Bloomberg Línea — Mesmo com o Ibovespa se afastando das máximas do início do ano, a projeção do ASA para a bolsa brasileira segue otimista.
Rogério Freitas, head de investimentos da instituição financeira, reforçou a projeção dada pela casa no começo do ano, de que o índice pode alcançar os 300.000 pontos no médio prazo – desde que o resultado das eleições aponte para uma proposta de governo fiscalmente responsável.
Segundo Freitas, um cenário externo favorável para os mercados emergentes pode impulsionar o fluxo de capital para o Brasil, desde que o país faça “o dever de casa” na condução da política econômica.
Caso contrário, mesmo um ambiente internacional positivo não seria suficiente para evitar um desempenho mais fraco dos ativos locais. Se as duas condições se confirmarem, a expectativa é de um retorno expressivo do fluxo de investimentos para o mercado brasileiro.
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“O cenário de 300.000 pontos ainda continua atual, mas não é da noite para o dia. É uma projeção condicionada à eleição de um candidato fiscalmente responsável e depende também do ambiente global ao longo de 2027 – é algo que ocorreria ao longo de 12 a 18 meses, depois da eleição", afirmou Freitas em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (14).
O head de investimentos defendeu que as eleições presidenciais marcadas para outubro deste ano devem dar a tônica dos movimentos de mercado no segundo semestre, ao contrário dos seis primeiros meses do ano onde a dinâmica foi influenciada principalmente por fatores externos.
Os dois primeiros meses do ano foram marcados por forte entrada de capital estrangeiro, principalmente em ETFs ligados ao Ibovespa, acompanhando uma rotação de portfólio com saída de capital dos Estados Unidos. O movimento perdeu força ao longo do ano com a guerra no Oriente Médio e o retorno da aposta em inteligência artificial.
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Com a narrativa fortalecida no exterior, a expectativa é que os vetores locais passem a fazer mais preço na bolsa brasileira, especialmente quanto mais a eleição se aproxima.
O executivo citou o crescimento da dívida pública bruta, hoje em torno de 83% do PIB, como fator que torna essa discussão inevitável para o próximo governo.
Em um cenário de disciplina fiscal, a expectativa é que ativos ligados ao ciclo doméstico ganhem tração, com destaque para small caps, estatais e para a gestão ativa, com os gestores ganhando mais espaço para superar o CDI e o Ibovespa.
“Se, por outro lado, ocorrer a eleição de um candidato fiscalmente menos responsável, podemos ter os ativos de risco performando mal. Acredito que o dólar [será a melhor opção] em detrimento dos demais”, afirmou Freitas.
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Apesar da estrutura de cenários, o ASA reforça que a decisão eleitoral está longe de definida. Rogério afirmou que a disputa deve ser polarizada e apertada, com o resultado dependendo de uma fatia pequena do eleitorado, em torno de 3% da população, que tende a se decidir apenas nas últimas semanas antes da eleição.
“No Brasil, três meses são uma vida. Pode acontecer de tudo”, disse o executivo. Diante do alto grau de incerteza, a casa afirma adotar uma postura de espera antes de reforçar posições em um ou outro cenário.
“Na dúvida, o melhor é fazer o simples, com um mix de gestão passivas, especialmente em Ibovespa, e alguns gestores ativos”.
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