Bloomberg Línea — A Nike chegou a um total de 53 lojas no Brasil nesta quarta-feira (16), no momento em que a marca americana renovou o contrato de distribuição com o Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, até 2034 e viu rivais como On Running, Skechers e Hoka multiplicarem lojas próprias no país.
O aditamento ao contrato foi assinado no último dia 28 de agosto pela Fisia, subsidiária do Grupo SBF e distribuidora exclusiva da Nike no Brasil.
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O documento estende o prazo, firmado originalmente em dezembro de 2020, até 31 de maio de 2034, e cria uma cláusula de renovação automática: a cada ano, Fisia e Nike vão negociar mais 12 meses de vigência.
A medida eleva a previsibilidade da parceria de cinco para sete anos, segundo fato relevante assinado por José Luís Magalhães Salazar, diretor financeiro e de relações com investidores do Grupo SBF (SBFG3).
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O contrato garante à Fisia três funções na operação Nike no Brasil. A empresa distribui com exclusividade calçados, roupas, acessórios e equipamentos da marca. Opera com exclusividade o site nike.com.br. E administra as lojas físicas monobrand da Nike no país.
Novas aberturas em 2027
A loja mais nova, no Shopping Anália Franco, na zona leste de São Paulo, tem 981 m² e segue o conceito global mais recente de varejo da Nike, com espaços para corrida, futebol, treino, lifestyle, linha infantil e Jordan.
“Esta é a 53ª loja Nike que inauguramos no Brasil e representa mais um passo importante na nossa estratégia de expansão”, diz Cleber Arcuri, general manager da Fisia, em nota. Segundo ele, a empresa já prepara novas aberturas para 2027.
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A disputa por espaço nas prateleiras de tênis esportivo ficou mais acirrada nos últimos meses. A pressão competitiva mais direta sobre a Nike vem de uma frente específica: a corrida. É nessa categoria que marcas especialistas como Skechers e Hoka têm multiplicado lojas próprias no Brasil.
A Skechers, terceira maior fabricante de tênis do mundo, soma cinco lojas próprias no Brasil, entre elas uma unidade também no Anália Franco, e mira chegar a 10 até o fim do ano, a caminho de atingir mais de 100 no longo prazo.
A francesa Hoka já opera três lojas próprias no país, no Morumbi Shopping, em São Paulo, no ParkShopping Barigui, em Curitiba, e no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro.
O próprio CEO do Grupo SBF, Gustavo Furtado, reconheceu à Bloomberg Línea que a abertura de lojas próprias por marcas como Skechers, On e Hoka em shoppings brasileiros é um desafio para a Centauro, embora veja vantagem no modelo multimarcas da rede.
Nesse cenário, o horizonte contratual mais longo funciona como munição para a Nike. Com o prazo garantido até 2034, a Fisia ganha mais tempo para recuperar o investimento em cada loja nova antes de negociar de novo com a marca americana, justamente quando concorrentes menores abrem lojas próprias em ritmo acelerado.
O avanço do mercado de tênis acima da faixa de R$ 1.000 passa também pela moda lifestyle. A Lacoste abriu, no fim de julho, uma loja conceito exclusiva na Mata Lab, no complexo Cidade Matarazzo, em São Paulo, para lançar o Slam Break Premium, sneaker vendido a R$ 1.199.
Varejo desafiador no semestre
A expansão física ocorre num momento em que o shopping center ganha peso relativo no varejo brasileiro.
Em agosto, o fluxo de visitantes nas lojas de shopping cresceu 6,6% ante o mesmo mês de 2025, enquanto as lojas de rua tiveram queda de 0,5%, segundo o IPV (Índice de Performance do Varejo), da gestora HiPartners.
O faturamento nos shoppings avançou 1,7% no período, na direção oposta ao faturamento nacional, que recuou 1,4% com tíquete médio 1,3% menor.
“Os dados de agosto mostram um consumidor que continua indo à loja, mas comprando com mais cautela”, diz Flávia Pini, sócia da HiPartners, que atribui o descolamento entre visitas e vendas ao endividamento recorde das famílias e à confiança do consumidor no menor nível desde 2022.
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