interessada em qualquer discussão sobre uma fusão com a rival United, reduzindo as perspectivas de uma combinação que poderia remodelar o setor.
O CEO da United, Scott Kirby, havia levantado a possível combinação diretamente ao presidente Donald Trump em fevereiro, como noticiou a Bloomberg News no início desta semana.
A American sinalizou que tal fusão seria prejudicial em um comunicado divulgado na noite de sexta-feira (17).
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“Embora mudanças no mercado aéreo em geral possam ser necessárias, uma combinação com a United seria negativa para a concorrência e para os consumidores e, portanto, inconsistente com nossa compreensão da filosofia do governo em relação ao setor e com os princípios da legislação antitruste”, disse o comunicado da companhia aérea, sediada em Fort Worth, no Texas.
Representantes da United recusaram comentar.
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United e American estão entre as quatro maiores companhias aéreas dos Estados Unidos e, juntas, controlam mais de um terço do mercado. Uma fusão criaria a maior companhia aérea do mundo.
Por isso, qualquer combinação entre as duas gigantes do setor levantaria sérias preocupações antitruste e provavelmente enfrentaria forte resistência de consumidores, políticos e rivais americanas.
As companhias aéreas americanas enfrentam preços mais altos de combustível de aviação por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã.
A incerteza colocou a ideia de consolidação em evidência. Kirby disse a funcionários em um comunicado no mês passado que a companhia se beneficiaria de qualquer reestruturação do setor diante da alta dos preços de petróleo e combustível, o que poderia abrir oportunidades de aquisição.
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Fusões entre companhias aéreas americanas precisam ser analisadas e aprovadas pelo Departamento de Transportes e pelo Departamento de Justiça.
O secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou que o governo avaliaria uma série de fatores ao examinar possíveis fusões, incluindo os efeitos sobre a concorrência — tanto doméstica quanto global — e sobre os preços das passagens.
“O presidente Trump adora ver grandes negócios acontecerem”, disse Duffy à CNBC em 7 de abril. “Há espaço para algumas fusões na indústria aérea? Sim, acho que há.”
Apesar da recusa, o presidente-executivo da American, Robert Isom, tem muito trabalho pela frente. A companhia enfrenta uma série de desafios operacionais e estratégicos, desde a redução de cerca de US$ 35 bilhões em dívidas até a tentativa de reconquistar passageiros corporativos afastados por uma estratégia de marketing impopular — e posteriormente revertida.
Isom também sofre pressão de pilotos e comissários de bordo, que pedem sua saída após a empresa não ter conseguido acompanhar o ritmo de concorrentes mais lucrativos, como United e Delta.
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