Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) fechou em queda nesta terça-feira (11), descolado do desempenho mais ameno em Wall Street, na sexta sessão consecutiva de perdas.
O principal índice da B3 caiu 2,50%, aos 167.875 pontos, o menor patamar de fechamento desde 20 de janeiro. Já o dólar avançou 0,99%, fechando cotado a R$ 5,1606.
O movimento de aversão ao risco foi puxado pelo rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan, que revisou a recomendação de overweight para neutra citando a volatilidade eleitoral como motivo para “ficar de fora” dos ativos do país.
Segundo a Bloomberg News, a visão do banco americano foi reforçada por uma pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 48% das intenções de voto contra 39% de Flávio Bolsonaro em cenário de segundo turno.
A vantagem é menor que os 13 pontos registrados pelo mesmo instituto em junho, mas ainda superior às margens indicadas por outros levantamentos recentes.
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O rebaixamento agrava um movimento técnico de saída de estrangeiros que já vinha das sessões anteriores: somente nos dias 6 e 7 de agosto, a B3 registrou mais de R$ 5 bilhões em retiradas, com o fluxo acumulado do mês negativo em R$ 5,56 bilhões até o dia 7, segundo a Bloomberg News.
O mercado também reagiu à ata do Copom e ao IPCA de julho, que subiu 0,07% no mês — abaixo do 0,16% de junho — e acumula alta de 4,44% em 12 meses, ficando abaixo do teto da meta após dois meses de estouro.
A ata manteve o tom cauteloso e não trouxe sinalização sobre os próximos passos da política monetária e indicou manutenção do tom restritivo.
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Os bancos foram a principal pressão negativa sobre o índice, em meio à repercussão da temporada de balanços.
O BTG Pactual (BPAC11) recuou 5,80%, a maior queda entre as ações do setor, mesmo após reportar o melhor semestre de sua história: lucro líquido contábil de R$ 4,901 bilhões no trimestre, alta de 22,2% em 12 meses, com receitas de R$ 10,4 bilhões e ROAE de 26,7%.
O resultado foi sustentado pela expansão da carteira de crédito e da unidade de Consumer Finance & Banking, cuja receita somou R$ 1,546 bilhão, alta de 37,4% sobre o primeiro trimestre — ao mesmo tempo em que o banco ampliou em 19,4% as provisões para perdas, refletindo a maior exposição ao varejo principalmente por meio de controladas como o Banco Pan. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 3,51%, Banco do Brasil (BBAS3) recuou 3,74% e Bradesco (BBDC4) cedeu 2,27%.

Entre outras quedas relevantes, Usiminas (USIM5) recuou 7,54%, RD Saúde (RADL3) caiu 5,68% e Cosan (CSAN3) cedeu 4,93%. A CSN (CSNA3) caiu 4,04%, mesmo dia em que a CSN Inova recebeu US$ 1 bilhão em propostas válidas em sua oferta.
A Petrobras (PETR4) recuou 1,35%, na contramão da alta do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) perceu 2,02%.
Lista em Nova York, a JBS (JBS) cedeu 2,9%, após balanço mostrar prejuízo líquido de US$ 102 milhões, refletindo os efeitos persistentes de uma escassez de gado que continua pressionando as margens da unidade de carne bovina na América do Norte. A companhia anunciou ainda a volta da família Batista ao comando, com Wesley Filho assumindo como CEO global.
No exterior, o impasse em torno do Estreito de Ormuz sustentou a alta do petróleo: o WTI subiu 1,7%, a US$ 83,49 o barril, enquanto o Brent superou US$ 89. O Irã reiterou que manterá a via fechada até que suas exigências sejam atendidas, apesar de sinais de que Paquistão via Estados Unidos e Irã próximos de um acordo.
O S&P 500 fechou em queda de 0,3%, com investidores cautelosos antes da divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) americano de julho, nesta quarta-feira, que deve ajudar a calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
— Com informações da Bloomberg News
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