Bloomberg Línea — A Iguatemi (IGTI11) informou nesta segunda-feira (5) que avalia com um co-investidor o desenvolvimento de um empreendimento imobiliário no Itaim Bibi, em São Paulo. Em comunicado ao mercado, a companhia não identificou o sócio e afirmou que ainda não há definição sobre as características, a destinação e a estrutura de financiamento do projeto.
O comunicado responde a reportagem publicada pela Coluna do Broadcast, na sexta-feira (2), e pela edição impressa do jornal O Estado de S. Paulo, no domingo (4). As regras da CVM permitem manter negociações em sigilo, mas obrigam a companhia a se manifestar quando a informação vaza.
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Segundo a publicação, o sócio da Iguatemi é o Grupo Catuaí, da família Khouri. As duas empresas são sócias da TF 61 Empreendimento Imobiliário, conforme registros oficiais consultados pelo jornal.
Procurado pela Bloomberg Línea, o Grupo Catuaí não respondeu de imediato ao pedido de comentário.
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A sociedade demoliu ao menos dois prédios numa quadra entre as ruas Jerônimo da Veiga e Amauri e tem alvará para uma torre de escritórios de 13 andares e 11,2 mil m², com lojas na fachada. No lote vizinho, de acordo com fontes do jornal, o plano é construir um hotel de luxo, com negociações em curso com a Four Seasons, rede controlada pela Cascade Investment, de Bill Gates.
JHSF na região
O terreno fica numa região em que a JHSF (JHSF3), dona do Fasano, concentra apostas na altíssima renda. No Itaim, o grupo já opera o hotel Fasano Itaim e constrói o Shops Faria Lima, na esquina com a rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior, perto das sedes de BTG Pactual, Itaú BBA, J.P. Morgan e Morgan Stanley.
Com 13 mil m², o dobro do Shops Jardins, deve abrir em 2027 com marcas e restaurantes inéditos no país. “Ele vai ser o principal shopping de alta renda da Faria Lima, tão relevante quanto o Shopping Cidade Jardim”, disse o CEO Augusto Martins à Bloomberg Línea em agosto de 2025.
Units da Iguatemi (IGTI11)
A volta da Four Seasons
A ligação entre a Four Seasons e os Khouri foi oficializada em 10 de dezembro de 2025, quando a rede anunciou em seu site o Four Seasons Hotel Rio de Janeiro, em parceria com a Catuaí Asset. O hotel ocupará o prédio do antigo Marina Palace, no Leblon, com cerca de 120 quartos, bar e piscina na cobertura, e deve abrir em 2029. Foi a volta da marca ao Brasil, segundo o CEO Alejandro Reynal.
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Uma semana antes, em 3 de dezembro, a Bloomberg Línea havia perguntado à Four Seasons sobre informações de que a rede teria se associado à Iguatemi para abrir dois hotéis no país. A resposta foi que a empresa “avalia regularmente diversos mercados em crescimento” e está sempre explorando novos destinos. Ao Estadão, a rede repetiu a mesma frase.
A rede canadense foi inaugurada em São Paulo em outubro de 2018 dentro do complexo multiuso Parque da Cidade, na Avenida das Nações Unidas. O contrato de gestão foi encerrado em comum acordo com a proprietária do imóvel em dezembro de 2020, totalizando pouco mais de dois anos completos de funcionamento na capital paulista.

O que disse o CEO
Em entrevista à Bloomberg Línea em maio, o CEO da Iguatemi, Ciro Neto, foi perguntado se a companhia avançaria sobre hotelaria e outros negócios de luxo. “Existem muitas pessoas que nos procuram para fazer negócio com a gente de todos os jeitos”, afirmou.
“O que a gente está focado nesse momento é entregar os projetos que a gente se comprometeu a entregar”, disse na ocasião.
Neto, que citou JHSF, Multiplan (MULT3) e Allos (ALOS3) entre os concorrentes, disse que o grupo funciona como porta de entrada de grifes no país e opera diretamente nove marcas internacionais, como Polo, Birkenstock e Louboutin. “Se uma marca quer entrar no Brasil, ela entra com a gente”, disse.
Prioridades de curto prazo
Na mesma entrevista, o executivo afirmou que a Iguatemi não tinha greenfield no radar. As prioridades eram a expansão do shopping de Brasília, o rooftop do Iguatemi São Paulo e o bairro planejado ao lado do Iguatemi Campinas.
A companhia vendeu fatias de cinco shoppings por R$ 876,1 milhões. O presidente do conselho, Pedro Jereissati, sinalizou mais dividendos e recompras com o fim do ciclo de investimentos, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11).
Os novos minoritários acompanham essa equação: a espanhola Azvalor chegou a 4,5% do capital, e a BlackRock passou de 5% das preferenciais em 30 de setembro.
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