Resultados do Nubank: analistas esperam crescimento e veem potencial para ações

Analistas esperam crescimento da receita e dos lucros, sendo o crédito e a inadimplência as principais variáveis a serem acompanhadas; o consenso entre analistas é favorável, com 81,8% recomendando a compra das ações

Nubank

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Bloomberg Línea — O Nubank (NU) divulgará seus resultados do segundo trimestre nesta quinta-feira (13), após o fechamento da Wall Street, com o mercado atento ao crescimento do crédito, às margens e à qualidade dos ativos. O consenso compilado pela Bloomberg aponta para mais um trimestre de expansão.

Os analistas esperam uma receita de US$ 5,38 bilhões, um aumento de 65,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, e um lucro líquido ajustado de US$ 990,9 milhões, um aumento de 63,4%. O lucro por ação ajustado ficaria em US$ 0,199, com um crescimento de 60,8%.

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O cenário inicial continua favorável. O Nubank superou as expectativas do consenso em relação ao lucro por ação ajustado nos últimos oito trimestres, de acordo com dados da Bloomberg. Em relação à receita, superou as previsões em seis dos últimos oito períodos, enquanto no lucro líquido ajustado, superou-as em sete.


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Gabriel Gusan, analista sênior da Bloomberg Intelligence, considera que “o Nubank provavelmente manteve um crescimento sólido no segundo trimestre, com o consenso apontando para um lucro ajustado superior em relação ao trimestre anterior”.

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O analista espera uma recuperação da margem de juros líquida ajustada pelo risco e a continuidade da expansão do crédito. As recuperações relacionadas ao programa Desenrola no Brasil poderiam dar um impulso, embora o México e a evolução dos empréstimos figuram entre os pontos que requerem atenção.

Ações do Nubank

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Os dados podem ter atraso de ate 20 minutos.

Fatores-chave para os resultados do Nubank

O Bradesco BBI projeta um lucro líquido de US$ 975 milhões, um aumento de 11,9% em relação ao trimestre anterior e de 53% em relação ao mesmo período do ano anterior. Analistas do banco esperam ainda que a carteira de empréstimos cresça 8% em relação ao trimestre anterior e 48% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora o ritmo de crescimento deva desacelerar em relação aos 54% registrados no primeiro trimestre.

Marcelo Mizrahi, analista do Bradesco BBI, prevê que a margem de juros líquida ajustada pelo risco alcance 10,5%, com uma expansão de 100 pontos-base em relação ao trimestre anterior. As despesas operacionais, no entanto, exerceriam pressão sobre o índice de eficiência.

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O Bradesco BBI estima uma deterioração trimestral de 130 pontos-base nesse indicador, principalmente devido a uma maior remuneração baseada em ações.

Também prevê uma alíquota efetiva de imposto mais elevada, após os benefícios fiscais da Lei do Bem, que concederam incentivos fiscais às empresas brasileiras que realizam investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica e que tiveram impacto no primeiro trimestre.

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O UBS apresenta uma análise positiva para o período. Thiago Batista, Beatriz Shinye e Kaio Prato afirmam que “o segundo trimestre pode ser um momento especialmente favorável para a Nu”, apoiado por uma normalização do custo de risco e por uma evolução sólida da receita líquida de juros.

Os dados do Brasil analisados pelo UBS mostraram que a inadimplência precoce no setor de cartões de crédito permaneceu estável, em 3,2%, enquanto nos empréstimos pessoais aumentou 10 pontos-base, chegando a 5,5%. No primeiro trimestre, os aumentos haviam sido de 60 e 20 pontos-base, respectivamente.

The Nubank website on a laptop arranged in Mexico City, Mexico, on Saturday, Aug. 5, 2023. Nu Holdings Ltd., the Brazilian digital bank that counts Warren Buffett's Berkshire Hathaway Inc. among its biggest stockholders, is betting big that its high-yield savings accounts will stoke growth in Latin America's second-largest economy. Photographer: Alejandro Cegarra/Bloomberg

A inadimplência de prazo mais longo oferece uma outra perspectiva. Os empréstimos pessoais e os cartões de crédito registraram aumentos trimestrais de 80 e 40 pontos-base , atingindo 10,5% e 9,5%, respectivamente. O UBS atribui parte dessa variação à sazonalidade habitual do segundo trimestre.

