Bloomberg — Os analistas subestimam as chances de um candidato da direita que não seja Flávio Bolsonaro chegar ao segundo turno para a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group.
Há uma probabilidade de 30% que um nome surpreenda o senador pelo Rio de Janeiro e alcance a rodada decisiva das eleições de outubro, diz Garman em entrevista à Bloomberg News. “Tem um viés de alta nesses 30%.”
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O executivo da Eurasia está mais confortável com o que chamou de número “agressivo” para uma surpresa na direita, depois das revelações de que Flávio Bolsonaro pediu recursos a Daniel Vorcaro, no centro da investigação de fraude do Banco Master, para financiar um filme sobre o seu pai, Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades e disse que não houve contrapartida.
“O que este escândalo faz é que realça uma leitura que temos feito desde o início do ano: os analistas subestimam a chance de um segundo turno sem Flávio”, diz Garman, em entrevista.
“Lulismo e bolsonarismo entram mais fragilizados” nesta eleição, dado que está consolidado na população um desejo de mudança, segundo ele.
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Neste contexto, caso surja um nome de outro candidato crível em corrupção, tema relevante para o eleitorado juntamente com a segurança pública, poderá exibir rápida ascensão, afirma Garman.
“Não me surpreenderia que essa eleição possa ter uma dinâmica assim”, diz, citando que Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos devem subir nas pesquisas, embora enfrentem o desafio do baixo grau de familiaridade dos eleitores.
Para ele, Flávio Bolsonaro sai enfraquecido pelas ligações com Vorcaro, mas a sua campanha não está acabada e ele segue favorito para ir ao segundo turno. “A eleição permanece muito competitiva”, diz Garman.
A Eurasia ainda vê Lula como ligeiro favorito na disputa de outubro, atribuindo hoje probabilidade de 55% ao cenário de vitória do petista.
Isso representa uma redução da chance de 60% que era dada a ele em abril, em razão do potencial efeito negativo da alta dos preços dos alimentos, decorrente da guerra entre Estados Unidos e Irã.
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Segundo Garman, esta eleição é mais difícil de prever do que as anteriores porque os dois modelos da consultoria apontam para resultados divergentes.
A aprovação do governo indica maior chance de reeleição de Lula, mas o presidente não vai bem quando se analisa as duas principais preocupações dos eleitores (segurança e corrupção).
No entanto, pelo histórico das últimas quatro eleições em que um incumbente disputou a eleição no Brasil, a média de aprovação do governo subiu sete pontos percentuais ao longo da campanha, o que daria a Lula favoritismo, diz. Até porque o governo já tem atuado com medidas que podem afetar a popularidade, como o Desenrola e a revogação da chamada “taxa das blusinhas”.
“Lula é um ligeiro favorito porque tem vantagens de incumbência”, diz Garman.
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