Bloomberg — O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo provisório com o Irã chegou ao fim, aumentando a possibilidade de um novo conflito militar entre os dois países.
“Para mim, acho que acabou”, disse ele na quarta-feira em Ancara, sentado ao lado do secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, na cúpula anual da aliança militar. “No que me diz respeito, é apenas uma perda de tempo.”
As declarações de Trump ocorreram logo após os EUA terem lançado uma nova onda de ataques contra o Irã e revogado uma isenção que permitia a venda de petróleo iraniano.
⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.
As medidas, tomadas em resposta aos recentes ataques a navios que transitavam pelo Estreito de Ormuz, trouxeram nova volatilidade aos mercados de energia e colocaram à prova um acordo de paz já frágil entre Washington e Teerã.
“Não quero lidar com eles, mas são escória”, disse Trump. “Sabe o que é escória? Eles são escória. São pessoas doentes, lideradas por pessoas doentes, e são pessoas cruéis e violentas; e se tivessem uma arma nuclear, a usariam.”
Ainda assim, Trump afirmou que não impediria os negociadores de continuarem a dialogar, mesmo expressando pessimismo em relação à tática.
“Há algo de errado com eles, são malucos”, disse ele. “Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo.”
Três navios foram atacados no Estreito de Ormuz, aparentemente pelo Irã, que afirmou repetidamente que não permitirá que embarcações transitem por essa importante via navegável energética sem sua permissão.
O fim dos ataques à navegação comercial e a isenção concedida pelos EUA foram elementos centrais de um memorando de entendimento que suspendeu os combates entre os EUA e o Irã e estabeleceu um prazo de 60 dias para negociações sobre um acordo de paz mais abrangente.
Em conjunto, esses acontecimentos representaram a ameaça mais séria ao acordo de paz provisório.
Leia também: Ações globais caem e petróleo sobe após Trump declarar fim de cessar-fogo com Irã
Os EUA culparam o Irã pelos ataques à navegação, enquanto Teerã afirmou que os ataques militares e a revogação da isenção violaram o acordo entre os dois países.
Os preços do petróleo, que atingiram um pico próximo a US$ 125 por barril no final de abril, haviam voltado aos níveis anteriores ao conflito neste mês, diante de sinais de recuperação. Mas, após a decisão do Tesouro, os preços do petróleo voltaram a subir na terça-feira.
Uma autoridade norte-americana afirmou que os negociadores continuariam a trabalhar em prol de um acordo definitivo entre Washington e Teerã, mas mesmo antes da mais recente escalada, as perspectivas de um acordo mais abrangente permaneciam incertas.
Há uma série de pontos de discórdia a serem resolvidos, incluindo futuras taxas sobre o tráfego pelo Estreito de Ormuz, o descongelamento de ativos iranianos e as ambições nucleares da República Islâmica.
As negociações entre os EUA e o Irã foram retomadas na semana passada, após os dois países terem trocado ataques.
No entanto, as negociações foram suspensas novamente, uma vez que o Irã realiza um funeral em massa de uma semana em homenagem ao falecido Líder Supremo Ali Khamenei, que foi assassinado no primeiro dia do conflito, no final de fevereiro.
O Catar informou que a próxima reunião será agendada o mais cedo possível após os cortejos fúnebres. Khamenei deve ser sepultado em sua cidade natal, Mashhad, no dia 9 de julho.
Trump afirmou que prefere chegar a um acordo com o Irã, mas também ameaçou retomar os ataques caso esse resultado não se concretize.
Leia também: Gasolina sobe 15% na América Latina com guerra no Irã; Uruguai tem preço mais alto
A guerra prejudicou a posição política do presidente em um momento delicado para seu partido, que enfrenta um caminho difícil para manter o controle do Congresso nas eleições intermediárias de novembro.
Os altos preços da energia agravaram as preocupações dos eleitores com questões financeiras, e os índices de aprovação de Trump estão próximos de mínimos históricos, com os eleitores insatisfeitos com sua gestão da economia e da guerra.
Trump tem insistido que o fim das hostilidades trará aos americanos um alívio imediato nos preços dos combustíveis e que os ganhos no mercado de ações irão beneficiar as famílias.
Não está claro, porém, em quanto tempo o fluxo de energia poderá retornar aos níveis pré-guerra.
Veja mais em bloomberg.com
Leia também
Da escassez ao excesso: mercado agora teme risco de ‘onda’ de oferta de petróleo
©2026 Bloomberg L.P.








