Bloomberg Línea — A espanhola Inditex, dona da varejista Zara, retomou a expansão geográfica no Brasil e vai levar duas de suas marcas a capitais fora do eixo Rio-São Paulo até o fim de 2026.
A Zara abre neste mês no BarraShoppingSul, em Porto Alegre. A Bershka chega a Brasília antes de dezembro, na terceira loja da etiqueta jovem no país, informou o grupo espanhol em comunicado enviado à Bloomberg Línea.
A companhia descreve o movimento como um desenvolvimento seletivo, acompanhando a evolução da demanda dos clientes e buscando as melhores localizações para cada marca.
A rede brasileira somava 56 endereços e mais de 3.000 empregados ao fim de agosto, também segundo a nota. São 45 lojas da Zara, nove da Zara Home e duas da Bershka.
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Todas as praças citadas no comunicado pertencem à Multiplan (MULT3). A administradora carioca virou a porta de entrada do conglomerado espanhol no Brasil.
Porto Alegre marca um retorno. A bandeira principal manteve loja no BarraShoppingSul, na zona sul da capital gaúcha, por 14 anos, e deixou o shopping em 2022. Restou na cidade apenas a unidade do Iguatemi.
A nova operação ocupará 2.643 metros quadrados no primeiro piso e será a maior da rede no Rio Grande do Sul, informou o empreendimento. A abertura será neste mês, quando o BarraShoppingSul também ganha uma loja da francesa Sephora, marca da LVMH.
Bershka em Brasília
A Bershka estreou no Brasil em março, no MorumbiShopping, em São Paulo, e abriu no último dia 27 de agosto no BarraShopping, no Rio de Janeiro, com mais de 1.000 metros quadrados de área comercial.
Os dois shoppings são da Multiplan (MULT3). O único empreendimento da administradora em Brasília que abriga uma loja da Zara é o ParkShopping, no Guará.
O ParkShopping deve inaugurar em 18 de novembro sua 10ª expansão, com R$ 221 milhões investidos, mais de 9 mil metros quadrados de ABL (Área Bruta Locável) e cerca de 60 novas operações. Entre as estreias já anunciadas estão Coach, Michael Kors, Dolce & Gabbana Beauty e Hoka.
Ao instalar a etiqueta jovem em praças já testadas pela bandeira principal, a Inditex encurta o tempo de maturação da loja e trabalha com público e fluxo medidos. O ParkShopping registrou 12 milhões de visitas e R$ 1,84 bilhão em vendas em 2025, com 84% do público nas classes A e B, segundo dados da Multiplan.
Enquanto avança em novas capitais, a companhia atualiza e amplia o que já tem, na Zara e na Zara Home. A política, que o relatório anual do grupo chama de otimização de rede, reduz o número de endereços e amplia a área de vendas por unidade.
O Brasil entrou nesse ciclo em outubro de 2025, quando a Zara reinaugurou sob novo conceito as lojas do ParkShoppingBarigüi, em Curitiba, e do Iguatemi Porto Alegre, com cerca de 2.000 metros quadrados cada. O shopping curitibano também é da Multiplan.
A maior dessas obras está no Rio. A loja da Zara no BarraShopping reabre ampliada neste segundo semestre, no mesmo empreendimento em que a Bershka acaba de estrear.
As lojas seguem os conceitos mais recentes das marcas, com atenção à experiência do cliente e à integração entre os canais físico e digital, informou a companhia. O modelo permite consultar a disponibilidade de produtos, localizar itens dentro da loja e retirar gratuitamente pedidos feitos pela internet.
Em 2021, a Zara fechou sete lojas no país, as menores da rede e sem estrutura para unir canal físico e online. Campo Grande, Joinville e Uberlândia ficaram sem atendimento presencial, e a marca saiu de São Bernardo do Campo, Vila Velha e São José.
A Zara Home recuou em Fortaleza, onde chegara com a Zara na expansão do Iguatemi de 2014 e hoje não aparece no mix. Cinco anos depois, a companhia refaz o caminho inverso, com lojas maiores e a marca jovem à frente.
Estratégia continental
O avanço para novas praças acompanha o plano da matriz para o continente. O presidente-executivo, Óscar García Maceiras, anunciou em março, na apresentação dos resultados anuais, que a Bershka abriria suas primeiras lojas físicas no Brasil e nos EUA em 2026, e que o grupo chegaria ao 99º mercado com a estreia da Zara em Curaçao.
A pressa com a marca jovem responde ao ponto mais frágil da companhia no país. A Zara nunca disputou o consumidor de baixo tíquete, faixa em que o mercado mais mudou nos últimos dois anos.
A concorrente H&M avançou para novas capitais no mesmo semestre. A varejista sueca anunciou em 13 de agosto quatro lojas, entre elas as duas primeiras do Nordeste, nos shoppings RioMar Recife e RioMar Fortaleza, além do NorteShopping e do Shopping Tijuca, no Rio de Janeiro. A rede chegará a 13 endereços no país, em três das cinco regiões, e estima mil novos postos de trabalho.
A Bershka trabalha com preços abaixo dos da Zara e mira o público de 13 a 25 anos. Soma 854 lojas em 68 mercados e é a segunda maior cadeia do conglomerado.
Falta ao calendário a terceira marca prometida ao país. A Massimo Dutti, do luxo acessível, teve a vinda confirmada por Maceiras em assembleia de acionistas de julho de 2025 e foi apresentada em janeiro ao lado da Bershka como estreia de 2026, conforme a Bloomberg Línea publicou. Nunca houve local nem data.
A Inditex encerrou 2025 com 5.460 lojas no mundo, receita líquida de € 39,9 bilhões e lucro de € 6,2 bilhões, segundo o balanço anual. É o maior conglomerado de moda do mundo e reúne ainda Pull&Bear, Stradivarius, Oysho e Lefties, nenhuma delas no Brasil.
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