Bloomberg Línea — Os investidores nesta terça-feira (5) “digerem” os dados considerados decepcionantes da China e ficam de olho na divulgação de novos indicadores econômicos dos Estados Unidos e do Brasil em uma semana de menor liquidez por causa de feriados nos dois países.
No cenário corporativo, depois de oito meses de silêncio e sem aparição, o ex-CEO das Lojas Americanas (AMER3) Miguel Gutierrez tentou se defender e alegou em documento ser um bode expiatório de “figuras poderosas”, culpando os acionistas bilionários pela fraude contábil da ordem de R$ 20 bilhões revelada no começo do ano, que fez a dívida da empresa dobrar e a levou a pedir recuperação judicial.
Na China, dados divulgados na manhã de terça (5) decepcionaram. O Índice dos Gerentes de Compras (PMI) de serviços caiu para 51,8 pontos no mês passado, ante 54,1 em julho, informaram a Caixin e a S&P Global em um comunicado. Embora a leitura ainda esteja acima da linha dos 50 pontos que separa a expansão da atividade da contração, foi o ritmo mais fraco desde dezembro de 2022.
Na zona do euro, o economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, ofereceu uma visão cautelosamente otimista sobre a inflação, afirmando que a desaceleração nos índices de bens e serviços é bem-vinda e que as pressões subjacentes continuarão enfraquecendo.
Em uma entrevista ao site irlandês The Currency, Lane descreveu 2023 como o ano do “pico da segunda rodada”, à medida que os efeitos dos aumentos anteriores se refletem na economia.
Já nos Estados Unidos, dados recentes mostram que a economia segue aquecida, embora muitos economistas afirmem que o Federal Reserve (Fed) encerrou sua campanha de aperto da política monetária que já dura 18 meses. O Goldman Sachs (GS) agora vê uma probabilidade de 15% de uma recessão nos EUA no próximo ano, uma redução de cinco pontos percentuais em relação à estimativa anterior.
Confira a seguir cinco destaques desta terça-feira (5):
1. China preocupa
Uma pesquisa privada do setor de serviços da China mostrou que a atividade expandiu-se à taxa mais lenta neste ano em agosto, à medida que o impulso pós-covid diminui e as perspectivas econômicas desafiadoras impedem as pessoas de gastar mais.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) de serviços caiu para 51,8 no mês passado, ante 54,1 em julho, de acordo com um comunicado da Caixin e da S&P Global. Embora a leitura ainda esteja acima da linha dos 50 pontos que separa a expansão da contração, foi o ritmo mais fraco desde dezembro de 2022.
A queda ocorreu principalmente devido a um aumento mais fraco no volume total de novos trabalhos, com os novos negócios no exterior caindo pela primeira vez neste ano.
“A recuperação no setor de serviços da China, ou até mesmo no consumo, está em andamento, mas não de forma tão forte quanto as pessoas esperavam”, disse Larry Hu, economista-chefe para a China do Macquarie Group. “As pessoas não estão muito otimistas em relação à sua renda futura devido às dificuldades econômicas e, portanto, tendem a economizar mais.”
2. Ex-CEO da Americanas culpa acionistas
O ex-CEO da Americanas Miguel Gutierrez, que comandou a empresa por 20 anos, falou pela primeira vez desde que a empresa teve revelado um rombo contábil da ordem de R$ 20 bilhões e entrou em processo de recuperação judicial: ele “apontou o dedo” para os acionistas bilionários da empresa.
Gutierrez, que trabalhou na varejista por três décadas, das quais as duas últimas no comando, foi apontado, por sua vez, por executivos atuais e antigos como o arquiteto por trás de uma fraude contábil massiva que fez com que a dívida da empresa dobrasse para mais de R$ 40 bilhões. Ele enviou seus comentários em um documento para um tribunal em São Paulo.
Ele disse que nunca participou, autorizou, ordenou, tolerou ou teve conhecimento de qualquer tentativa de manipular as contas financeiras da empresa. “Tornei-me um bode expiatório a ser sacrificado em nome da proteção de figuras notórias e poderosas do capitalismo brasileiro”, disse ele, em um documento separado enviado a uma comissão do Congresso que investiga o caso.
Os acionistas bilionários são os homens mais ricos do Brasil, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Sicupira, que co-fundaram a empresa de aquisições 3G Capital e foram os arquitetos de grandes fusões e aquisições nas últimas décadas, que resultaram na Anheuser-Busch Inbev e na Kraft Heinz.
3. Mercados
As ações europeias recuaram após a divulgação de novos dados econômicos considerados desanimadores da zona do euro e da China, enquanto a moeda única afundou para uma cotação mínima de quase três meses em relação ao dólar.
O índice Stoxx 600 caiu até 0,8%, registrando queda pelo quinto dia consecutivo, enquanto os futuros de ações dos EUA também recuaram.
O dólar se fortaleceu até 0,5% em relação aos seus pares do Grupo dos Dez, atingindo o nível mais alto desde março. Os rendimentos dos Treasuries dos Estados Unidos subiram após o feriado do Dia do Trabalho nos EUA na segunda.
Na Europa, o índice composto de gerentes de compras ficou aquém das expectativas, registrando uma contração pelo terceiro mês consecutivo.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Ex-CEO diz à Justiça que Sicupira sabia de crise na Americanas e culpa acionistas
Folha de S. Paulo: Governo vai depender do Congresso para pagar Bolsa Família e Previdência em 2024
O Globo: Mudança na regra do MEI deve beneficiar quase meio milhão de empreendedores
Valor Econômico: Início do ciclo de corte de juro eleva busca por fundos de renda fixa ‘turbinados’
5. Agenda
No Brasil, a agenda começa às 9h, no horário de Brasília, com a divulgação da produção industrial do país em julho. Às 10h, são publicados o PMI Composto S&P Global e o PMI do Setor de Serviços S&P Global.
Nos Estados Unidos, às 11h são publicados dados sobre as encomendas à indústria.
Na zona do euro, às 9h30 acontece o pronunciamento de Isabel Schnabel, do Banco Central Europeu (BCE). Luis de Guindos, também do BCE, discursa às 11h30.
-- Com informações da Bloomberg News.
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