BlackRock e JPMorgan apostam em emergentes diante de turbulência global de títulos

Altas taxas de juros reais e posições fiscais mais sólidas oferecem aos investidores tanto renda quanto um porto seguro para superar a volatilidade, na visão de analistas

Prague
Por Selcuk Gokoluk
PUBLICIDADE

Bloomberg — À medida que os títulos públicos das principais economias sofrem pressões, fundos como os administrados pela JPMorgan Asset Management e pela BlackRock encontraram uma vantagem inesperada nos mercados emergentes.

A dívida pública, dos Estados Unidos ao Japão, despencou à medida que a inflação impulsionada pelos preços da energia e as preocupações fiscais reacendem a perspectiva de taxas de juros mais altas.

PUBLICIDADE

No entanto, grande parte do mundo em desenvolvimento escapou do pior da onda de vendas, auxiliada por uma inflação que permanece relativamente contida, por uma política monetária já restritiva e por posições fiscais mais sólidas em alguns países.


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


Altas taxas de juros reais e posições fiscais mais sólidas em partes do mundo em desenvolvimento oferecem aos investidores tanto renda quanto um porto seguro para superar a volatilidade que abala os maiores mercados de títulos.

PUBLICIDADE

Leia também: As ações mais recomendadas para setembro, segundo 10 bancos e corretoras

A recente onda global de vendas de títulos “torna os mercados emergentes mais atraentes, pois atuam como um diversificador de renda”, afirmou Pierre-Yves Bareau, diretor de investimentos para dívida de mercados emergentes da JPMorgan Asset Management.

Os títulos de mercados emergentes em moeda local apresentaram retorno de 3,6% neste ano, mesmo com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e seus equivalentes europeus registrando perda de 0,6%, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

PUBLICIDADE

O índice de moedas MSCI EM avançou por 11 semanas consecutivas — sua sequência mais longa de ganhos desde 2007 — e atingiu mais uma alta recorde na segunda-feira (7).

Leia também: Pais incentivam filhos a investir e impulsionam novos negócios de corretoras nos EUA

“Isso demonstra a resiliência dessa classe de ativos”, afirmou Elina Theodorakopoulou, gestora de carteira de dívida de mercados emergentes da Manulife Investment Management, que vê a recente onda de vendas como “uma oportunidade relativa para a dívida global de mercados emergentes”.

PUBLICIDADE

Em contraste com seus pares dos mercados desenvolvidos, os bancos centrais dos mercados emergentes têm mais margem de manobra para traçar seu próprio rumo.

A inflação nas economias em desenvolvimento está em média em 3,8%, segundo o JPMorgan, cerca de um terço do nível registrado durante o choque de 2022.

O banco estima que as autoridades tenham cerca de um ponto percentual a mais de margem para absorver as pressões sobre os preços do que tinham há quatro anos.

Essa flexibilidade já está em evidência. Brasil, Turquia e Hungria reduziram as taxas de juros em agosto, enquanto a Coreia do Sul e as Filipinas adotaram medidas de aperto monetário. O banco central tcheco manteve as taxas inalteradas após aumentá-las em junho.

“Com a inflação ainda contida e o crescimento próximo ou ligeiramente abaixo do potencial em várias economias emergentes, as taxas locais também devem permanecer relativamente bem ancoradas diante da onda de vendas de títulos nos mercados desenvolvidos”, afirmou Chris Kushlis, estrategista-chefe de macroeconomia para mercados emergentes da T. Rowe Price. Sua equipe privilegia títulos em moeda local no Brasil, na Hungria, no México e na África do Sul.

Leia também: Trump volta a pressionar o Fed a reduzir os juros: ‘Deveríamos estar em 1% ou 0,5%’

Da mesma forma, Michel Aubenas, diretor de dívida de mercados emergentes da BlackRock, está de olho em títulos nos quais espera que os bancos centrais surpreendam os investidores ao manter as taxas inalteradas.

A BlackRock, assim como a Société Générale, privilegia os mercados tchecos, partindo do pressuposto de que as autoridades não serão pressionadas a elevar as taxas. Os preços de mercado indicam um aumento de 25 pontos-base até o final deste ano, totalizando 100 pontos-base até meados de 2027, mas a SocGen espera que o banco central tcheco mantenha as taxas em 3,75% no futuro próximo.

O estrategista do SocGen, Juan Orts, também argumenta que as apostas do mercado de que o Banco Nacional da Polônia realizará três aumentos de um quarto de ponto são exageradas.

“O mercado é sempre muito agressivo”, afirmou Bareau, do JPMorgan, cujos fundos privilegiam títulos em moeda local e dívida soberana de grau especulativo. “Mesmo que alguns bancos centrais aumentem as taxas antes da inflação, eles não proporcionarão todo o prêmio que o mercado está precificando.”

Leia também: Ouro em foco: gestoras com US$ 27 trilhões sob gestão renovam apostas no metal

A história também oferece algum incentivo. A dívida dos mercados emergentes costuma apresentar bom desempenho durante os ciclos de aperto monetário do Federal Reserve, quando as taxas mais altas são impulsionadas por um crescimento mais forte, e não pela inflação e por tensões fiscais.

Espera-se que o crescimento nas economias de mercados emergentes permaneça estável em cerca de 3,7% este ano, uma taxa que está ajudando a fortalecer as finanças públicas e impulsionando uma tendência favorável nos ratings de países como Argentina, Gana e Nigéria.

Em contrapartida, as pressões fiscais estão aumentando em governos com gastos elevados no mundo desenvolvido e elevando os rendimentos.

“O esbanjamento fiscal dos mercados desenvolvidos em geral torna os mercados emergentes mais interessantes”, afirmou Thomas Christiansen, diretor de investimentos e chefe da área de dívida de mercados emergentes da Union Bancaire Privee. “E, até certo ponto, acredito que os movimentos no mercado de títulos dos mercados desenvolvidos nas últimas semanas sejam um reflexo disso.”

-- Com a colaboração de Peter Laca, Srinivasan Sivabalan e Mpho Hl

Veja mais em Bloomberg.com

Leia também

De JBS a Itaú e Petrobras: as ações brasileiras na carteira do BofA em 2026