Bloomberg — A eleição presidencial do Peru está tão acirrada que provavelmente serão os cidadãos do exterior, e não os do país, que desempatarão a disputa.
O candidato de esquerda Roberto Sánchez está liderando a disputa com 50,087% dos votos, enquanto a três vezes segunda colocada Keiko Fujimori tem 49,913%. Essa é uma diferença de pouco mais de 30.000 votos, com 94,8% das cédulas apuradas.
Tornou-se quase uma norma o fato de que, na nação sul-americana de 34 milhões de habitantes, apenas dezenas de milhares de votos podem determinar o presidente - mesmo que este ano possa ser a disputa mais acirrada de todas.
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Em 2016, a conservadora Fujimori perdeu para Pedro Pablo Kuczynski por apenas 41.000 votos. Em 2021, ela novamente perdeu por 44.000 votos contra o ex-presidente de esquerda Pedro Castillo, a quem Sánchez se inspirou.
Especialistas e investidores acreditam que o voto da diáspora provavelmente acabará decidindo o vencedor, com uma chance de que os resultados mudem e Fujimori saia na frente. O voto no exterior não é obrigatório, mas em eleições recentes cerca de 300.000 peruanos no exterior deram votos válidos, geralmente inclinados a candidatos de direita.
“O que resta a ser contado é principalmente a favor de Keiko”, disse Gonzalo Banda, analista político da University College London. Ele disse que, especialmente o voto no exterior, “pode acabar desequilibrando a balança”.

Alberto Arispe, chefe da corretora peruana Kallpa SAB, disse que é exatamente nisso que o mercado está apostando, e foi isso que ajudou o sol a se recuperar antes do fechamento na segunda-feira.
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A moeda peruana se enfraqueceu durante a maior parte do dia, antes de fechar em alta de 0,3% em relação ao dólar, de acordo com dados indicativos de preços compilados pela Bloomberg, e o índice de ações MSCI reduziu as perdas para encerrar a sessão em queda de 1%. Os títulos em dólar caíram, com as notas com vencimento em 2034 caindo 0,4 centavo em relação ao dólar.
“O mercado presume que, uma vez contados os votos no exterior, Keiko Fujimori vencerá a eleição”, disse Arispe. “Essa é a especulação do mercado.”
As autoridades não esperam resultados oficiais até julho.
A diáspora se inclina para a direita
No Peru, onde o voto é obrigatório, a maioria das cédulas que ainda não foram contadas provém das regiões rurais mais pobres do país, e é mais provável que favoreçam Sánchez. Ainda assim, Fujimori tem sólidos bolsões de apoio na Amazônia.
Há também cerca de 455.700 cédulas em disputa. A maioria delas é de Lima, onde Fujimori tem mais de 60% de apoio.

A diáspora peruana representa cerca de 4,4% do eleitorado total do país, principalmente nos EUA, na Espanha e na Argentina, de acordo com dados do governo. Cerca de 5,5% de suas cédulas foram contadas até o momento.
O voto no exterior “pode ser crucial”, disse Juan Pablo Sims, cientista político da Universidad del Desarrollo, no Chile.
Os que “ainda não foram contados são os que demoram mais para chegar”, disse ele. “Isso cria uma grande incerteza”.
Os peruanos no exterior geralmente acompanham Lima, um dos redutos de Fujimori. No segundo turno de 2021, Fujimori obteve quase dois terços dos votos em ambos os grupos: 64,6% na capital e 66,2% no exterior. Isso significa que Sánchez precisaria eliminar sua liderança internamente para compensar a vantagem de aproximadamente 100.000 votos que os especialistas esperam que ela ganhe com o voto no exterior.

No primeiro turno das eleições de abril, o voto internacional deu ao ultraconservador ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga, uma vantagem de 25% nesse bloco entre mais de 30 candidatos. Fujimori ficou em segundo lugar, com 17%, enquanto Sánchez ficou em oitavo lugar, com apenas 2,6%.
“Eu ficaria surpreso se Sánchez se mantivesse”, disse Banda. “Seria preciso uma catástrofe nos votos de Keiko no exterior para que isso acontecesse.”
-- Com a ajuda de Antonia Mufarech, Marcelo Rochabrún e Zijia Song.
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