Barcelona, Espanha — A divisão de opiniões entre os membros do Federal Reserve (Fed) sobre a pausa de junho na alta dos juros, revelada na ata do último encontro, amplia a posição defensiva nos mercados. Esse fator também aumenta a expectativa pelo relatório de emprego dos Estados Unidos, que será conhecido amanhã, enquanto os investidores avaliam hoje outros dados do mercado de trabalho norte-americano.
Os futuros de índices dos EUA recuavam, assim como as bolsas europeias, onde as perdas superavam 1%. No mercado asiático, os índices também fecharam negativos, com desvalorização de mais de 3% no índice Hang Seng.
No mercado de dívida, o prêmio do título norte-americano para 10 anos avançava para 3,968% às 5h42 (horário de Brasília). Entre as divisas, o dólar se depreciava pouco, assim como o euro, enquanto a libra se apreciava.
O banco central chinês ampliou o suporte ao yuan por meio de uma taxa de referência diária mais forte, depois que os maiores bancos da China decidiram na véspera reduzir as taxas dos US$453 bilhões em depósitos corporativos em dólares americanos.
Estrategistas Bank of America (BAC) avaliam que o governo chinês até agora trouxe “um estímulo fraco” para a economia. “Acreditamos que o governo precisará enviar sinais mais claros para apoiar a economia e os setores privados, para ajudar a reconstruir a confiança”, informou em relatório.
Em outros mercados, os contratos de petróleo WTI subiam e os de ouro recuavam. A cotação do bitcoin avançava mais de 2% acima de US$31.000.
O CEO da BlackRock (BLK), Larry Fink, disse nesta quarta-feira que o bitcoin é um “ativo internacional” e que buscará tornar o investimento na criptomoeda mais fácil e barato.
A empresa entrou com pedido na SEC no mês passado para criar um fundo negociado em bolsa que investe diretamente em bitcoin. O token subiu mais de 12% apenas em junho e acumula alta de mais de 80% no ano. “Esperamos que nossos reguladores vejam esses registros como uma forma de democratizar a criptomoeda”, disse em entrevista à Fox Business.
→ O que move os mercados hoje
👁️🗨️ Olho no emprego. A previsão do mercado é de que o relatório JOLTS de hoje mostre uma redução nas vagas de emprego disponíveis e que os pedidos de seguro-desemprego aumentem, em um sinal de esfriamento do mercado e menor pressão inflacionária. O presidente do Fed de Nova York, John Williams, reforçou que os próximos passos do Fed dependem de dados.
🧧 Sem ajuda. Os investidores chineses estão céticos em relação à chance de Pequim anunciar estímulos econômicos mais agressivos. Segundo a visão captada pelo Goldman Sachs em encontros com investidores, a perspectiva é que o governo chinês continue avaliando suas opções em reunião do Partido Comunista, no final deste mês.
🏭 Reação alemã. O setor industrial da Alemanha registrou um aumento de +6,4% das encomendas em maio, indo muito além da previsão média do mercado de +1% sobre abril. O dado sinaliza que pode haver um aumento de produção que ajude a maior economia europeia a se recuperar da recessão.
🚘 Trégua na China. A Tesla (TSLA) e seus principais rivais chineses, incluindo a BYD, se comprometeram formalmente a evitar uma prática “anormal” de preços e manter a concorrência justa no mercado de veículos elétricos na China. O acordo assinado por 16 montadoras nesta quinta-feira pode pôr fim à guerra de preços disparada pela Tesla, que levou o setor do país a uma redução média de 6% nos preços entre janeiro e maio.
🛢️ Lucro menor. A Exxon Mobil (XOM) prevê uma redução do lucro da ordem de US$4 bilhões no segundo trimestre, ante os primeiros três meses do ano, devido aos preços mais baixos do gás natural e margens menores na área de refino. As ações da empresa recuavam 0,85% às 6h11 (horário de Brasília) nas operações prévias à abertura do mercado.
💵 Dividendos pós-teste. O Bank of America (BAC) planeja elevar seu dividendo do terceiro trimestre de US$0,22 para US$0,24 por ação após ter passado no teste de estresse do Fed. JPMorgan (JPM), Citigroup (C), Wells Fargo (WFC), Morgan Stanley (MS) e Goldman Sachs (GS) também anunciaram dividendos mais altos depois de superarem o exame na última semana, que avaliou a solidez bancária na hipótese de uma recessão global severa e turbulência nos mercados imobiliários.
🕸 Zuckerberg x Musk. Depois de ser desafiado há duas semanas por Elon Musk a uma luta em um ringue, Mark Zuckerberg fez seu primeiro tweet em mais de uma década, postando uma ilustração de dois homens-aranha se enfrentando. A postagem brincalhona ocorre no dia em que o Instagram da Meta (META) apresentou o Threads, plataforma que pretende substituir o Twitter controlado por Musk.
(Com informações da Bloomberg News)

🟢 As bolsas ontem (05/07): Dow Jones Industrials (-0,38%), S&P 500 (-0,20%), Nasdaq Composite (-0,18%), Stoxx 600 (-0,73%), Ibovespa (+0,40%)
O retorno das negociações após o feriado nos EUA foi de perdas ante o aumento das incertezas trazidas pela ata da última reunião do Fed, que trouxe uma visão divergente de seus membros sobre a pausa do aperto monetário em junho.
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Na agenda
Esta é a agenda prevista para hoje:
• PMI de Construção/Jun: Zona do Euro, Reino Unido, Alemanha, França, Itália
• EUA: Demissões Anunciadas Challenger/Jun, Variação de Empregos Privados-ADP/Jun, Pedidos Iniciais de Seguro Desemprego, Balança Comercial, Pedidos de Hipotecas/MBA, PMI Composto e de Serviços/Jun, Oferta de Emprego-JOLTs, Total de Vendas de Veículos, Estoques de Petróleo Bruto
• Europa: Zona do Euro (Vendas no Varejo/Mai); Alemanha (Encomendas à Indústria/Mai); França (Licenciamento de Veículos)
• Ásia: Japão (Reservas Internacionais/Mai, Massa Salarial/Mai, Gastos Domésticos/Mai)
• América Latina: Argentina (Produção Industrial/Mai)
• Bancos centrais: Discurso de Lori Logan (Fed) e Joachim Nagel (Bundesbank), Ata da Reunião de Política Monetária do Banco do México
🗓️ Os eventos de destaque na semana →
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