Protestos na Bolívia: países da região expressam preocupação por risco de escassez

Protestos e bloqueios nas estradas há duas semanas e ameaçam o fornecimento de combustível, alimentos e suprimentos essenciais; governo destacou policiais e militares contra bloqueios

Bolivia
Por Matthew Malinowski - Sergio Mendoza

Bloomberg — Nações latino-americanas expressam crescente preocupação com a escassez de bens essenciais na Bolívia conforme agitação toma conta do país e representa desafio ao presidente Rodrigo Paz.

Rodrigo Gamarra, que preside o parlamento do bloco comercial sul-americano Mercosul, divulgou uma declaração no sábado (16) ressaltando sua preocupação “profunda” com a Bolívia, “onde protestos e bloqueios causaram escassez de alimentos, combustível e suprimentos essenciais, afetando milhares de cidadãos.”

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Os comentários vieram menos de um dia após os governos de Argentina, Chile, Costa Rica, Equador, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru dizerem numa declaração conjunta que rejeitam “toda ação focada em desestabilizar a ordem democrática” sob o governo Paz.

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“Neste sentido, reiteramos nossa solidariedade com o governo e o povo boliviano, e advertimos todos os atores sociais e políticos a canalizar suas diferenças, priorizando o diálogo, respeito às instituições e a preservação da paz social”, segundo o comunicado conjunto.

No sábado, o governo da Bolívia destacou policiais e militares contra bloqueios de estradas que estão em vigor há duas semanas, levando a confrontos e dezenas de prisões.

Manifestantes pediram aumentos salariais e medidas para fortalecer a economia, enquanto a central sindical nacional, conhecida como COB, busca a saída de Paz. A agitação levou a pelo menos três mortes.

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Os protestos têm sido realizados em parte por membros da Confederación Sindical Única de Trabajadores Campesinos, composta por agricultores do altiplano, a central sindical nacional, produtores de coca da província de Chapare e seguidores do ex-presidente Evo Morales.

O porta-voz do governo boliviano José Luis Gálvez disse numa coletiva de imprensa na noite de quinta-feira que os protestos são financiados por grupos de tráfico de drogas e Morales. Morales negou essas acusações num programa de rádio local.

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Enquanto isso, seus apoiadores iniciaram marcha do departamento de Oruro em direção à capital La Paz, onde devem chegar na segunda-feira.

Nos últimos dias, o governo da Bolívia chegou a acordos com mineradores e professores rurais, que concordaram em encerrar suas manifestações.

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