Bloomberg — O senador Flávio Bolsonaro tenta se desvincular das medidas comerciais punitivas dos Estados Unidos que passaram a ser associadas às pressões de sua família sobre Donald Trump em defesa de seu pai — uma iniciativa que acabou prejudicando a campanha eleitoral do candidato conservador.
Em um documento de 86 páginas apresentado na quarta-feira ao Escritório do Representante Comercial dos EUA, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, pediu ao governo Trump que não imponha novas tarifas sobre as exportações brasileiras antes das eleições de outubro nem mire o Pix, o popular sistema de pagamentos instantâneos do país.
“As tarifas propostas recompensariam justamente os infratores que pretendem punir”, escreveu Bolsonaro, ao argumentar que as medidas voltariam a beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja popularidade cresceu depois que ele classificou as pressões anteriores dos EUA como um ataque à soberania do Brasil.
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Bolsonaro também defendeu o Pix, plataforma gratuita de pagamentos instantâneos desenvolvida e mantida pelo Banco Central do Brasil, que descreveu como “um dos marcos do governo de Jair Bolsonaro”.
Trump impôs inicialmente tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras e ameaçou adotar medidas punitivas adicionais, em uma tentativa de dissuadir o Supremo Tribunal Federal de julgar Jair Bolsonaro por uma tentativa de golpe após sua derrota eleitoral.
Bolsonaro acabou condenado a 27 anos de prisão, enquanto a maior parte das tarifas foi posteriormente eliminada durante negociações entre Brasília e Washington.
Parte das tarifas remanescentes foi posteriormente anulada pela Suprema Corte dos EUA.
Desde então, o governo Trump busca reimpô-las por meio de uma investigação, nos termos da Seção 301, sobre práticas comerciais brasileiras supostamente desleais. O Pix é citado na investigação por supostamente ter se beneficiado de uma vantagem desleal em relação a empresas americanas.
Flávio Bolsonaro se inscreveu para falar em uma audiência pública no âmbito da investigação, marcada para a próxima semana em Washington.
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