Bloomberg Línea — Neste sábado (13), a estimativa é de que 182 milhões de brasileiros acompanhem o jogo do Brasil contra Marrocos, na estreia da seleção de Carlo Ancelotti na Copa do Mundo 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá. Mas apenas uma porcentagem ínfima estará em East Rutherford, Nova Jersey, para assistir à partida no estádio.
Para chegar lá, o torcedor brasileiro mais econômico precisou de, no mínimo, R$ 15 mil por pessoa — considerando 27 horas de voo devido às escalas, hospedagem compartilhada e ingresso de categoria mais básica.
Quem quiser acompanhar o Brasil da fase de grupos até a final vai gastar entre R$ 70 mil e R$ 200 mil. A esmagadora maioria vai fazer o que sempre fez quando a Copa fica cara demais: criar o próprio evento.
E em 2026, com horários favoráveis, os organizadores de festas e festivais de música aproveitam essa lacuna e podem fazer com que o espetáculo brasileiro seja ainda maior do que o que acontecerá nos estádios americanos.
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Cenas tradicionais que costumam aparecer nos intervalos das transmissões dos jogos de Mundial, se repetirão. Em São Paulo, a FIFA, em parceria com a Prefeitura de São Paulo, montou uma Fan Fest no Vale do Anhangabaú, com capacidade para 35 mil pessoas — entrada controlada, apesar de gratuita.
Nas areias da Praia de Copacabana, a estrutura comporta até 10 mil pessoas e terá ingressos liberados gratuitamente (até dois por CPF). Alguns dias já estão esgotados, com três telões de alta definição, praça de alimentação, abres, ativações com parceiros e shows de grandes cantores.
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Mas é fora das paisagens e aglomerações tradicionais que o conceito de Copa paralela ganha suas versões mais ambiciosas (e pagas).
No Parque do Ibirapuera, a Arena Brasileira — realizada pela Fishfire em parceria com a Enter Eventos e a Super Sounds — retorna ao mesmo endereço onde, na Copa passada, reuniu mais de 100 mil pessoas em sua primeira edição.
Para 2026, a estrutura foi ampliada e a expectativa é receber entre 130 mil e 200 mil visitantes em 11 datas confirmadas, com possibilidade de chegar a 13 a depender da classificação da seleção brasileira.

São 33 artistas confirmados no line-up — um elenco 30% maior do que o da edição anterior. Os patrocinadores também cresceram: de 17 para 24, com faturamento 50% superior ao da Copa passada. Para o jogo de estreia, contra Marrocos, os ingressos já estão quase esgotados — com Ivete Sangalo e Péricles no palco.
O calendário foi desenhado para acompanhar a jornada do Brasil. Nos jogos da fase de grupos, a Arena abre com datas garantidas. A partir das oitavas de final, a lógica muda: as datas seguintes estão condicionadas à classificação do Brasil, com ingressos reembolsados em caso de eliminação — e o dia do evento variando conforme o Brasil avance em primeiro ou segundo lugar no grupo.
A experiência de Pedro Braun, sócio da Fishfire, com esse formato começou antes da pandemia. Em 2010, ele organizou um evento similar para cerca de 1.000 pessoas em parceria com o bar do Jockey Club de São Paulo.
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“Fizemos de um período difícil para vender festas — a época da Copa, quando as pessoas tradicionalmente assistiam às partidas em casa ou com a família — uma oportunidade de preencher o calendário de eventos com um verdadeiro festival”, diz ele.
A Ginga, que terá a Budweiser como principal patrocinadora, é o evento com maior capilaridade nacional desta edição: chega a 15 cidades brasileiras — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Balneário Camboriú, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza, São Luís, Natal, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Uberlândia — além de uma edição especial em Miami.
Criada em 2013 e já veterana de três Copas do Mundo, a plataforma combina transmissão dos jogos em arenas imersivas com shows no pós-jogo e um espaço expositivo sobre a história da seleção. Na edição de 2022, reuniu 365 mil pessoas e impactou 12 milhões digitalmente. Em 2026, conta com iFood como patrocinador nacional e marcas regionais em cada praça.
