Dólar mais forte muda estratégia de operadores de carry trade e impulsiona emergentes

Gestores buscam depender menos da moeda americana para financiar operações de carry e recorrem a outras moedas que vão do euro ao dólar australiano; real também é visto como opção por alguns

U.S. one-hundred dollar banknotes are arranged for a photograph in Hong Kong, China, on Thursday April 23, 2020. Photographer: Paul Yeung/Bloomberg
Por Vinícius Andrade - Maria Elena Vizcaino
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Bloomberg — Os operadores dos mercados emergentes têm recorrido cada vez mais a moedas que vão do euro ao dólar australiano para financiar suas posições nos países em desenvolvimento, à medida que o dólar americano volta a se fortalecer.

Gestores de recursos, desde a Invesco até a AllianceBernstein, estão entre aqueles que afirmam estar dependendo menos do dólar para financiar posições em moedas de maior rendimento.

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O Morgan Stanley orientou seus clientes a se mostrarem otimistas em relação às moedas de países em desenvolvimento em comparação com uma cesta mais ampla que inclui não apenas o dólar, mas também o euro e o iene. E o Citigroup recomendou recentemente apostar que o real brasileiro se valorizará em relação ao euro e ao dólar australiano.


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“Na verdade, não estamos financiando as moedas de alto carry por meio do dólar americano, mas sim por meio de outras regiões do mundo”, afirmou Christian DiClementi, chefe de dívida de mercados emergentes da AllianceBernstein. “Não temos uma visão direcional de forte convicção sobre o dólar americano no momento.”

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Uma abordagem semelhante é adotada por Wim Vandenhoeck, codiretor de dívida de mercados emergentes da Invesco, que afirmou que a empresa diversificou a composição do financiamento para além do dólar americano em certas estratégias, incluindo o euro, o dólar canadense e, em menor grau, o iene.

Um dólar mais fraco injetou novo fôlego nos mercados emergentes no ano passado. Sua recuperação nos últimos meses abalou algumas das operações mais procuradas no mundo em desenvolvimento, minando a recuperação nos mercados de dívida e levando um índice de moedas de mercados emergentes brevemente a território negativo no ano.

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O renovado otimismo em relação ao dólar foi alimentado, em parte, pela chegada de Kevin Warsh ao comando do Federal Reserve. Seu compromisso com a restauração da estabilidade de preços e uma comunicação percebida como mais hawkish reforçaram as expectativas de que taxas mais altas nos EUA irão sustentar a moeda.

Mas, embora fatores como o investimento contínuo em inteligência artificial tenham atenuado a fraqueza do dólar, “o tema das operações de carry nos mercados emergentes continua a oferecer oportunidades atraentes”, afirmou Vandenhoeck, da Invesco.

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As operações de carry trade, nas quais os investidores tomam empréstimos em países onde as taxas de juros são baixas e investem onde elas são altas, têm sido uma forte fonte de retornos nos mercados emergentes.

Tomar empréstimos em dólares americanos para comprar uma cesta composta pelo real brasileiro, pelo peso colombiano e pela lira turca gerou um retorno de 26% desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma série de tarifas globais em abril de 2025.

A Colômbia e o Brasil, que oferecem algumas das taxas de juros reais mais altas dos mercados emergentes, viram suas moedas valorizarem-se em pelo menos 5% em relação ao dólar neste ano. Caso o Fed aumente os custos de financiamento, o diferencial de rendimento se estreitaria, reduzindo os retornos que os investidores podem obter com a operação.

Mesmo com o interesse pela estratégia permanecendo forte, os investidores estão se tornando mais cautelosos em relação aos riscos associados ao uso do dólar como moeda de financiamento.

Um dólar mais forte substituiu os riscos geopolíticos como a principal preocupação para os mercados emergentes, de acordo com uma pesquisa recente do HSBC com 101 instituições que, juntas, administram US$ 432 bilhões em ativos nessa classe de ativos.

A pesquisa também mostrou que as preferências em renda fixa “mudaram decisivamente” em favor da dívida em moeda forte.

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Cathy Hepworth, chefe de dívida de mercados emergentes da PGIM Fixed Income, adotou uma tendência de posição comprada no dólar em suas carteiras, mesmo continuando a enxergar valor em algumas moedas de maior rendimento. Em alguns casos, ela está utilizando o iene como moeda de financiamento para aproveitar os diferenciais de taxas de juros.

Para muitos investidores, o afastamento do financiamento exclusivamente em dólar tem menos a ver com a previsão de uma alta sustentada da moeda norte-americana do que com o gerenciamento da volatilidade potencial — que ressurgiu na quinta-feira, quando um relatório de empregos abaixo das expectativas fez o Índice Bloomberg Dollar Spot cair em até 0,7%.

Embora uma valorização desordenada do dólar seja um risco fundamental, as políticas comerciais e geopolíticas dos EUA, cada vez mais “confrontadoras”, devem atuar como um freio à moeda, reduzindo a probabilidade de um desfecho tão extremo, segundo Thierry Larose, gestor de carteiras da Vontobel.

Para Bill Campbell, que supervisiona as equipes globais de títulos soberanos e de mercados emergentes na DoubleLine Capital, de Jeffrey Gundlach, faz sentido diversificar o financiamento para fora do dólar nas operações com mercados emergentes ao longo do verão. Mas ele alertou contra o encerramento de todas as posições de financiamento em dólar, já que ainda não há clareza sobre o rumo do Fed.

“Não é como se fosse uma conclusão inevitável de que agora o dólar vai subir massivamente”, disse ele. “O que acontecerá se Warsh decidir que é melhor adiar o aumento da taxa até dezembro?”

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