Tesouro emite € 5 bilhões em primeira dívida em euros desde 2014

Com o movimento, o país se junta a uma onda de tomadores de empréstimos de mercados emergentes que buscam diversificar suas fontes de financiamento

Tesouro anunciou planos de recorrer aos mercados internacionais de dívida com mais frequência em 2026
Por Vinícius Andrade - Giovanna Bellotti Azevedo

Bloomberg News — O Brasil está retornando aos mercados internacionais de dívida com sua primeira venda de títulos denominados em euros em mais de uma década.

A maior economia da América Latina está oferecendo 5 bilhões de euros (US$ 5,9 bilhões) em uma venda de três parcelas de títulos em euros com vencimento em 2030, 2033 e 2036, de acordo com uma pessoa a par do assunto.

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A transação foi lançada com spreads de 145, 210 e 255 pontos-base sobre os midswaps, respectivamente, ficando mais apertada em relação às negociações iniciais de preços, disse a pessoa, que pediu para não ser identificada.

Com o movimento, o país se junta a uma onda de tomadores de empréstimos de mercados emergentes que buscam diversificar suas fontes de financiamento.

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A emissão denominada em euros será a primeira do Brasil desde 2014, de acordo com dados do Tesouro brasileiro.

O Tesouro anunciou planos de recorrer aos mercados internacionais de dívida com mais frequência em 2026, com emissões de títulos denominados em dólares americanos, euros e renminbi chinês.

Isso faz parte de uma tendência global, com os emissores de mercados emergentes recorrendo cada vez mais ao financiamento em euros em resposta à demanda por menor exposição ao dólar.

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Os esforços do Brasil para explorar mercados alternativos têm como objetivo a construção de curvas de rendimento de referência e o avanço da internacionalização de sua dívida pública, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, à Bloomberg na terça-feira.

O BBVA, o BNP Paribas, o BofA Securities e o UBS Investment Bank estão cuidando da nova venda.

A transação ocorre antes das eleições presidenciais marcadas para outubro.

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Espera-se que o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro - o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro - se enfrentem em uma disputa acirrada, com algumas pesquisas mostrando que Flávio tem uma ligeira vantagem.

O Brasil é classificado como Ba1 pela Moody’s, um nível abaixo do grau de investimento, e como BB pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, dois níveis abaixo do grau de risco.

--Com a ajuda de Martha Beck.

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