Tesouro dos EUA triplica recompra de títulos, chega a US$ 6 bi, mas decepciona mercado

Scott Bessent se disse determinado a tentar conter a recente alta dos custos de financiamento e triplicou o valor inicialmente previsto para a próxima recompra de títulos públicos de prazo mais longo, em um anúncio que provocou decepção inicial entre investidores

Departamento do Tesouro afirmou que comprará até US$ 6 bilhões em títulos em circulação com vencimento entre 10 e 20 anos (Foto: Daniel Heuer/Bloomberg)
Por Greg Ritchie - Alex - ra Harris
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Bloomberg — O Tesouro dos EUA triplicou o valor inicialmente previsto para a próxima recompra de títulos públicos de prazo mais longo, em um anúncio que provocou decepção inicial entre investidores.

O Departamento do Tesouro afirmou que comprará até US$ 6 bilhões em títulos em circulação com vencimento entre 10 e 20 anos. Será a primeira operação desse tipo no âmbito de um programa ampliado de recompras que demonstra a determinação do secretário Scott Bessent de conter a recente alta dos custos de financiamento.

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O novo valor é três vezes superior aos US$ 2 bilhões inicialmente comunicados aos investidores. Os Treasuries ampliaram a queda após a divulgação, e o rendimento dos títulos de 10 anos subiam cerca de 5 pontos-base, para 4,83%, em Nova York — o maior nível desde 2023.


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Dealers elevaram as previsões para a operação de recompra de quinta-feira (10) após Bessent defender publicamente a possibilidade de compras superiores a US$ 4 bilhões. O secretário do Tesouro reiterou na terça-feira que, embora não possa alterar o preço de “equilíbrio” dos Treasuries, o objetivo é desacelerar os movimentos e impedir que uma narrativa prejudicial ganhe força no maior mercado de títulos do mundo.

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“Eles triplicaram o valor, mas o mercado está reagindo como se fosse uma decepção, porque não é a demonstração de força” que os investidores queriam, afirmou Steven Zeng, estrategista do Deutsche Bank. “É como se o Tesouro tivesse criado um monstro que agora precisa continuar alimentando.”

Alguns esperavam uma operação ainda maior

Por enquanto, o departamento não deu mais combustível a esse monstro nas orientações para as recompras posteriores à de quinta-feira.

O Tesouro afirmou que o valor máximo de compra nas outras seis recompras programadas de Treasuries nominais de longo prazo no atual trimestre fiscal será igual ou superior a US$ 4 bilhões. A formulação é a mesma usada no anúncio original e inesperado do Tesouro em 19 de agosto, quando o departamento afirmou que iria “pelo menos dobrar” o tamanho das operações, antes previstas em US$ 2 bilhões cada.

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Leia também: Bessent diz que Tesouro pode ampliar recompra de dívida diante de juros mais altos

Os rendimentos caíram após o anúncio inicial do plano no mês passado, mas depois devolveram o movimento.

Os mercados em agosto, quando os rendimentos dos títulos de 30 anos atingiram o maior nível desde 2007, foram movidos por preocupações de que “os EUA não conseguirão pagar a dívida. Era absurdo, mas isso acabou se tornando uma espécie de narrativa dominante”, afirmou Bessent em um evento no Texas.

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Em outras ocasiões, ele caracterizou as recompras como uma medida destinada a aumentar a liquidez. As operações permitirão que bancos e outras instituições se desfaçam de títulos mais difíceis de negociar para, então, ampliar a participação nos leilões de nova dívida, afirmou na semana passada.

Bessent ‘intervencionista’

“Scott adotou, sem dúvida, um modelo muito intervencionista como secretário do Tesouro”, afirmou Krishna Guha, chefe de economia da Evercore ISI, antes do anúncio de quarta-feira (9). “Ele é taticamente muito habilidoso para escolher quando e como surpreender e movimentar os mercados e teve algum sucesso no curto prazo.”

Leia também: Wall Street vê receios no mercado de títulos por ação do secretário do Tesouro dos EUA

Guha, que trabalhou anteriormente no Federal Reserve Bank de Nova York, afirmou que “o desafio é sempre saber se o impacto desse tipo de intervenção pode ser sustentado sem mudanças maiores nos fundamentos”.

O valor máximo da operação de recompra não significa que o Tesouro necessariamente comprará esse montante em títulos. No entanto, nas recompras voltadas à dívida nominal de prazo mais longo, o departamento costuma adquirir o valor integral, tendo deixado de fazê-lo apenas duas vezes nas 52 operações desse tipo realizadas desde a retomada do programa em 2024.

A ampliação do programa de recompra de títulos de longo prazo por Bessent no mês passado surpreendeu os investidores porque foi anunciada fora do calendário trimestral de comunicados do Tesouro. Isso alimentou discussões sobre um novo estilo, mais intervencionista, de gestão da dívida dos EUA, em contraste com o antigo mantra do departamento de atuar de maneira “regular e previsível”.

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Preocupação com rendimentos

Investidores e analistas veem a intensificação das recompras como reflexo do desconforto do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, com a alta dos custos de financiamento de longo prazo, a poucas semanas das eleições legislativas de novembro. A alta dos rendimentos dos Treasuries levou as taxas de hipotecas nos EUA ao maior nível em mais de um ano.

Bessent descreveu a iniciativa como um “Treasury twist” — referência às Operações Twist do Fed, que tinham como objetivo reduzir os custos de financiamento de prazo mais longo.

“Estou me certificando de que não haja um resultado adverso grande e ruim”, afirmou em entrevista à Newsmax em 1º de setembro.

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