Ações globais caem e Brent sobe 7% com temor de conflito prolongado no Oriente Médio

Quedas se espalham da Ásia à Europa, enquanto o dólar se fortalece e o mercado passa a precificar juros mais altos por mais tempo diante da possibilidade de prolongamento da guerra

NO RADAR DOS MERCADOS
02 de Abril, 2026 | 06:52 AM

Bloomberg — As ações globais operam em queda nesta quinta-feira (2), enquanto o petróleo volta a disparar, após o presidente dos EUA, Donald Trump, frustrar as expectativas de uma resolução rápida para a guerra no Oriente Médio e de redução nas interrupções do fluxo de energia.

Os futuros do S&P 500 recuaram 1,2%, acompanhando quedas nos mercados europeu e asiático.

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O Brent saltou 7,4%, para acima de US$ 108 por barril, depois que Trump, em discurso no horário nobre, prometeu ações mais agressivas contra o Irã nas próximas duas a três semanas e não apresentou planos concretos para reabrir o Estreito de Ormuz. Os futuros do diesel europeu chegaram a US$ 200 por barril.

Os títulos caíram com a expectativa de que os preços do petróleo permanecerão elevados por mais tempo, levando investidores a apostar em políticas monetárias mais restritivas. O dólar caminhava para sua maior alta em uma semana, enquanto o ouro interrompeu uma sequência de quatro dias de ganhos.

“Esse mercado simplesmente não é administrável”, disse Laurent Lamagnere, vice-CEO da Alphavalue, em Paris. “Estamos realmente preocupados com efeitos de segunda ordem, não apenas nos preços, mas também na oferta de petróleo — por exemplo, companhias aéreas reduzindo destinos, com impactos severos no turismo.”

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O aumento do petróleo também interrompeu o otimismo recente nas bolsas. Esperava-se que Trump buscasse uma saída rápida para o conflito, mas seu discurso não trouxe cronograma nem avanços concretos, mantendo a volatilidade nos mercados e levando alguns índices acionários para território de correção.

“Quanto mais tempo os preços elevados de energia persistirem, maior será o impacto sobre o consumo”, disse Mathias Heim, CIO da Belle Capital. “Sem compensações fiscais, isso reduz a renda disponível e a demanda.”

Os rendimentos dos Treasuries subiram em toda a curva, com a taxa de dois anos avançando para 3,85%, enquanto o mercado reduziu as apostas de corte de juros pelo Federal Reserve em 2026. Já os mercados passaram a precificar novas altas de juros pelo Banco da Inglaterra e pelo Banco Central Europeu ao longo do ano.

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Ações de empresas de petróleo e gás, como Venture Global e Exxon Mobil, avançaram no pré-mercado dos EUA, enquanto papéis de turismo, mineração e semicondutores caíram. Os futuros do Nasdaq 100 recuaram 1,5%.

“O petróleo raramente caiu abaixo de US$ 100 desde a disparada inicial”, disse Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell. “Isso pode ser um indicador melhor do cenário atual do que os movimentos recentes dos índices globais, à medida que o mundo enfrenta a interrupção de cerca de 20% da oferta global.”

Ações globais nesta quinta-feira (2) de abril
🔘 As bolsas ontem (01/04): Dow Jones Industrials (+0,48%), S&P 500 (+0,72%), Nasdaq Composite (+1,16%), Stoxx 600 (+2,50%), Ibovespa (+0,26%)

Veja a seguir outros destaques desta manhã de quinta-feira (2 de abril):

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- Guerra no Oriente Médio. Enquanto o presidente dos EUA prepara o terreno para uma saída da guerra contra o Irã, ele também ameaçou o país, em discurso na noite de quarta-feira (1), com novos ataques à infraestrutura caso não haja acordo. Teerã nega ter pedido cessar-fogo e mantém incertezas sobre as negociações.

- Ceticismo com Labubu. As ações da Pop Mart recuaram mais de 30% nos últimos cinco dias, diante das dúvidas de investidores sobre a dependência da empresa em relação ao sucesso do personagem. Analistas apontam risco de um ciclo prolongado de baixa, com pressão sobre margens e revisões negativas de lucros.

- Ouro sob pressão. O metal precioso chegou a cair mais de 4% nesta manhã após o discurso de Trump na véspera trazer pouca clareza sobre o fim da guerra com o Irã e sinalizar possível escalada militar. A aversão ao risco persistiu, com alta do dólar e do petróleo diante das incertezas em torno do Estreito de Ormuz.

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-- Com informações da Bloomberg News.

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