Bloomberg Línea — Os investidores repercutem nesta terça-feira (24) o anúncio da Petrobras (PETR3; PETR4) feito no dia anterior sobre uma proposta de mudanças no estatuto social da companhia.
Os traders também ficam de olho na divulgação dos resultados da Microsoft (MSFT) e do Google (GOOGL), após o fechamento dos mercados.
Nos Estados Unidos, hoje é divulgado o índice de atividade dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial e composto às 10h45, no horário de Brasília.
Na zona do euro, mais cedo, dados mostraram que o setor privado começou o último trimestre de 2023 com outro desempenho fraco, indicando que a economia da região pode estar em recessão.
A chefe do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, acredita que a luta contra a inflação está indo bem, mas a falta de um acordo regional sobre regras fiscais está se transformando em uma dor de cabeça, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto que disseram à Bloomberg News.
Confira a seguir cinco destaques desta terça-feira (24):
1. Proposta da Petrobras
Os acionistas da Petrobras receberam mais um lembrete de que a bonança de dividendos chegou ao fim.
A empresa anunciou na segunda-feira (23) uma proposta de mudanças no estatuto social que podem reduzir o pagamento total de dividendos e alterar a forma de nomeação da alta administração e do conselho fiscal da companhia.
Quatro dos 11 membros do conselho de administração, que representam os acionistas minoritários, votaram contra a proposta, segundo pessoas a par do assunto que falaram à Bloomberg News e pediram anonimato ao discutirem os acontecimentos da reunião.
A proposta pode reduzir o potencial para futuros pagamentos extraordinários de dividendos, de acordo com analistas e operadores, já que traz a criação de uma reserva para a remuneração do capital — que irá assegurar o pagamento de dividendos, recompra de ações e absorção de prejuízos.
A proposta de reserva “aumenta as incertezas em nossa projeção para o pagamento de um potencial dividendo extraordinário”, escreveram em nota os analistas do Goldman Sachs, liderados por Bruno Amorim. “Além disso, notamos que a proposta deixa espaço para a indicação de indivíduos politicamente expostos para cargos de gestão.”
2. Balanços tech
As elevadas taxas de juros fizeram com que os valuations já esticados no setor de tecnologia deixassem as empresas ainda mais caras, ao mesmo tempo em que China e os EUA intensificam restrições regulatórias. Além disso, o conflito entre Israel e o Hamas tornou ativos de risco uma aposta mais arriscada.
Apesar da maior volatilidade, as gigantes de tecnologia permanecem como a estratégia mais popular entre os gestores de fundos, de acordo com o Bank of America (BAC).
Isso levou os investidores a buscarem mais proteção contra uma queda nas ações da Alphabet e da Microsoft – duas das poucas empresas de peso responsáveis por todo o avanço do índice S&P 500 este ano. Os investidores estão contando com essas empresas para apresentar um crescimento de lucros grande o suficiente para impulsionar as ações — ou pelo menos o suficiente para justificar os ganhos deste ano.
Quando a Microsoft divulgar seus resultados, grande parte do foco estará no desempenho de seu negócio de computação em nuvem Azure, onde as vendas devem aumentar 27% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo estimativas de analistas consultados pela Bloomberg.
A Alphabet dará aos investidores uma visão sobre a recuperação no mercado de publicidade digital, que representa a maioria de sua receita. As vendas totais da dona do Google deverão aumentar 10%, o que seria seu melhor crescimento em cinco trimestres.
3. Mercados
Os mercados globais de títulos se recuperaram, com o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA de 10 anos caindo para 4,8%, em meio a crescentes especulações de que o recente selloff foi exagerado. Os futuros do índice Nasdaq 100 subiam 0,6% por volta das 9h (horário de Brasília), em dia dos balanços da Microsoft e da Alphabet.
Na Europa, o índice Stoxx 600 subia cerca de 0,2%. Já o bitcoin ultrapassou os US$ 35.000 e o euro perdeu terreno em relação ao dólar, à medida que dados mostraram dificuldades nas economias francesa e alemã.
Os títulos do Tesouro estão se recuperando depois que alguns dos principais pessimistas do mercado alertaram sobre uma desaceleração econômica, aumentando as apostas de que as quedas exageraram e que o Federal Reserve precisará reduzir as taxas de juros.
4. Manchetes dos principais jornais
Estadão: Haddad tem semana decisiva para pauta econômica no Congresso em meio a insatisfação de parlamentares
Folha de S. Paulo: Seis dos 12 detidos por ataque a ônibus foram soltos, diz Castro
O Globo: Milícia que aterrorizou o Rio foi criada por policiais e vive crise interna após morte de chefe
Valor Econômico: Definição do primeiro turno na Argentina traz certo alívio às empresas
5. Agenda
Na zona do euro, às 9h30 acontece o discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE).
Nos Estados Unidos, às 14h acontece o leilão americano note a dois anos. Às 17h30, são divulgados os estoques de petróleo bruto semanal API.
-- Com informações da Bloomberg News
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