Eurasia vê 30% de chance de outro candidato da direita chegar ao segundo turno

Em entrevista à Bloomberg News, Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, diz que analistas subestimam as chances de um candidato da direita que não seja Flávio Bolsonaro chegar ao segundo turno

Christopher Garman, da Eurasia: 'Lulismo e bolsonarismo entram mais fragilizados' nesta eleição. (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
Por Felipe Saturnino - Daniela Milanese

Bloomberg — Os analistas subestimam as chances de um candidato da direita que não seja Flávio Bolsonaro chegar ao segundo turno para a disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, diz Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group.

Há uma probabilidade de 30% que um nome surpreenda o senador pelo Rio de Janeiro e alcance a rodada decisiva das eleições de outubro, diz Garman em entrevista à Bloomberg News. “Tem um viés de alta nesses 30%.”

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O executivo da Eurasia está mais confortável com o que chamou de número “agressivo” para uma surpresa na direita, depois das revelações de que Flávio Bolsonaro pediu recursos a Daniel Vorcaro, no centro da investigação de fraude do Banco Master, para financiar um filme sobre o seu pai, Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades e disse que não houve contrapartida.

“O que este escândalo faz é que realça uma leitura que temos feito desde o início do ano: os analistas subestimam a chance de um segundo turno sem Flávio”, diz Garman, em entrevista.

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“Lulismo e bolsonarismo entram mais fragilizados” nesta eleição, dado que está consolidado na população um desejo de mudança, segundo ele.

Leia também: Flávio Bolsonaro nega que recursos de Vorcaro, do Master, tenham beneficiado irmão

Neste contexto, caso surja um nome de outro candidato crível em corrupção, tema relevante para o eleitorado juntamente com a segurança pública, poderá exibir rápida ascensão, afirma Garman.

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“Não me surpreenderia que essa eleição possa ter uma dinâmica assim”, diz, citando que Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos devem subir nas pesquisas, embora enfrentem o desafio do baixo grau de familiaridade dos eleitores.

Para ele, Flávio Bolsonaro sai enfraquecido pelas ligações com Vorcaro, mas a sua campanha não está acabada e ele segue favorito para ir ao segundo turno. “A eleição permanece muito competitiva”, diz Garman.

A Eurasia ainda vê Lula como ligeiro favorito na disputa de outubro, atribuindo hoje probabilidade de 55% ao cenário de vitória do petista.

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Isso representa uma redução da chance de 60% que era dada a ele em abril, em razão do potencial efeito negativo da alta dos preços dos alimentos, decorrente da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Leia também: Ligação de Flávio Bolsonaro e Vorcaro pressiona direita na corrida presidencial

Segundo Garman, esta eleição é mais difícil de prever do que as anteriores porque os dois modelos da consultoria apontam para resultados divergentes.

A aprovação do governo indica maior chance de reeleição de Lula, mas o presidente não vai bem quando se analisa as duas principais preocupações dos eleitores (segurança e corrupção).

No entanto, pelo histórico das últimas quatro eleições em que um incumbente disputou a eleição no Brasil, a média de aprovação do governo subiu sete pontos percentuais ao longo da campanha, o que daria a Lula favoritismo, diz. Até porque o governo já tem atuado com medidas que podem afetar a popularidade, como o Desenrola e a revogação da chamada “taxa das blusinhas”.

“Lula é um ligeiro favorito porque tem vantagens de incumbência”, diz Garman.

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