Turquia liquida 131 fundos em dificuldades e recorre a grandes bancos para supervisão

Fundos que receberam ordem de liquidação detêm mais de US$ 18 bilhões em investimentos e contam com cerca de 350 mil investidores

Ancara, na Turquia: regras mais rígidas forçaram gestores a liquidar posições, o que levou a uma onda de resgates. (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)
Por Inci Ozbek - Tugce Ozsoy
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Bloomberg — A Turquia recorreu a dois de seus maiores bancos para supervisionar a liquidação de 131 fundos de investimento envolvidos na turbulência que abalou o setor de gestão de ativos do país.

O Turkiye Is Bankasi e o Ziraat Bankasi, de propriedade do Estado, supervisionarão a liquidação, informou o Conselho de Mercados de Capitais (SPK) em comunicado divulgado na noite de quinta-feira (17).

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Os fundos que receberam ordem de liquidação detêm mais de US$ 18 bilhões em investimentos e contam com cerca de 350 mil investidores.


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A medida ocorre após uma semana de turbulência no setor de fundos da Turquia, depois que os fundos da Tera e da Pusula informaram que não poderiam atender a alguns pedidos de resgate dos investidores.

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As tensões vinham se acumulando desde agosto, quando os reguladores endureceram as regras para fundos de ações com participações concentradas em empresas com flutuação livre limitada, forçando alguns gestores a liquidar posições.

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A tensão se espalhou então para o mercado em geral, provocando uma onda de vendas de três dias nas ações turcas nesta semana e perdas acentuadas em dezenas de ações de empresas menores.

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Isso levou os reguladores e outras autoridades a intervir com liquidações, proibições de negociação e medidas para aliviar a liquidez.

As autoridades também detiveram vários executivos do setor financeiro, impuseram proibições de viagem e apresentaram queixas criminais por suposta manipulação dos preços das ações.

“Isolamos a área problemática”, afirmou o ministro do Tesouro e das Finanças, Mehmet Simsek, nesta sexta-feira, em entrevista ao canal de notícias NTV. “Não há risco sistêmico.”

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O mercado de ações retomou sua queda após uma breve recuperação ontem. O Índice Borsa Istanbul 100 recuou 1,2% às 10h20 em Istambul, enquanto o Índice All Share perdeu 2,1%. No índice de referência mais amplo, o sentimento era predominantemente negativo, com cerca de 530 ações em queda e apenas 47 em alta.

As autoridades turcas prenderam formalmente quatro suspeitos, entre os quais estão um “presidente do conselho de um fundo e membros do conselho”, afirmou o ministro da Justiça, Akin Gurlek, em uma postagem no X, sem mencionar nomes.

“Estão sendo tomadas medidas legais contra indivíduos e organizações mal-intencionadas que visam as economias dos cidadãos por meio de esquemas do tipo Ponzi e obtêm ganhos ilícitos por meio de orientações enganosas”, afirmou Gurlek.

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Os dois fundos negociados em bolsa da gestora estatal turca Ziraat Portfoy, que acompanham as ações do setor bancário do país e o Índice BIST 30, atraíram 4,05 bilhões de liras (US$ 83 milhões) em entradas na quinta-feira, ajudando a impulsionar os ganhos nas ações do setor bancário. Esse foi o maior influxo desde abril de 2025.

Os influxos e a recuperação do mercado na quinta-feira geraram especulações de que o fundo soberano da Turquia teria intervindo para comprar, como fez em 2023 após dois terremotos. O fundo soberano se recusou a comentar sobre quaisquer possíveis transações nesta semana.

O Isbank ficará responsável pela liquidação dos fundos criados pela Tera Portfoy Yonetimi AS, enquanto o Ziraat supervisionará os fundos administrados por seis outras gestoras de ativos, incluindo a Pusula Portfoy Yonetimi.

Os bancos venderão os ativos detidos pelos fundos em etapas e transferirão o dinheiro aos investidores proporcionalmente às suas participações, de acordo com o órgão regulador. Os pedidos de resgate apresentados após as 13h30 do dia 17 de setembro terão prioridade.

-- Com a colaboração de Beril Akman.

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