Bloomberg Línea — Esta quarta-feira (31) é cheia para os investidores, com o anúncio da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed).
Na Europa, dados mostraram pressões de preços em desaceleração na França, contribuindo para o otimismo de que o Banco Central Europeu (BCE) pode começar a reduzir as taxas já em abril.
Ontem, os resultados da Microsoft (MSFT) e da Alphabet, dona do Google (GOOGL), não corresponderam às expectativas do mercado. Na Microsoft, a receita aumentou na taxa mais rápida desde 2022, impulsionada em parte por produtos de inteligência artificial que ajudam a impulsionar a adoção de seus serviços de data center.
Apesar do momento positivo, as ações da Microsoft caíram. Wall Street desejava mais clareza sobre quanto a inteligência artificial contribuirá para o desempenho financeiro no futuro, segundo o analista da CFRA Research, Angelo Zino.
No caso do Google, a fraqueza em seu negócio principal de publicidade em buscas levantou preocupações. No entanto, o relatório trimestral também gerou perguntas sobre se a empresa está sendo agressiva o suficiente em inteligência artificial e corre o risco de ficar para trás da Microsoft.
Confira a seguir cinco destaques desta quarta-feira (31):
1. Copom e a Selic
O Copom deve reduzir a Selic para 11,25% em sua primeira reunião com os novos diretores indicados pelo governo e manter a sinalização de cortes no mesmo ritmo nas “próximas reuniões” de política monetária, segundo analistas.
O Banco Central deve anunciar nesta quarta-feira o quinto corte seguido de 0,50 ponto porcentual da taxa básica, segundo os economistas pesquisados pela Bloomberg. O mercado de juros também precifica redução nessa mesma dose nos dois próximos encontros do Copom.
A queda da inflação permite a manutenção dos cortes, mas a alta dos preços de serviços, vista no IPCA-15 de dezembro, impõe cautela, na avaliação de analistas. Já o efeito do El Niño mostra arrefecimento.
No comunicado, 2025 pode ganhar maior peso para o BC. A piora dos riscos geopolíticos pelos conflitos no Oriente Médio, que sustentam os preços do petróleo, e a trajetória dos juros no exterior também estarão no foco — o Fed anuncia sua decisão poucas horas antes do Copom.
2. Fed e os juros
O Federal Reserve provavelmente manterá as taxas de juros inalteradas em sua quarta reunião consecutiva, evitando sinalizar um corte iminente nas taxas de juros.
O Comitê Federal de Mercado Aberto está pronto para manter as taxas em uma faixa de 5,25% a 5,5% em sua reunião de política de dois dias que termina na quarta, alcançando pela primeira vez em julho o patamar mais alto em 22 anos. A decisão sobre a taxa e o comunicado que a acompanha serão divulgados em Washington. O presidente Jerome Powell realizará uma coletiva de imprensa 30 minutos depois.
Os investidores veem uma chance de aproximadamente 40% de o banco central reduzir as taxas pela primeira vez em março, quase oito meses após o último aumento, mas a maioria dos funcionários do Fed afirmou ser muito cedo para especular sobre uma mudança nessa direção.
Powell pode expressar satisfação com as recentes quedas na inflação, ao mesmo tempo que indica pouca urgência para cortar as taxas, destacando um mercado de trabalho sólido e uma economia que está crescendo vigorosamente.
“Você não pode negar o fato de que a inflação caiu bastante, e eu não acho que eles queiram”, disse Seth Carpenter, economista-chefe global do Morgan Stanley (MS). “Por outro lado, não acho que haverá uma grande faixa dizendo ‘Missão Cumprida’”.
O indicador preferido do Fed para a inflação subjacente desacelerou para uma mínima de quase três anos em dezembro. Excluindo alimentos e energia, a medida subiu 1,9% em uma base anualizada de seis meses, ficando abaixo da meta de 2% do Fed pelo segundo mês consecutivo.
3. Mercados
Os futuros de ações dos EUA caíram após os ganhos das gigantes de tecnologia ficarem aquém das altas expectativas de Wall Street, e conforme os investidores se preparavam para a primeira decisão de taxa de juros do ano do Federal Reserve. Contratos do Nasdaq 100 recuaram 1,4%, enquanto os do S&P 500 recuaram 0,6%.
Microsoft, Alphabet e Advanced Micro Devices (AMD) registraram quedas nas negociações pré-mercado após suas atualizações não corresponderem ao recente entusiasmo em torno de megacaps de tecnologia e inteligência artificial.
Em outras movimentações individuais de ações, Paramount Global disparou 21% depois que a Bloomberg relatou que o magnata dos meios de comunicação Byron Allen fez uma oferta de US$ 14,3 bilhões pela empresa. Tesla caiu até 3,4% depois que o pacote salarial de Elon Musk, no valor de US$ 55 bilhões, na fabricante de automóveis elétricos, foi rejeitado pela Justiça de Delaware.
4. Manchetes dos principais jornais
Estado de S. Paulo: BNDES prepara ‘cartão de crédito’ para PMEs com garantia do Tesouro e linha de R$ 8,4 bi com Sebrae
Folha de S. Paulo: Reservas internacionais crescem no 1º ano de Lula após redução sob Bolsonaro
O Globo: Caso Abin gera baixas e reforça desconfiança de Lula em relação aos órgãos de inteligência
Valor Econômico: Resultados do trimestre devem mostrar melhora com ajuda das commodities
5. Agenda
Brasil:
- 9h: Taxa de Desemprego no Brasil
- 13h: Índice de Evolução de Emprego do CAGED
- 14h30: Fluxo Cambial Estrangeiro
- 18h: Taxa de Juros Selic
Estados Unidos:
- 10h15: Variação de Empregos Privados ADP
- 10h30: Índice do Custo do Emprego
- 11h45: PMI de Chicago
- 12h30: Estoques de Petróleo Bruto
- 12h30: Estoques de Petróleo em Cushing
- 16h: Declaração do FOMC
- 16h: Taxa-alvo de Fundos Fed
- 16h30: Coletiva de Imprensa FOMC
China:
- 22h45: PMI Industrial Caixin
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