Bloomberg — Os futuros das ações dos EUA operam em queda nesta quarta-feira (11) enquanto o petróleo Brent voltou a subir acima de US$ 90 por barril após ataques a embarcações no Oriente Médio. Os Treasuries ficaram mistos antes da divulgação dos dados de inflação dos EUA.
A volatilidade continuou a pressionar as bolsas: os contratos do S&P 500 caíram 0,2% após alta anterior de 0,5%. O Brent avançou mais de 4%, depois de despencar 11% na sessão anterior. Os títulos europeus recuaram fortemente após um dirigente de banco central alertar que a guerra pode forçar alta de juros mais cedo do que o esperado.
Com o conflito entrando na segunda semana, a Marinha britânica informou que três navios foram atacados no Estreito de Ormuz e no Golfo Pérsico na quarta-feira. Ao mesmo tempo, membros da Agência Internacional de Energia devem decidir ainda hoje sobre a maior liberação emergencial de reservas de petróleo da história.
As ações da Oracle saltaram 11% no pré-mercado após resultados fortes e perspectiva otimista. O índice europeu Stoxx 600 caiu 1,1%, enquanto dólar e ouro ficaram praticamente estáveis.
“Devemos enfrentar dias de volatilidade, já que o conflito no Oriente Médio está longe de ser resolvido”, disse Roland Kaloyan, chefe de estratégia de ações europeias do Societe Generale. “Há grande chance de vermos alternância entre dias de maior e menor apetite por risco.”
Oscilações no petróleo
A volatilidade disparou enquanto os traders tentam interpretar sinais contraditórios sobre o conflito. O petróleo registrou a maior queda diária em quatro anos na terça-feira, após mensagens mistas dos EUA sobre a guerra com o Irã.
O conflito não mostra sinais de arrefecimento depois que o presidente Donald Trump alertou o Irã contra a instalação de minas no Estreito de Ormuz.
O sentimento do mercado também foi afetado após o Financial Times informar que o JPMorgan reduziu o valor de alguns empréstimos e apertou concessões de crédito diante de preocupações com a qualidade do crédito.
Ao mesmo tempo, investidores se preparam para os dados de inflação dos EUA, que serão divulgados na quarta-feira, após o último relatório de emprego desafiar a percepção de que o mercado de trabalho estaria se estabilizando.
A expectativa é que o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI) — que exclui alimentos e energia — tenha subido 0,2% no mês passado, sugerindo algum alívio nas pressões inflacionárias antes de a guerra com o Irã introduzir nova incerteza para o cenário.
“Mesmo com a geopolítica em primeiro plano, os investidores querem que o CPI confirme a narrativa de desinflação com espaço para cortes de juros, em vez de reacender temores de inflação persistente”, disse Ulrich Urbahn, chefe de estratégia e pesquisa multiativos do Berenberg.
Veja a seguir outros destaques desta manhã de quarta-feira (11 de março):
- Porsche sob pressão. O novo CEO da Porsche, Michael Leiters, disse que planeja cortar custos e lançar modelos acima do 911 para elevar margens e geração de caixa. A montadora enfrenta queda nas vendas na China, tarifas nos EUA e revisão da estratégia de veículos elétricos, o que deve levar a um recuo na receita este ano.
- Amazon aumenta aposta em IA. A big tech planeja captar cerca de € 10 bilhões em sua primeira emissão de títulos em euros, com prazos de dois a 38 anos, para financiar investimentos em inteligência artificial. O movimento reflete a corrida das big techs para financiar infraestrutura de IA.
- Dona da Zara mostra resiliência. A Inditiex deu início ao ano fiscal com crescimento de 9% nas vendas nas cinco semanas até 8 de março, acima do ritmo de 2025. O desempenho ajudou a acalmar investidores e deu impulso às ações, enquanto a empresa planeja elevar investimentos em lojas e e-commerce.

🔘 As bolsas ontem (10/03): Dow Jones Industrials (-0,07%), S&P 500 (-0,21%), Nasdaq Composite (+0,01%), Stoxx 600 (+1,88%), Ibovespa (+1,40%)
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-- Com informações da Bloomberg News.
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