NBA como inspiração
No Parque Villa-Lobos, a Casa CazéTV — realizada pela tm1 em parceria com a emissora — ocupa o mesmo endereço onde a NBA House sediou suas watch parties nos últimos anos, durante os jogos da liga de basquete americana.
O projeto mistura transmissão ao vivo, criação de conteúdo, ativações de marca e shows no pós-jogo: MC Hariel e Gaab abrem a programação em 13 de junho, com os Prettos como banda residente do evento inteiro.
Os patrocinadores incluem Coca-Cola, Mercado Livre, Visa, Itaú, Hyundai e iFood. No Rio, a Casa CazéTV ocupa o Armazém 3 do Píer Mauá com a mesma proposta. A Casa CazéTV em SP seguirá o mesmo princípio: transmissão dos jogos como pretexto para uma experiência de consumo completa. No Rio, a empresa instalará seu espaço presencial de convivência com sua audiência no Pier Mauá, a CazéTV.
“Criamos uma experiência que complementa a transmissão esportiva, conectando fãs, marcas e conteúdo em um espaço de convivência e participação”, diz Bernardo Dinardi, CEO da tm1.
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Ele concorda com a tese de que as casas temáticas, como a da liga americana de basquete, ajudaram a promover o formato deste tipo de evento. “Quando falamos de NBA, falamos também de moda, sneaker culture, música, hip hop, arte urbana, comportamento e entretenimento. E a NBA House é a materialização desse universo”, afirma.
Em paralelo às festas organizadas por empresas especializadas na vida noturna, a própria Ambev (ABEV3) opera sua própria rede de eventos. Batizada como Arena Nº1, a empresa ativará a marca Brahma - patrocinadora de Ronaldo Fenômeno e do técnico italiano Carlo Ancelotti - em cinco cidades: Salvador, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre e Recife.
O projeto, realizado pela agência California, de Salvador, e que trabalhará com a Ambev pela primeira vez — e nasceu de uma parceria institucional da Brahma, mediada pela CBF, que por sua vez trouxe a Volkswagen para a festa.
“Esse conceito começou com as Fan Fests oficiais na Copa de 2014”, diz Victor Landeiro, gerente de projetos da California. “Mas agora estamos oferecendo um espaço melhor para as marcas fazerem suas ativações e conseguimos parcerias estratégicas.”
O modelo é híbrido: 80% dos ingressos serão distribuídos gratuitamente via Sympla — para maiores de 16 anos — enquanto os 20% restantes serão comercializados como “backstage”, espaço premium com open bar das marcas da Ambev e parceria com a Pernod para destilados, restrito a maiores de 18 anos.
Os shows acontecem exclusivamente nos dias de jogos do Brasil, com exceção de Goiânia, que abrirá em datas adicionais sob um nome diferente. Em Salvador, o evento ocupa a praça em frente ao Mercado Modelo e ao Elevador Lacerda, um dos cartões-postais da cidade.
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A ativação da Volkswagen segue a linguagem dos festivais de música: um carro da marca exposto na área do evento, repleto de bolas de futebol, com o desafio de adivinhar a quantidade exata e ganhar brindes.
Para a gerente de marketing da Volkswagen, Livia Kinoshita, a escolha não é casual: a montadora atua no território da música há anos e voltou recentemente ao futebol.
“Esse evento conecta muito bem as duas coisas — não é mais só abrir o telão pra passar o jogo. Tem shows de artistas, ativações de marca”, diz ela. “A gente entendeu que essa era uma oportunidade de juntar duas áreas estratégicas que a gente tem — música e futebol.”
Para Ladeira, porém, o diferencial do projeto não está apenas nas atrações — está no controle operacional. Em edições anteriores de Carnaval com perfil semelhante, realizadas em espaços abertos como o Pelourinho, em Salvador, ambulantes e comerciantes conseguiam burlar as restrições e vender produtos de marcas concorrentes dentro do perímetro do evento.
A Arena Nº1 aposta em delimitação de área e segurança profissional para garantir a exclusividade dos parceiros — um ponto que foi decisivo para fechar contratos.
A presença da TV Globo como parceira de divulgação reforça o alcance: os tradicionais links ao vivo feitos durante as transmissões dos jogos do Brasil serão realizados a partir das arenas.
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