Ibovespa reduz ganhos após governo elevar a projeção de déficit fiscal; dólar fica estável

Relatório do Ministério da Fazenda elevou a previsão de déficit primário para R$ 177,4 bilhões este ano, um aumento em relação à previsão anterior de R$ 141,4 bilhões

Ibovespa avança com exterior, à espera de dados econômicos nos EUA; dólar cai
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Bloomberg Línea — O Ibovespa (IBOV) reduziu os ganhos na tarde desta quarta-feira (22) e chegou a virar para queda por um período depois de o governo elevar a estimativa para o déficit fiscal de 2023 para levar em conta o aumento dos gastos e a queda na receita em meio a uma economia enfraquecida.

O déficit fiscal primário, que não leva em consideração os pagamentos de juros, atingirá R$ 177,4 bilhões este ano, um aumento em relação à previsão anterior de R$ 141,4 bilhões, segundo um relatório oficial publicado na quarta-feira.

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Os gastos públicos foram revisados para cima em mais 21,9 bilhões de reais, enquanto a previsão de receitas é 22,8 bilhões de reais menor.

O principal índice da bolsa brasileira operava próximo da estabilidade, com alta de 0,06% às 17h13 (horário de Brasília) depois de operar no negativo após a divulgação da nova projeção. O dólar reduziu as perdas e operava também perto da estabilidade, aos R$ 4,90.

Os investidores se preocupam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá pressionar para aumentar ainda mais os gastos em 2024 para fortalecer a atividade econômica. As preocupações fiscais também ameaçam um recente rali que levou as ações brasileiras perto de recordes.

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“Isso é apenas a confirmação do que temos alertado: que os gastos foram subestimados e as receitas superestimadas”, disse Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina no Goldman Sachs Group. “Esses desenvolvimentos deixam muito claro que o governo tem pouca inclinação para conter os gastos, muito menos cortá-los.”

As preocupações sobre a falta de vontade de Lula em conter os gastos públicos têm aumentado desde que o presidente de esquerda afirmou que o governo provavelmente não cumprirá a promessa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de eliminar o déficit no próximo ano, pois isso exigiria cortar bilhões de reais de projetos prioritários para o governo.

Haddad conseguiu convencer Lula e seus aliados a manterem inalterada a meta fiscal de 2024, mas poucos acreditam que ele conseguirá cumprir a promessa de déficit zero, uma vez que isso exigiria uma série de aumentos de impostos e outras medidas para aumentar a receita que precisam de aprovação do Congresso.

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“Qualquer notícia que implique menos responsabilidade fiscal no Brasil vai criar alguma volatilidade nos mercados locais”, disse Brendan McKenna, estrategista do Wells Fargo. “Estou ficando mais preocupado.”

Mais cedo, o Ibovespa subia com os investidores analisando falas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre os juros no Brasil, bem como dados da economia dos Estados Unidos.

Em entrevista à Bloomberg Television após o fechamento do mercado na terça-feira (21), Campos Neto disse que vê espaço para o BC continuar reduzindo a taxa de juros. Segundo ele, a inflação está bem comportada, o que permitiria o relaxamento monetário.

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“As taxas são tão restritivas no Brasil que podemos continuar o processo de redução dos juros, porque à medida que a inflação diminui, as taxas reais aumentam. Então temos espaço para baixar juros e ainda ficar em campo restritivo”, afirmou ele.

Cena externa

Antes do feriado de Ação de Graças (Thanksgiving) nos EUA na quinta-feira (23), em que as bolsas estarão fechadas em Wall Street, os investidores monitoram hoje indicadores da atividade americana como os pedidos semanais de seguro-desemprego, os pedidos de bens duráveis e os índices de confiança do consumidor, com destaque para o indicador da Universidade de Michigan.

Os pedidos de auxílio-desemprego, por exemplo, tiveram o menor resultado desde junho, indicando que os empregadores ainda estão mantendo os trabalhadores em um mercado de trabalho gradualmente desacelerado.

Os pedidos despencaram 24.000 para 209.000 na semana que terminou em 18 de novembro, de acordo com dados do Departamento de Trabalho divulgados nesta manhã. O número ficou abaixo de todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg com economistas.

Ontem, a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) fez pouco em alterar os preços dos ativos, de forma que o sentimento mais otimista com o fim do ciclo de aperto monetário do Fed permanece.

Ainda no cenário externo, a reunião da Opep+ que estava programada para este fim de semana foi adiada, em meio à insatisfação da Arábia Saudita com os níveis de produção de petróleo de outros membros. Agora, o encontro deverá ocorrer na próxima semana, segundo informações de delegados.

Desempenho prévio

No pregão de ontem (21), o Ibovespa fechou no vermelho, com queda de 0,26%, aos 125.626 pontos. O volume das negociações ficou em R$ 1.079.515.800.

As ações com as maiores altas foram: Bradespar (BRAP4), com +2,51%; Vale (VALE3), com +2,42%; Marfrig (MRFG3), com +1,93%.

As de maior queda foram: Petz (PETZ3), com -4,60%; EzTec (EZTC3), com -5,06%; MRV (MRVE3), com -5,74%.

No ano, o Ibovespa acumulava alta de 14,48% até o pregão anterior.

-- Conteúdo elaborado com auxílio de dados automatizados da Bloomberg. Com informações da Bloomberg News. Reportagem atualizada às 17h17.

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