O Desenrola, um programa do governo para renegociar dívidas de consumidores inadimplentes, pode mudar esse quadro. O JPMorgan (JPM) observou, em junho, uma queda mensal de 240 a 290 pontos-base na inadimplência de cartões de crédito e empréstimos pessoais sem garantia de salário no segmento S2, que agrupa instituições financeiras de grande porte, embora tenha alertado que os dados possam estar incompletos.

Para o banco, os investidores prestarão mais atenção a possíveis sinais de desaceleração do crédito e às orientações da administração sobre a qualidade dos ativos, sem o efeito do Desenrola. O banco mantém sua recomendação overweight e estabelece para o Nubank um preço-alvo de US$ 20.

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México avança, mas a qualidade do crédito preocupa

O México será outro ponto de destaque nos resultados, embora seu peso nos lucros consolidados ainda seja reduzido. O Nubank México encerrou o segundo trimestre com um lucro líquido de MXN$ 126 milhões (cerca de US$ 7 milhões), seu segundo trimestre consecutivo com lucros.

O Bradesco BBI destacou que os empréstimos aumentaram 8% em relação ao trimestre anterior e a receita líquida de juros, 7%. As provisões, por outro lado, cresceram 18%, o que provocou uma contração de 20% na receita líquida de juros ajustada pelo risco.

A taxa de inadimplência no México aumentou 90 pontos-base, chegando a 6,6%. Ao mesmo tempo, o índice de eficiência melhorou para 26,8%, ante 28,9% no trimestre anterior, ficando bem abaixo dos 64% registrados no quarto trimestre de 2025.

O JPMorgan também identifica essa dualidade. O banco considera que os investidores pessimistas podem se concentrar nas maiores provisões, na fraqueza das comissões e na menor margem ajustada pelo risco, enquanto uma visão de longo prazo pode se concentrar na continuidade dos lucros e na licença bancária.

Os dados divulgados após o encerramento do trimestre mantêm essa atenção voltada para o crédito. O Citi (C) informou que a carteira mexicana atingiu cerca de MXN$ 36,5 bilhões (cerca de US$ 2,1 bilhões) em julho, um aumento de 2,3% em relação ao mês anterior e de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto os empréstimos S3, uma categoria de créditos vencidos ou inadimplentes, atingiram 7%.

Mesmo assim, Gustavo Schroden, do Citi, considera que “a notícia pode ser positiva, principalmente porque vemos o México como um elemento central do crescimento dos lucros do Nubank”. A empresa também destacou que o segundo trimestre foi o segundo consecutivo com resultado positivo antes dos impostos.

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Wall Street e uma aposta de alta

As perspectivas não se limitam ao trimestre. O UBS mantém sua recomendação de compra e um preço-alvo de US$ 16,90. A empresa avalia o Nubank em 13,7 vezes os lucros estimados para 2027, o que representa um desconto em relação a outras fintechs globais, apesar das expectativas semelhantes de crescimento dos lucros.

O Bradesco BBI também mantém uma visão positiva e define seu preço-alvo em US$ 17. O Citi, por sua vez, tem uma meta de US$ 14,50, ao mesmo tempo em que acompanha a construção de uma plataforma global, a expansão internacional e a aplicação de inteligência artificial em crédito e processos bancários.

No Brasil, o JPMorgan identifica os clientes de renda média como uma das principais fontes de crescimento marginal. O Nubank lançou o Croma para esse segmento, com benefícios maiores do que o Nubank+, embora o banco ainda não tenha incorporado o impacto sobre o lucro por ação em suas estimativas.

A Colômbia contribui com mais um elemento para a expansão regional. O Citi indicou que o Nubank continua ganhando participação no mercado de empréstimos e depósitos, com uma participação de 6% nos depósitos de pessoas físicas e certificados de depósitos a prazo, enquanto o México ganha relevância e a oportunidade nos Estados Unidos permanece em um estágio menos definido.

O consenso compilado pela Bloomberg reflete uma posição amplamente favorável: 18 dos 22 analistas, ou seja, 81,8%, recomendam comprar ações do Nubank; dois aconselham manter e outros dois, vender. O preço-alvo médio para os próximos 12 meses é de US$ 17,59. Considerando o preço atual de US$ 13,50, esse preço-alvo representa um potencial de valorização de 30,3%.

Os resultados terão como principais variáveis a normalização do custo de risco, a margem ajustada pelo risco e o ritmo de expansão do crédito. A atenção também estará voltada para a qualidade dos ativos no Brasil e no México, especialmente após os sinais de aumento da inadimplência no mercado mexicano e o efeito do programa Desenrola sobre os indicadores brasileiros.

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