Morre Oscar Schmidt, ícone do basquete e o maior cestinha olímpico da história

Brasileiro disputou cinco Olimpíadas e acumulou recordes mundiais que resistiram por décadas; ele lutava contra um tumor cerebral havia cerca de 15 anos

Oscar Schmidt

Bloomberg Línea — Oscar Schmidt, conhecido como “Mão Santa” e considerado um dos maiores jogadores da história do basquete mundial, morreu nesta sexta-feira (17) em São Paulo, aos 68 anos. O atleta lutava contra um tumor cerebral há cerca de 15 anos. A família optou por uma despedida reservada, de acordo com comunicado.

Nascido em Natal (RN), Oscar construiu uma carreira de dimensão global raramente associada a atletas que nunca pisaram em uma quadra da NBA.

PUBLICIDADE

Ele foi o maior pontuador da história do basquete, recorde que só foi superado por LeBron James em abril de 2024, após quase duas décadas intocado. Também é o maior pontuador da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos, e da Copa do Mundo da FIBA (Federação Internacional de Basquetebol).


Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.


Foram cinco participações olímpicas consecutivas, de Moscou (1980) a Atlanta (1996). Em Seul, em 1988, atingiu o auge individual: foi cestinha da competição com 338 pontos, a uma média de 42,3 por jogo — recorde olímpico —, e marcou 55 em uma única partida contra a Espanha, outra marca histórica ainda imbatida.

PUBLICIDADE

Segundo seu site oficial, naquela edição quebrou outros 10 recordes olímpicos, incluindo mais cestas de três pontos e mais lances livres em um único jogo. Ao longo das cinco edições, Oscar esteve em sete das dez partidas com maior pontuação da história olímpica.

Leia também: Do ciclismo ao tênis: bancos ampliam presença nos esportes na briga pela alta renda

A ausência na NBA foi uma escolha deliberada. Selecionado pelo New Jersey Nets no recrutamento da NBA em 1984, Oscar recusou a oferta para não abrir mão de defender a seleção brasileira — na época, as regras da FIBA impediam jogadores da liga americana de disputar Olimpíadas e Mundiais.

PUBLICIDADE
Oscar Schmidt

A decisão rendeu o momento mais celebrado de sua carreira: o ouro no Pan-Americano de 1987, em Indianápolis, com a primeira derrota dos Estados Unidos em casa na história da competição. Na final, Oscar marcou 46 pontos.

O reconhecimento internacional veio em múltiplas frentes. Oscar integra o Hall da Fama da FIBA e também o Hall da Fama da NBA, mesmo sem nunca ter atuado na liga norte-americana — uma honraria reservada a poucos nomes que transformaram o esporte em escala mundial.

Após encerrar a carreira em 2003, Schmidt se tornou palestrante. Em entrevista à TV Brasil em 2022, refletiu sobre a longevidade e o legado: “Eu vivo minha vida intensamente, mas por outro lado, calmamente.”

PUBLICIDADE

A Confederação Brasileira de Basquete (CBB) lamentou a morte do jogador.

“O maior jogador da história do basquete brasileiro despede-se como um símbolo absoluto do esporte, dono de uma trajetória que redefiniu os limites do possível dentro das quadras. A CBB lamenta com um pesar profundo a perda de um do maiores ídolos da história do esporte mundial”, afirmou em nota.

-- Com informações da Agência Brasil

Leia também

Champions League: Nike negocia contrato de bola oficial e pode tomar o lugar da Adidas

BYD na F1: aposta bilionária busca prestígio além de estigma de ‘barata e eficiente’

Da falência à elite: o modelo de negócios que levou este clube italiano à Série A